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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Robótica mais perto do homem

Por Alfredo Durães
no Estado de Minas


Cientistas da USP São Carlos, em parceria com universidade norte-americana, se debruçam sobre a combinação entre neurônios, chips e próteses para beneficiar, no futuro, pessoas com deficiências auditivas e de mobilidade.

Na letra da música Índios, feita há quase 30 anos, o cantor e compositor Renato Russo, da banda Legião Urbana, tascou a frase: “E o futuro não é mais como era antigamente”. Descontadas as décadas de uso, ela continua em pleno uso e o futuro vai cumprindo, fielmente, aquilo a que sempre se propôs, ou seja, ser incerto. Faz parte de sua natureza. No entanto, a força brutal da tecnologia, que se impõe cada vez mais no presente, demonstra que o amanhã se torna, a cada dia, muito mais imprevisível. Bem mais do que imaginou (ou desconstruiu) o cantor. No campo da tecnologia, não é mais possível fazer previsões mais ou menos aproximadas. Para ficar com um exemplo simples, basta lembrar o uso popular (ou até mesmo a existência) de telefones celulares, smartphones ou iPads, algo absolutamente impensável há poucas décadas. Esses aparelhos estariam muito mais para a ficção científica e o desenho animado dos Jetsons que para a realidade palpável.


Nessa seara, devemos incluir a medicina aliada com a tecnologia, que dá passos no sentido de criar pequenas máquinas acopladas ao corpo humano. O que também não seria nenhuma novidade se levarmos em conta a existência de aparelhos para combater a surdez ou o bom e velho marcapasso, ambos já com anos de estrada. No entanto, o desafio atual são os chamados impulsos cerebrais aliados a chips, que estão sendo estudados de forma a se tornar aliados no combate a vários males físicos ou de mobilidade. Aparelhos que, por exemplo, ajudariam um tetraplégico a andar, a partir da combinação de funções entre neurônios, chips e próteses robóticas.

Não é possível dizer que essa espécie de, diríamos, “parte homem, parte robô” será uma realidade num futuro próximo. Como também é impossível dizer que não será. Nesse caminho, pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, estão tentando desenvolver chips implantáveis (com cerca de um centímetro quadrado), que permitam a substituição (ou interação) de partes do corpo por equipamentos eletrônicos com o uso de carbeto de silício (3C-SiC), material que não provoca reações adversas no organismo.

O estudo “Projeto e fabricação de chips implantáveis utilizando materiais biocompatíveis para interfaces cibernéticas avançadas” é do ICMC junto com a Universidade do Sul da Flórida (USF), nos Estados Unidos, visando ao intercâmbio de cientistas e alunos de graduação na área de biocibernética. Ele é aprovado pelo programa Ciência sem fronteiras, do governo federal, na categoria visitante especial. As interfaces cérebro-máquina já auxiliam a vida de milhares de deficientes físicos em todo o mundo. Segundo um dos autores do projeto, o professor do ICMC Mario Gazziro, “na prática, implantes cocleares (auditivos) são usados por cerca de 120 mil pessoas no mundo, além de 80 mil usuários dos implantes conhecidos como “estimulação profunda do cérebro”, para auxiliar no tratamento do mal de Parkinson e dores crônicas”.

Mas, o que é mesmo essa tecnologia e como funciona no corpo humano? De acordo com Gazziro, embora interfaces cérebro-máquina já sejam utilizadas em diversas áreas da medicina de reabilitação e tratamento, não existe uma solução prática para realização das interfaces com o córtex-motor. “Mesmo que diversos cientistas no mundo tenham provado que isso é possível — incluindo o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, professor titular do Departamento de Neurobiologia e codiretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University (EUA) — e, a partir daí, controlar próteses robóticas, todos enfrentam o problema de biocompatibilidade a longo prazo dos eletrodos (que são os dispositivos que entram em contato com os neurônios), além de todos usarem fios na interface”, acresenta Gazziro.

CARBETO DE SILÍCIO Segundo ele, a proposta desenvolvida na USP São Carlos usa eletrodos de carbeto de silício — pois os eletrodos tradicionais são feitos de silício, que param de funcionar com o tempo — e uma tecnologia de transmissão de rádio. Gazziro pontua ainda que os dois grandes desafios da biocibernética são a compatibilidade do material usado na fabricação do chip com o organismo humano e o consumo de energia gasta pelo eletrodo dentro do dispositivo.

Ele diz que a questão da biocompatibilidade foi solucionada pelo professor norte-americano Stephen Saddow, da USF, que participa do projeto como visitante. A equipe de Saddow estudou diversos materiais semicondutores para descobrir que o carbeto de silício tem as propriedades necessárias para o desenvolvimento de uma interface cerebral. Depois de 30 dias de implantação, o 3C-SiC não causou grandes problemas ao tecido neural das cobaias.

O professor Dilvan de Abreu Moreira, do Departamento de Ciências de Computação do ICMC, é o coordenador técnico do projeto. Participam também o professor Carlos Alberto dos Reis Filho, da Universidade Federal do ABC, e Claudius Feger, do Centro de Pesquisas da IBM de São Paulo. A IBM, gigante americana na área de tecnologia, se interessou pelo projeto, pois se o experimento for um sucesso, será preciso industrializar o processo de fabricação de chips com carbeto de silício. Para Gazziro, a solução do biochip poderá ser usada em esqueletos artificiais feitos de metais resistentes que ampliam a capacidade física de portadores de deficiência. “Bastará o leitor dos sinais do chip enviar os comandos captados no cérebro para que eles substituam o papel do membro não funcional”, disse.

contraponto
“Do jeito que isso está sendo mostrado, uma mãe pode achar que seu filho paraplégico vai voltar a andar em breve. E não é verdade”, critica Sérgio Teixeira da Fonseca, orientador do curso de doutorado em ciência da reabilitação, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e editor da Revista Brasileira de Fisioterapia. Ele se mostra um pouco cético quanto ao assunto: “Penso que a interface homem-máquina está, atualmente, muito mais para a ficção científica do que para a realidade. Na minha concepção, é algo até viável, mas que atualmente enfrenta vários problemas. As pessoas não devem ficar muito animadas”, diz. Fonseca argumenta que um tetraplégico poderá até dar o chute inicial da Copa do Mundo em 2014, aqui no Brasil, como prometeu o cientista Miguel Nicolelis, mas será só isso. “A perna poderá sim ser estimulada, treinada para fazer o movimento do chute, mas daí até a pessoa andar, dar passos, é uma distância muito grande. O movimento do corpo humano é condicionado ao ambiente, ele se adapta para se relacionar com o mundo e isso a máquina não faz”, explicou.

Fonte: Estado de Minas

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

TECNOLOGIA ASSISTIVA AUXILIA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL



Dispositivo feito em Taquara fotografa e transforma informações em áudio.
Deficiente visual, Carlos Alberto Wolke mostra como funciona o Vocalizer, que ele mesmo desenvolveu

Um aparelho do tamanho de um celular promete ser um grande avanço na vida de pessoas com deficiência visual. Desenvolvido por uma empresa de Taquara, no Vale do Paranhana, o dispositivo fotografa e transforma em áudio informações como valores de cédulas de dinheiro, cores, texto e até mesmo códigos de barras de
produtos.
Entenda como funciona o Vocalizer
Equipamentos que cumprem uma das funções do Vocalizer, como foi chamado o aparelho produzido pela empresa Pináculo, existem no mercado. No entanto, nenhum deles reúne tantas funcionalidades â?" muito menos em um dispositivo pequeno, portátil e de fácil manuseio.
Por seu caráter inovador, o projeto da empresa de Taquara recebeu R$ 1,3 milhão de subvenção da Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Finep).
Deficiente visual há oito anos, o diretor da Pináculo, Carlos Alberto Wolke, buscava para si um aparelho que lhe desse maior autonomia no momento de realizar tarefas cotidianas. Procurando no mercado, notou que não havia nada semelhante ao que precisava.
Se não havia como comprar, o empresário optou por desenvolver o projeto. Foram três anos trabalhando no protótipo, com investimento de R$ 1,9 milhão.
" Eu precisava de algo que ajudasse em tarefas simples, como comprar algo. Eu queria saber quanto eu tinha de dinheiro na carteira, ou se estavam me dando o troco certo?" lembra Wolke.
Muito além de dinheiro, o software do Vocalizer reconhece e reproduz em áudio textos como livros, jornais e cardápios de restaurantes, lê arquivos digitais, funciona como tocador de mp3 e calculadora, detecta lâmpadas ligadas e grava recados em áudio.
Todas as informações são reproduzidas por um altofalante do aparelho, e o usuário tem a opção de usar fones de ouvido. 
Novidade terá preço inicial de R$ 4 mil
O projeto está em fase final de desenvolvimento. O protótipo passa por melhorias, e deve chegar ao mercado em três meses. Custará R$ 4 mil, valor que deve baixar após o lançamento. Toda a tecnologia foi desenvolvida pela Pináculo e possui software livre, permitindo que sejam construídos aplicativos para o sistema.
Para a Associação de Cegos do Rio Grande do Sul (Acergs) um dispositivo do tipo pode facilitar toda a rotina de uma pessoa com deficiência visual. De acordo com a gerente da entidade, Fabiana Silva, não se tem
notícia de algum produto no mercado que execute as tarefas propostas pelo Vocalizer.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Roupa especial ajuda criança com deficiência

AGUIRRE TALENTO
DE BELÉM

Uma roupa especial em desenvolvimento na UEPA (Universidade do Estado do Pará) vem ajudando crianças com deficiência neuromotora a aprender a se movimentar e a ter uma postura correta.
Esse tipo de roupa já é fabricado no exterior, mas a comercialização no Brasil esbarra no preço: R$ 2.000.
O diferencial da universidade paraense é usar material de baixo custo para produzi-la a R$ 600. Nesse valor estará embutido o material (laicra e anéis de metal), a mão de obra e o pagamento a um profissional que fará os ajustes ao corpo do usuário.

 Tarso Sarraf/Folhapress

Rafael, que tem paralisia cerebral, testa o traje com a pesquisadora Larissa Prazeres (branco) e a fisioterapeuta Larissa Rosa

Os primeiros modelos devem ficar prontos ainda neste ano e serão direcionados a crianças de até oito anos. A produção comercial, porém, só deve começar em 2013.

A universidade negocia com uma empresa paulista interessada no negócio.
A roupa está sendo testada em crianças com deficiência neuromotora da Unidade de Referência Especial em Reabilitação Infantil, em Belém.

Uma delas é Rafael, 2, que tem paralisia cerebral e, por isso, apresenta dificuldades para se movimentar e manter a postura correta. Com a roupa, ele tem postura mais firme e, auxiliado por fisioterapeutas, caminha com mais facilidade.

O projeto é da pesquisadora Larissa Prazeres e faz parte do Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (Nedeta), da universidade. A instituição recebeu R$ 300 mil do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para desenvolver essa e outras pesquisas de acessibilidade.

A roupa biocinética, como foi batizada, possui anéis de metal localizados nas regiões de alguns músculos, como joelho, tronco e quadril. Ela fica justa no corpo e, com isso, corrige a postura. Os anéis metálicos suprem a força que o músculo não tem. Assim, ajudam a executar movimentos e passam ao cérebro informações neurossensoriais.

"É como um computador: vai mandando mensagens corretas para o cérebro, o corpo se ajusta, e o cérebro deleta as mensagens incorretas", explica Ana Irene de Oliveira, coordenadora do Nedeta.
Com o tempo, o cérebro vai assimilando os movimentos corretos para que a roupa não seja mais necessária. A ideia é que ela seja usada diariamente, num trabalho conjunto ao do fisioterapia.

Segundo Leonice Carneiro, fisioterapeuta do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo, em Goiás, o tratamento é indicado para crianças sem deformidades fixas, como torções ósseas ou alterações musculares (músculo encurtado ou com deformidade articular).

"Quanto mais nova ela começa a usar a roupa, maior a eficácia", diz Carneiro.

Fonte

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

UNICEF lança ferramenta online de inovação com foco na infância

Com o objetivo de reunir inspiração e experiência técnica, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou esta semana o lançamento de um novo site intitulado ‘Inovar para as Crianças’ (Innovate for Children).

A plataforma chama a atenção para os desafios da saúde e da educação enfrentados por crianças de países em desenvolvimento e o potencial inovador da criação de produtos e o uso inventivo da tecnologia para encontrar soluções.



“A inovação e as parcerias em torno da inovação sempre fizeram parte do DNA do UNICEF”, disse Shanelle Hall, Diretora da Divisão de Abastecimento do UNICEF em Copenhague, na Dinamarca. “O site tem como premissa a ideia de que podemos e devemos fazer mais. É uma maneira pela qual o UNICEF está alcançando especialistas, a indústria e instituições de criação e pesquisa para que estes se envolvam.”

“Para a sobrevivência e o desenvolvimento da criança, a inovação é fundamental. Vidas de crianças estão sendo salvas graças a novas vacinas, formulações melhores de medicamentos pediátricos e tecnologias de saúde mais eficazes, como mosquiteiros mais duradouros”, disse Paul Molinaro, que lidera a equipe de inovação do UNICEF.

“Recentemente desenvolvida, uma tecnologia de telefonia móvel de código aberto está permitindo que os profissionais de saúde encurtem consideravelmente o tempo de espera para resultados de pacientes em testes e reduzam o risco de escassez de bens essenciais em clínicas remotas”, disse Paul Molinaro.

Acesse a plataforma: http://www.unicefinnovation.org

Fonte: ONU 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

DPS2000

O DPS2000® é um sistema pioneiro, concebido para possibilitar a passageiros com deficiência o acesso aos serviços de transporte público de forma autônoma e segura.

Transmissor portátil utilizado pelo passageiro

Receptor instalado em cada ônibus

Interface intuitiva de áudio
O próprio passageiro programa em seu transmissor DPS2000® as linhas de ônibus que utiliza com mais frequência, navegando pelos menus de áudio por meio de um botão direcional.

Chamada do ônibus através de ondas de rádio
Uma vez no ponto de ônibus, o usuário escolhe a linha desejada, dentre aquelas programadas anteriormente, e ativa o transmissor. Um sinal de rádio com a solicitação do passageiro passa a ser continuamente transmitido.

Alerta visual e sonoro para o motorista
Quando o ônibus da linha solicitada se aproxima do ponto onde o usuário o aguarda, o receptor DPS2000® detecta o sinal e alerta o motorista de que um passageiro com necessidade especial o aguarda na próxima parada.

Anúncio sonoro da chegada do ônibus
Ao parar no ponto, o alto-falante do DPS2000®, instalado no coletivo, pronuncia repetidamente o número da sua linha, avisando o passageiro de que seu ônibus chegou.

Baixo custo. Implantação rápida. Amplo alcance social.
O DPS2000® é uma solução de acessibilidade moderna e de forte impacto nas políticas de mobilidade urbana e inclusão social.
Fornecido exclusivamente pela Geraes.
O processo de aquisição do sistema DPS2000® dispensa licitação.

Fonte e Videos





 

Inteligência artesanal


 Em tempos de Tecnologia Assistiva cada vez melhor ( e regida por emoção, com certeza) vale à pena ler:

A tecnologia hoje é tão disruptiva que coloca em xeque até a participação humana no processo produtivo. Por isso é melhor você prestar atenção. As notícias dessa revolução não param de aparecer.
O "Wall Street Journal" revelou recentemente que a Ikea, a fabricante de móveis sueca, agora cria seus catálogos de vendas apenas com imagens produzidas digitalmente.

Não usam fotógrafos, móveis de verdade, modelos, luz: só imagens digitais. Todas as imagens são criadas por softwares bem programados e alimentados, que substituíram custosas produções em estúdios.
E não são só os móveis da Ikea que fazem parte dessa nova realidade antes chamada virtual.

A rede global de moda jovem H&M substituiu as modelos de (pouca) carne e osso por modelos digitais ainda mais perfeitas e muito mais fáceis de lidar e de remunerar.

Já uma startup americana, a Narrative Science, criou um software capaz de escrever artigos noticiosos e espirituosos a partir de dados básicos em tempo real, como um relato de um jogo de futebol a partir de sua ficha técnica.

A inteligência humana está fazendo a inteligência artificial avançar do entendimento da linguagem para a formulação da linguagem.

E ao mesmo tempo está criando robôs capazes de fazer tarefas que nosso corpo jamais faria ou faria a um custo financeiro e humano muito maior.

Colocando de uma outra forma, sua cabeça e o seu corpinho estão a caminho de serem superados por uma dupla concorrência brutal: softwares e robôs.
Você só tem uma coisa que eles não têm: alma, emoção, coração, o nome que se queira dar àquilo que de fato nos torna nós.

Mesmo aqueles entre nós que todo dia vão e voltam do trabalho como se tivessem ido a um jogo de futebol zero a zero, sem grandes lances emocionantes, têm uma alma profunda e única.
Quanto mais a usarmos produtiva e criativamente, mais valor traremos para o que fazemos.
Essa revolução tecnológica será destrutiva para quem trabalha como máquina e pensa como máquina já que agora, para isso, já temos as máquinas.

Por isso, a revolução das máquinas deve ser uma grande oportunidade para as pessoas.
Mas o mundo só vai querer lhe ouvir se você tiver algo a dizer. A atitude quente será muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é preciso, mas sem personalidade e atitude você não será muito diferente da união do software com o robô.
Não paute vida e carreira pelo dinheiro. Realize, e o dinheiro será consequência. Como diz aquele imortal slogan da Nike: "Just do it".

Quem pensa muito em dinheiro geralmente não ganha muito dinheiro. Steve Jobs não criou o iPad pensando em dinheiro. O software e o robô são programados para render o máximo de dinheiro. Esse não deve ser o seu caso, porque a concorrência será matadora.

Será então que os robôs e os softwares, ao libertarem as pessoas dos trabalhos mecânicos e braçais, as levarão para posições mais criativas e inteligentes ou elas acabarão na fila dos desempregados?
Essa antiga pergunta segue sem resposta.

O que eu posso dizer é que a melhor maneira de enfrentar as máquinas é não ser uma máquina.
Seja sempre você mesmo, mas também não seja sempre o mesmo. Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se.

Eu sei bem como é isso. Seja o seu próprio programador para que você não seja programado pelos outros. Tenha seu próprio programa para não passar a vida coadjuvando em programas alheios.
Na próxima vez que você olhar no espelho, faça como dizia aquele outro slogan imortal, este da Apple: "Think different".

Pense diferente, olhe à frente e caminhe. Ninguém mais pode fazer essa jornada, nem os robôs e os softwares mais avançados.

Essa é a graça do jogo.

Opor à inteligência artificial a sua inteligência artesanal.

Fonte

terça-feira, 4 de setembro de 2012

CPqD

O CPqD é uma instituição independente, focada na inovação com base nas tecnologias da informação e comunicação (TICs), tendo como objetivo contribuir para a competitividade do País e para a inclusão digital da sociedade. Desenvolve amplo programa de pesquisa e desenvolvimento, o maior da América Latina em sua área de atuação, gerando soluções em TICs que são utilizadas em diversos setores: telecomunicações, financeiro, energia elétrica, industrial, corporativo e administração pública.


Entre suas atividades tem ação inclusiva oferecendo cursos que capacita pessoas com deficiencia e cria novas oportunidades profissionais, com aulas dadas duas vezes por semana com duração de tres horas por dia em sala separada especialmente para atender os requisitos de ergonomia necessarios.

O curso quatorze meses de duraçao, com total de 322 horas de treinamento abordando logica de programação, programação em Java, JavaScript, e HNTL, entre outros assuntos.

Fornece material de datico gratuitamente e transporte da região central de Campinas até suas instalações. Visite o site : CPqD para conhecer mais.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Tecnologia ajuda a criar novos aparelhos para pessoas deficientes

Equipamentos desenvolvidos por pesquisadores independentes em feira de SP tentam atrair indústrias para serem fabricados em larga escala, mas preços elevados ainda tornam mercado inacessível para muitos. 


Quase 46 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, pesquisadores apresentaram as novidades do setor em uma feira em São Paulo.
Tanta simpatia só para os carros de quem tem deficiência. O sensor no chão de um estacionamento reconhece o dispositivo eletrônico instalado no veículo e libera a entrada.Os outros motoristas são denunciados.

“Esta vaga é exclusiva, estacione em outra vaga”, diz a gravação.
“Ninguém gosta de pagar um mico em público. Então na hora ele já vai ser constrangido e vai deixar a vaga aberta”, comenta o empresário Sérgio Yamawaki.

Para o aluno que não vê, a ilustração de uma aula de biologia é substituída pelo tato. No exemplo, a menor parte do corpo humano, a célula. O deficiente visual lê em braile as explicações enquanto com a outra mão sente a forma do que ele não consegue ver nos livros.
Um mouse funciona como um guia para o deficiente visual ler o que está na tela do computador. Quando o cursor se movimenta, automaticamente, letras e números são transformados em pontos no sistema braile, no próprio mouse.
O mouse portátil é conectado ao computador por uma rede sem fio.
“Eu tenho condição de perceber a escrita, a grafia, e isso é fundamental e nos ajuda na preservação do braile, proporciona nossa inclusão”, diz o professor Davi Farias Costa.

Em uma feira de reabilitação, equipamentos desenvolvidos por universidades e pesquisadores independentes tentam atrair indústrias para serem fabricados em larga escala. É só um dos desafios do mercado de produtos para pessoas com deficiência, que continuam inacessíveis para muita gente.

Uma perna mecânica para praticar esportes impressiona, mas custa R$ 15 mil. Uma mão biônica sai por R$ 120 mil. Tem gente que não sai de casa porque não consegue comprar equipamentos bem mais simples.
Cid Torquato tem condições, mas foi buscar na Alemanha uma cadeira computadorizada. Diz que pagou o equivalente a R$ 50 mil, R$ 20 mil a menos do que custa no mercado brasileiro.
“Poucos produtos, caros, tecnologias ultrapassadas. Nós estamos muito defasados com o que está acontecendo no resto do mundo”, revela o advogado.

Preocupada com qualidade, a Associação dos Fabricantes acaba de lançar um selo. Para reduzir o preço, o governo federal zerou os impostos que incidem na venda e na importação, mas os fabricantes querem menos tributos também nas matérias-primas. Dizem que assim, o preço da cadeira de rodas, por exemplo, poderia cair cerca de 30%.

“O custo do produto nacional ainda é elevado para o consumidor em função ainda do custo Brasil”, aponta o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Deficientes (Abridef), Gino Salvador.
De uma tese de mestrado surgiu um triciclo elétrico de baixo custo, um guidão com bateria que se adapta à cadeira de rodas. O maior apelo do equipamento, que ainda é um protótipo, é o raro gostinho de liberdade.

“Cada passo desse é um avanço gigantesco, porque atrás de uma ideia vem outra e outra melhor e abre mais o leque. Enfim, é um avanço, um grande avanço”, conclui o fotógrafo Nivaldo Alves.

Fonte

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Dispositivo para pessoas cegas transforma imagens em sons

O objetivo é auxiliar pessoas cegas a realizar tarefas cotidianas, como compras no supermercado




Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, desenvolveram um novo dispositivo que pode ajudar pessoas com deficiência visual a interagirem com objetos de uma maneira diferente. A invenção é chamada de "EyeMusic" e faz algo bem ousado: escaneia o ambiente e converte as imagens em áudio por meio de um óculos equipado com câmera e fones de ouvido. O objetivo é auxiliar pessoas cegas a realizar tarefas cotidianas, como compras no supermercado.

O site MedGadget explica que o truque para criar um bom dispositivo de substituição sensorial como esse é encontrar uma forma de relacionar imagens e sons que seja fácil de interpretar. O "EyeMusic" faz isso assim: cada cor é representada por um som diferente. Por exemplo, quando a câmera do dispositivo reconhece a cor azul, é produzido o som de uma corneta. Se for reconhecida a cor branca, o que se ouve é um som feito por um vocal. Além disso, quanto mais brilhante um objeto for, mais alto é o som. Aqui você consegue ouvir algumas demonstrações.

A diferença desse dispositivo de substituição sensorial, segundo o estudo publicado no jornal "Restorative Neurology and Neuroscience", é que o "EyeMusic" é um sistema de fácil compreensão para os novos usuários e que pode ajudar na criação de uma interface definitiva para pessoas cegas.

Fonte

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Apresentando o Livox®

O Livox® surgiu da necessidade de um pai (Carlos Edmar Pereira) e de uma mãe (Aline Pereira) de se comunicarem melhor com sua filha (Clara Pereira) deficiente física.
Carlos Pereira tem formação em Análise de Sistemas e reuniu uma equipe formada por Fonoaudiólogas e Terapeutas Ocupacionais para criação daquele que viria a ser o primeiro software de comunicação alternativa para tablets em Português do Mundo: O Livox®!


Recurso para estabelecer comunicação visual com pessoas que apresentam dificuldades para expressão verbal (tablet adaptável) Livox 
Pesquisem     

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Abertura do 4º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação é no dia 15, no Anhembi, às 10h

O evento acontece entre 15 e 17 de agosto. O objetivo deste 4º ano é discutir Deficiência & Desenvolvimento Sustentável



De 15 a 17 de agosto acontece em São Paulo, no Palácio das Convenções Anhembi, a 10ª Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia
para Reabilitação, Prevenção e Inclusão -
REABILITAÇÃO Feira e Fórum.
O evento reunirá a indústria e os profissionais da área para uma grande troca de experiências e formulação de propostas para melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência. Uma importante iniciativa dedicada aos profissionais e empresas que atuam na reabilitação de pessoas com deficiência transitória ou definitiva e idosos.

A solenidade de abertura será no dia 15 de agosto, às 10h, e marca também a abertura dos eventos que integram o FÓRUM de REABILITAÇÃO:
- 4º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação.
- XXIII Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação
- 6º Congresso de Reabilitação Profissional
-  II Seminário Internacional ABOTEC e ISPO-Brasil de Tecnologia em Órteses/Próteses Ortopédicas e Reabilitação
O 4º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação é realizado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, sob a Coordenadoria de Cid Torquato e dos Assessores de Relações Internacionais, Ana Lúcia Segamarchi e Vinicius Delgado Ramos. 

Este ano, o tema é "Deficiência & Desenvolvimento Sustentável", em consonância com a Rio+20, encerrada recentemente. Busca quantificar o universo da deficiência, conhecer seus custos, seu papel e seu valor no contexto social.
"A tecnologia assistiva é fundamental para a reabilitação e inclusão da pessoa com deficiência. Por isso, fomentamos a inovação nesta área e promovemos o 4° Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência", declara a Dra. Linamara Rizzo Battistella, Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.
Composto por Exposição de Inovação em Tecnologias Assistivas e Seminário Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência, com apoio institucional do FORTEC – Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia, o 4º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação visa influenciar os processos de inovação tecnológica para o fomento da pesquisa, desenvolvimento industrial, fabricação, disponibilização e comercialização de produtos e serviços, contemplando, além das pessoas com deficiência, as necessidades de outros segmentos da sociedade, como o idoso, o obeso e a criança, entre outros. A Exposição em Tecnologias Assistivas seleciona e apresenta os melhores projetos de tecnologia assistiva desenvolvidos pelas principais universidades e centros de pesquisa do país.

“A real aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável apresenta-se como um meio de atingir, simultaneamente, as causas e as consequências da discriminação em relação às pessoas com deficiência, eliminando suas raízes e mitigando seus efeitos. A proposta é a adoção de um crescimento sustentado, inclusivo, equitativo e igualitário, centrado nas pessoas e oferecendo oportunidades e benefícios a todos os cidadãos”, complementa a Dra. Linamara.

Programação, inscrições, palestrantes e outras informações sobre o 4º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação:  http://4encontro.sedpcd.sp.gov.br/index.php

Para mais informações sobre o XXIII Congresso Brasileiro de Medicina Fisica e Reabilitação, visite o site www.fisiatria2012.com.br

Para visita à Feira e Forum, solicita-se confirmar presença até 14 de agosto - com Tania Bouéri, e-mail: rsvp@hospitalar.com.br - fone (11) 3897.6166. Acesse: www.reabilitacao.com

terça-feira, 7 de agosto de 2012

2% dos sites da web são acessíveis

A inclusão digital esteve em debate na CIAB Febraban . O secretário Delfino Natal de Souza, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão apresentou as medidas do Governo Federal para melhorias no acesso de deficientes físicos às plataformas digitais.



O e-MAG (Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico), promete que portais e sítios do governo brasileiro estejam de acordo com a lei de acesso à informação (12.527/11), que garante aos deficientes físicos os mesmos direitos que os não-deficientes.

Aos poucos as páginas do Governo Federal estão sendo adaptadas aos portadores de necessidades especiais. Em 2010, em média 98% das páginas não eram acessíveis, em dois anos o percentual diminuiu em 5%, as mudanças são imprescindíveis para a inclusão digital.

Uma pesquisa do W3C — World Wide Web Consortium, apresentada por Karen Myers, líder de desenvolvimento de negócios, mostra que deficientes representam 24% da população brasileira e apenas 2% das páginas da web são acessíveis a esse público.

Para Liliane Vieira Moraes, deficiente visual e Analista em Ciência e Tecnologia do CNPq, muitos portais vendem acessibilidade, mas pecam em detalhes. “Alguns sites incluem imagens sem legendas e opções de “clique aqui” coloridas, sem informação nos botões e isso impossibilita que muitos deficientes visuais tenham acesso completo ao conteúdo. O Brasil ainda melhorar a comunicação em sites e televisão, para isso é necessário aproximação das organizações com a causa”, conclui Liliane.

Para Karen, as nações estão abertas a mudanças e em 2007 uma iniciativa do Comitê Gestor da Internet (CGI) trouxe a W3C para o Brasil e, consequentemente o WCAG, uma ferramenta já adotada por algumas instituições que certifica a acessibilidade de portais. A líder de desenvolvimento de negócios explica que para uma página se tornar inclusiva é preciso ter percepção para entender a necessidade do portador de deficiência, pensar na navegabilidade, ensinar o usuário a preencher dados em formulários e tornar toda forma de conteúdo acessível.

De acordo com Sidinei Rossoni, gerente executivo da Caixa Econômica Federal, o site do banco já possui ferramentas para atender deficientes físicos por meio do site com tecnologia assistiva e de um software que traduz as informações para libras. “Conseguimos adaptar nossos serviços de web para atender os deficientes e cumprir questões de acessibilidade”, garante. A instituição também anunciou que a próxima medida será o lançamento do extrato bancário impresso em braile.

Fonte

quarta-feira, 25 de julho de 2012

No Brasil, 62% dos lares não têm acesso à Internet

Por Ana Paula Lobo
na Convergência Digital


O TIC Domicílios 2011, produzido pelo CETIC.br, comprova que a desigualdade digital reina no Brasil. Apesar de a presença de computadores e do próprio acesso à Internet crescer ano a ano, 55% dos domicílios brasileiros não têm computador e 62% não têm Internet.



Na área rural, esse abismo se grava: chega a 90% os domicílios sem acesso à rede mundial, conforme revela a pesquisa TIC Domícilios 2011, divulgada nesta quinta-feira 31/05. O levantamento constata que a proporção de domicílios com computador passou de 35% para 45%, enquanto a presença da Internet cresceu de 27% para 38%, de 2010 para 2011.

Mas o estudo mostra que esse impulso acontece nas classes mais favorecidas econômicamentes. As classes A, B, e agora parte da classe C, seguem como as maiores consumidoras de tecnologia. Mas a inclusão digital ainda não acontece para as classes D e E, que somam cerca de 74 milhões de brasileiros.
O TIC Domicílios 2011 comprova que se na classe A, o acesso à Internet está em 97% dos lares, nas classes D e E o resultado é desanimador: apenas 5% dos lares dessas classes têm Internet. isso significa que 95% dos lares das classes D e E não têm uso da Internet doméstica.

A desigualdade digital se une à social/econômica. Nas regiões Norte e Nordeste, a Internet ainda é um bem distante da população. De acordo com o TIC Domicílios 2011, dois terços da população dessas região não têm acesso à Internet.

O levantamento do CETIC.br mostra ainda que o Plano Nacional de Banda Larga tem muito por fazer. Isso porque 55% da população brasileira não é usuária da Internet ou não utilizaram a Rede Mundial nos últimos três meses. Para realizar o TIC Domicílios 2011, o CETIC.br realizou entrevistas presenciais em 25 mil domicílios no Brasil,incluindo áreas rurais.

Fonte

terça-feira, 10 de julho de 2012

Aplicativo para celular guia deficientes visuais por voz

Qualquer pessoa que possua o aplicativo pode enviar e receber informações sobre determinadas localidades, que são transmitidas na forma de áudio.[Imagem: Igor de Carvalho Maia/USP Imagens]


Guia vocal
Pesquisadores da USP desenvolveram um aplicativo para celulares que ajuda deficientes visuais locomoverem-se pela cidade.
O Smart Audio City Guide - guia auditivo inteligente para cidade, em tradução livre - rendeu aos estudantes Renata Claro, Gabriel Reganati e Thiago Silva, o terceiro lugar na Imagine Cup, um concurso de inovação promovido pela Microsoft.
O aplicativo utiliza informações geolocalizadas e GPS, sendo alimentado por informações de qualquer usuário da rede, de maneira colaborativa.

Interação por voz
Qualquer pessoa que possua o aplicativo poderá enviar e receber informações sobre determinadas localidades, que são transmitidas na forma de áudio.
Por exemplo, pode-se enviar a informação "aqui há um orelhão" para o sistema, que registra automaticamente a localidade.
Na próxima vez que um usuário do aplicativo estiver passando pelo mesmo local, ele recebe a informação enviada anteriormente.
O usuário também pode receber as informações ao tocar a tela do aparelho em qualquer ponto.

Servidor melhor
O aplicativo será gratuito para os usuários, que só precisarão baixá-lo em seu aparelho.
Por causa da competição, promovida pela Microsoft, o Smart Audio City Guide foi desenvolvido para Windows Phone, mas está sendo aperfeiçoado para ficar mais acessível e para que seja disponibilizado em outros aparelhos.
Os estudantes planejam disponibilizar o aplicativo para download gratuito até o final do ano - eles dependem de um melhor servidor para gerenciar as informações, uma vez que o equipamento atual suportaria apenas um número limitado de usuários.

Fonte

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Projeto quer adaptações para deficientes

Luiza Cazetta

Justiça dá prazo de 120 dias para Anatel fazer adaptações nos aparelhos para suprir barreiras existentes de uso

"Nunca consegui fazer ligação no celular. Eu só sabia atender", afirma Benedito Flávio de Oliveira, 48 anos. Por ser deficiente visual, a dificuldade de Benedito era localizar as teclas no aparelho móvel. Foi pensando nesses percalços que a 17ª Vara Federal Cível de São Paulo concedeu liminar em ação civil pública proposta no dia 16 de maio pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo e determinou que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), no prazo de 120 dias, elabore "projeto contemplando as adaptações normativas que suprimam as barreiras existentes" para o uso de celulares por pessoas com deficiência visual.

O casal Benedito Flávio de Oliveira e Eva Aparecida de Aguiar, ambos deficientes visuais, aprovou a nova tecnologia de voz

A regulamentação deverá estabelecer normas para que sejam oferecidos no mercado aparelhos que indiquem, de forma sonora, quais as operações e funções estão sendo clicadas pelo usuário cego ou com visão reduzida.

A medida foi aprovada por Benedito, que há dois meses ganhou do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), de Campinas, um smartphone que obedece ao comando de voz. "Facilita muito, porque tudo o que a gente procura o celular 'fala', como fazer chamada ou mensagem. Tem o som para identificar", explica.

HISTÓRICO
Em maio de 2011, após receber reclamações que indicavam as dificuldades na aquisição de celulares acessíveis aos deficientes visuais, a PRDC (Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão) solicitou esclarecimentos à Anatel e foi informada que diversos aparelhos já possuíam facilidades que propiciavam a interação por intermédio da fala. Na época, a Agência enviou ao MPF (Ministério Público Federal) uma relação de aparelhos que possuem o software "leitor de mensagens".

Da lista fornecida pela Anatel apenas alguns modelos foram encontrados no mercado nacional, sendo a maioria com tela sensível ao toque, o que torna sua navegação praticamente impossível aos deficientes visuais. "O software 'leitor de mensagens' que acompanha esses aparelhos opera apenas nos idiomas inglês e finlandês", informa a ação.

Pai cria aplicativo para dar 'voz' à filha

Garota, que sofre de paralisia cerebral, tinha dificuldades para se comunicar
Com um simples toque da criança na tela, tablet 'expressa' as suas necessidades e os seus sentimentos

LUISA PESSOA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A família estava na sala de espera de uma clínica de fisioterapia nos EUA para a pequena Clara, então com dois anos, realizar um tratamento médico, quando foi surpreendida. Um garotinho ao lado se comunicava descontraidamente com seus pais.



Seria algo comum se o menino não tivesse paralisia cerebral e não estivesse fazendo isso com um tablet.
"Fiquei encantado", lembra Carlos Pereira, 33, pai de Clara, 4. "Principalmente porque a paralisia cerebral dele era muito mais grave do que a de minha filha."

O garoto usava um aplicativo que funciona como uma prancha tradicional de comunicação alternativa -normalmente feita em papel. Ou seja, apresenta imagens que se referem ao que a pessoa deseja comunicar. Copo com água, por exemplo, pode significar "sede", vaso sanitário, "vontade de ir ao banheiro".
Se tradicionalmente a pessoa deve apontar para a imagem e outra observa para entender o que está sendo expressado, com esse aplicativo uma voz eletrônica "fala" conforme você toca na imagem: "Estou com sede"; "Por favor, quero ir ao banheiro".

No ano passado, Clara começou a demonstrar frustação por não conseguir se comunicar plenamente com os pais. Pereira se lembrou do que tinha visto nos EUA.

LIBERDADE EM VOZ ALTA

Os tablets começavam a se popularizar no Brasil. Ele pensou: "Aquele sistema de comunicação pode ajudar a minha filha". Pereira procurou as empresas que haviam desenvolvido aqueles programas. Perguntou, sem sucesso, se havia interesse em fazer uma versão em português.

Analista de sistemas, ele nunca tinha desenvolvido nada para tablets. Mesmo assim, resolveu encarar o desafio. Ele mesmo criaria para a filha algo muito parecido com o que tinha visto lá fora.
Durante meses, fez dupla jornada. Lembra que ficou emocionado quando descobriu que Clara sabia o seu nome e o de sua mulher, Aline. Mais: passou a fazer suas escolhas por meio do tablet.
Pereira levou o projeto para fonoaudiólogas e terapeutas ocupacionais, para que esses profissionais o ajudassem a "turbinar" o aplicativo.

Já tinha nome: Livox, palavra que, para ele, resume a ideia de "liberdade em voz alta". Ao ver a alegria da filha com a possibilidade de comunicação, Pereira decidiu disponibilizar o serviço. É preciso, porém, ajustá-lo às necessidades motoras de cada um. "É um recurso médico, não uma brincadeira", avisa.
Workshops sobre o uso do Livox já estão sendo organizados pelo país.


Do caderno cotidiano da Folha de São Paulo Junho de 2012.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Cientistas fazem ratos paralíticos voltarem a andar

Técnica envolve o estímulo elétrico da medula espinhal e a recuperação com a ajuda de um suporte. Animais voltaram a caminhar em até três semanas
Cientistas europeus anunciaram nesta quinta-feira ( 31-05) que conseguiram fazer com que ratos paralisados voltassem a andar. O tratamento combina estímulo da medula espinhal e um suporte robótico. O estudo, realizado por pesquisadores da Suíça, foi publicado na revistaScience.
Os animais voltaram a andar depois de receberem estímulo elétrico na espinha e passaram por um processo de recuperação com a ajuda de um suporte  (Reprodução)
Muitos cientistas trabalham em tratamentos para ajudar pessoas que sofreram lesões na medula espinhal a recobrarem os movimentos. O novo estudo mostra como uma dessas abordagens pode funcionar. A chave do sucesso da terapia foi conseguir fazer com que os ratos participassem da própria reabilitação. Após o tratamento, os animais demonstraram um aumento quatro vezes superior nas conexões entre o cérebro e a medula espinhal.
Conexões reativadas — O tratamento combina estímulo eletroquímico da medula espinhal, imitando os sinais que o cérebro normalmente envia para movimentar dos membros, e um equipamento de reabilitação que ajuda os ratos a se levantarem. A armadura robótica dá estabilidade aos movimentos, evitando que o animal caia. Com ela, os roedores conseguiram se mover em duas patas.
“No começo, o animal se esforça e é muito difícil. Então, o rato consegue dar o primeiro passo e fica surpreso. Ele olha para você como se estivesse pensando: ‘Uau, eu andei!’”, disse Gregoire Courtine, autor do estudo e diretor do departamento de tratamento de lesões na medula espinhal da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça.

Prêmio de chocolate —  Para estimular os ratinhos, os cientistas ofereciam uma recompensa de chocolate. Após duas ou três semanas, à medida que suas habilidades aumentaram, os animais tornaram-se capazes de, voluntariamente, subir escadas, desviar de obstáculos e até mesmo correr. “Tivemos um percentual muito elevado de sucesso com estes animais. Sempre observamos, em todos os animais que tratamos, a recuperação do movimento voluntário”, disse Courtine, acrescentando que mais de 100 ratos de laboratório foram testados.
Um tratamento similar foi testado em um americano de 20 anos chamado Rob Summers, que ficou paralisado da cintura para baixo em um acidente de carro e cujos progressos foram tema de um artigo publicado em 2011 no periódico médico britânico The Lancet. O estudo de caso forneceu a primeira prova de que estes tratamentos podem ajudar a restaurar o movimento voluntário em humanos.

Mais testes — Em entrevista à Associated Press, John McDonald, diretor do Centro Internacional de Lesão da Medula Espinhal do Instituto Kennedy Krieger, em Baltimore, nos Estados Unidos, observou que a lesão nos ratinhos do experimento suíço é diferente daquela que normalmente é vista em humanos. “Será preciso fazer mais estudos envolvendo lesões típicas de humanos”, disse. Courtine disse que espera começar os testes em humanos usando a técnica de sua equipe nos próximos dois anos.

Na fonte, podemos ver o video (traduzido) onde o cientista responsável explica o procedimento.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cirurgia experimental restaura funções da mão de tetraplégico

DA FRANCE PRESSE


Cirurgiões americanos usaram uma nova operação, apelidada de transferência de nervos, para restaurar parte das funções motoras da mão de um homem paralisado por lesões no pescoço.

A cirurgia experimental está descrita em estudo na revista científica "Journal of Neurosurgery". Os médicos uniram um nervo da mão, responsável pelo movimento de pinça do indicador e do polegar (o qual estava "desativado") a um nervo ativo que o paciente usava para dobrar o seu cotovelo.

Depois de muitos meses de intensa fisioterapia, o homem de 71 anos (que tinha ficado paralisado da cintura para baixo e perdera os movimentos das mãos num acidente)consegue se alimentar sozinho e até escrever.

"Não é uma cirurgia especialmente cara ou muito complexa", diz Susan Mackinnon, principal autora da pesquisa. "Não é a mesma coisa que um transplante de face ou de mão. É algo que gostaríamos que outros cirurgiões país afora fizessem", diz Mackinnon, da Escola de Medicina da Universidade Washington em Saint Louis (Estados Unidos).

A lesão afetou a última vértebra do pescoço do paciente, a chamada C7.

'SEMITETRAPLÉGICO'

Pacientes com lesões na C7 ou na C6 não conseguem movimentar as mãos e são considerados tetraplégicos, embora muitas vezes consigam mexer ombros, cotovelos e pulsos porque os nervos desses locais se ligam à medula espinhal acima da lesão.

Para pessoas que receberam ferimentos em pontos mais altos do pescoço, esse tipo de cirurgia provavelmente não teria sucesso em restaurar as funções da mão.

"Esse procedimento é incomum no tratamento da tetraplegia porque nós não tentamos voltar para a medula espinhal, onde aconteceu a lesão", diz Ida Fox, coautora da pesquisa americana.

Para Lewis Lane, cirurgião do North Shore University Hospital, em Nova York, o caso "traz esperanças de que alguns indivíduos com esse tipo de lesão, em circunstâncias propícias, também possam se beneficiar de tratamentos semelhantes".

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2012/05/16/cirurgia-experimental-restaura-funcoes-da-mao-de-tetraplegico.jhtm

terça-feira, 22 de maio de 2012

Técnica consiste na ligação entre os nervos do paciente para criar uma nova rota de comunicação entre o cérebro e a mão

Uma cirurgia pioneira desenvolvida por médicos da Washington University School of Medicine, nos Estados Unidos, conseguiu recuperar os movimentos das mãos de um tetraplégico.
A técnica revolucionária, chamada de transferência de nervos, reverte os danos da coluna vertebral.

O paciente de 71 anos, que ficou tetraplégico após um acidente de carro em 2008, teve medula espinhal danificada na base do pescoço, na vértebra ‘ C7′ , e se tornou incapaz de andar.
Enquanto ainda podia mover os braços, ele perdeu a capacidade de comprimir ou apertar com uma das mãos. Toda a comunicação entre o cérebro e a mão foi perdida.

Após a cirurgia e fisioterapia intensiva, o paciente recuperou algumas funções da mão, especificamente a capacidade de dobrar o polegar e o dedo indicador. Ele agora pode se alimentar sozinho e escrever com a ajuda.

O estudo de caso, publicado no Journal of Neurosurgery, é, segundo os autores, o primeiro caso relatado do uso de transferência de nervo para restaurar a capacidade de flexionar o polegar e o dedo indicador, após uma lesão medular.

De acordo com a equipe, a técnica tem potencial para ajudar pacientes com danos nas vértebras C6 e C7.
“Este procedimento não é usual para o tratamento de tetraplegia, porque não tenta restaurar a medula espinhal, onde a lesão está. Em vez disso, nós nos focamos em áreas onde sabemos que os nervos funcionam para redirecionar nervos nessa área e redirecioná-los a restaurar a função da mão”, explica a cirurgiã Ida K. Fox.



Como funciona
Os nervos da mão não foram danificados, eles perderam o sinal enviado pelo cérebro, que lhes diz o que fazer.
No entanto, o cérebro ainda podia dar instruções ao braço.
A nova técnica, aplicada no Barnes-Jewish Hospital, consiste na religação dos nervos do paciente a fim de criar uma nova rota de comunicação entre o cérebro e o membro danificado redirecionando nervos ativos na parte superior dos braços.
Segundo Fox, essa é uma forma “muito nova” de restaurar o movimento. No entanto, ela adverte que a técnica não tem potencial para restaurar a função normal.
A equipe ressalta que a cirurgia não é um milagre que acontece do dia para a noite. É preciso treinamento intensivo para recuperar o controle da mão. Nervos que costumavam dobrar o cotovelo estão agora fazendo movimentos de beliscar.
Depois de oito meses, o paciente tratado foi capaz de mover o dedo indicador e o polegar, conseguindo se alimentar e ‘ escrever’ .
Com mais de fisioterapia, os médicos esperam que seu movimento continue a melhorar.

Ministério Público cobra da Anatel regras para celulares acessíveis a deficientes visuais

Liminar dá prazo de 4 meses e foi concedida em ação civil pública proposta pelo MPF; multa é de R$ 5 mil por dia em caso de descumprimento
Thales Brandão CidadeMarketing

17ª Vara Federal Cível de São Paulo concedeu ontem,17 de maio, liminar em ação civil pública proposta no último dia 16 pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo e determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), no prazo de 120 dias, elabore "projeto contemplando as adaptações normativas que suprimam as barreiras existentes" para o uso de celulares por pessoas com deficiência visual.  A regulamentação deverá estabelecer normas para que sejam oferecidos no mercado aparelhos que indiquem, de forma sonora, quais as operações e funções estão sendo clicadas pelo usuário cego ou com visão reduzida.

A decisão é da juíza federal Adriana Pileggi de Soveral e atende parcialmente os pedidos do MPF. Na ação, o procurador regional dos Direitos do Cidadão Jefferson Aparecido Dias requereu também que, após a apresentação do projeto, fosse determinado à Anatel outros 120 dias para a sua implementação. A juíza, entretanto, negou esse pedido, alegando que o apreciará após a apresentação do projeto pela Anatel, em virtude da "complexidade" das eventuais medidas.  Em maio de 2011, após receber reclamações que indicavam as dificuldades na aquisição de celulares acessíveis aos deficientes visuais, a PRDC solicitou esclarecimentos à Anatel e foi informada que muitos aparelhos já possuem facilidades que propiciam a interação por intermédio da fala. Na oportunidade a Agência enviou ao Ministério Público Federal uma relação de aparelhos que possuem o software "leitor de mensagens".

Da lista fornecida pela Anatel, apenas alguns modelos foram encontrados no mercado nacional, a maioria com tela sensível ao toque, o que torna sua navegação praticamente impossível aos deficientes visuais. "O software 'leitor de mensagens' que acompanha esses aparelhos opera apenas nos idiomas inglês e finlandês", informa a ação.  A PRDC também consultou a Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (Laramara). A instituição analisou o software 'leitor de mensagens' e concluiu que ele não atende as necessidades das pessoas com deficiência visual, já que não possui recursos que indiquem de forma sonora todas operações disponíveis no visor. Para obter tal acesso, segundo a associação, o deficiente visual teria que adquirir o software "talks", que custa aproximadamente R$ 700,00 e instalá-lo em aparelhos compatíveis.

Diante das dificuldades, o MPF recomendou à Anatel, ainda em 2011, que regulamentasse, no prazo de 90 dias, os requisitos para certificação de aparelhos sonoros, visando o atendimento às condições de acessibilidade.  Em resposta, a Anatel informou que as regras formuladas pela sua Gerência de Certificação e Engenharia de Espectro se dirigem somente à indústria de equipamentos de telecomunicações, para que a produção atenda a quesitos de segurança, neutralidade de redes e respeito à vida do consumidor. A agência também enviou uma compilação de normas em vigor que garantiriam a acessibilidade dos deficientes.  Para Dias a resposta não atendeu à recomendação. Ele considera que a Anatel "tem obrigação legal de proceder à regulamentação" e que está sendo "omissa no tocante ao pleno gozo dos direitos fundamentais das pessoas com deficiência".

"A ação foi necessária como única forma de exigir da Anatel a acessibilidade ampla e irrestrita das pessoas com deficiência visual aos serviços de telefonia móvel pessoal, já que a agência não cumpriu seu papel regulador", explicou o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, autor da ação.

Direitos - Na ação, o procurador cita normas internacionais - como a Convenção Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência e a Convenção Interarmericana para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas com Deficiência - e normas nacionais, como a Lei 10/098/00 e o decreto 5.296/04, que garantem os direitos das pessoas com deficiência visual à todas as formas de comunicação.  "Se existem os preceitos legais, por que continuam a ser violados?", questiona o procurador. "Por falta de vontade política para cumprir tais preceitos, flagrantemente desrespeitados", argumenta.

Dias argumentou que para a maioria dos usuários de telefone celular as condições de acessibilidade podem parecer irrelevantes, mas "representam limites intransponíveis para o exercício dos direitos de uma parcela da população que sofre com a deficiência visual".
ACP nº 0008640-83.2012.4.03.6100
Para ler a íntegra da decisão judicial, clique aqui.
Para ler a íntegra da ação, clique aqui.

Fonte: http://www.cidademarketing.com.br/2009/n/10837/ministrio-pblico-cobra-da-anatel-regras-para-celulares-acessveis-a-deficientes-visuais.html

Oferecemos arquivo de textos específicos, de documentos, leis, informativos, notícias, cursos de nossa região (Americana), além de publicarmos entrevistas feitas para sensibilizar e divulgar suas ações eficientes em sua realidade. Também disponibilizamos os textos pesquisados para informar/prevenir sobre crescente qualidade de vida. Buscamos evidenciar assim pessoas que podem ser eficientes, mesmo que diferentes ou com algum tipo de mobilidade reduzida e/ou deficiência, procurando informar cada vez mais todos para incluírem todos.