Jovem tem fala e movimentos prejudicados. Recém-formada, menina começou a escrever seu primeiro livro.
Com os pés a jovem Priscila Vieira escreve as palavras que representam a superação que passou. Vítima de paralisia cerebral ao nascer, Priscila conseguiu conquistar o sonho de se formar na faculdade de Administração aos 28 anos. Com a fala e os movimentos prejudicados, a jovem comoveu a família por meio das lutas e dificuldades vencidas.
“Foi o dia mais feliz do mundo. Eu e ela gritamos e comemoramos muito. Vê-la se formando foi maravilhoso”, afirmou a mãe, Placilda Barcelos Vieira. Maravilhado com a conquista, Benedito Vieira, pai de Priscila, confessou ceticismo no início. “Eu realmente não acreditava que ela fosse chegar aonde chegou”, disse.
Em frente a um computador, a nova administradora transcreve os momentos vividos e compõe seu primeiro livro. De acordo com a jovem, a paixão pela escrita se uniu à vontade de se tornar exemplo de determinação e amor à vida e resultou na concretização desse sonho. “Eu sempre quis ser alguém, era o meu sonho”, contou.
Apaixonada por praia, Priscila conta que foi nas areias do litoral que escreveu a primeira palavra com os pés. “Eu escrevi meu nome”, comemorou. A administradora já escreveu seu primeiro poema:
“Se você tem um sonho e pretende realizar Tenha fé, tenha esperança Que Deus irá te ajudar Lute e acredite que você é capaz Pois o tempo passa E as oportunidades não voltam jamais Para uma sonho se realizar é preciso ter esperança e coragem para lutar .
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Terapia polêmica usa vitamina D em doses altas contra esclerose múltipla
DÉBORA MISMETTIEDITORA-ASSISTENTE DE "CIÊNCIA+SAÚDE
Há quase três anos o paulistano Daniel Cunha, 26, acordou com metade de seu rosto dormente. Foi trabalhar, voltou para casa e achou que a sensação ia passar. Não só não passou como piorou.
Foi ao hospital, fez exames e, depois de algumas consultas, recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla. O mal é autoimune, causado pelo ataque ao revestimento dos neurônios pelo sistema imunológico da própria pessoa.
Desde 2010, Cunha abandonou o tratamento convencional, com injeções de interferon, remédio que controla a ação inflamatória da esclerose, mas causa efeitos colaterais como febre e mal-estar.
Ele passou a tomar todo dia uma dose alta de vitamina D, prescrita pelo neurologista Cícero Galli Coimbra, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). O tratamento não é reconhecido pela maioria dos especialistas, que o consideram experimental.
Isso não impediu Cunha de usar a vitamina. Ele ficou tão satisfeito que realizou, com meios próprios e ajuda de amigos, um documentário de 30 minutos, disponível desde abril no YouTube (youtube.com/watch?v=erAgu1XcY-U), sobre a terapia.
No vídeo, com 18 mil acessos, pacientes de Coimbra falam sobre a vida antes e depois do novo tratamento, e o médico explica a relação entre a vitamina D e a doença.
HORMÔNIO
Produzida pelo corpo quando a pele fica exposta ao sol, a vitamina D na verdade é um hormônio, apesar de manter o nome consagrado.
É consenso há muito tempo que ela tem papel importante na mineralização dos ossos. "Experimentos vêm mostrando que ele age em vários outros tecidos, especialmente no sistema imunológico", afirma a endocrinologista Marise Castro.
No caso da esclerose múltipla, pesquisas mostram que a prevalência da doença é mais alta em países distantes da linha do Equador, com incidência solar mais baixa, onde a população produz menos vitamina D.
Segundo Coimbra, a suplementação com o hormônio vem sendo testada desde os anos 1980 para reduzir os surtos de esclerose, períodos em que a doença pode deixar sequelas. Para ele, já há evidência suficiente de que as pessoas com a moléstia têm deficiência da vitamina.
"Desde 2003 venho cumprindo o dever ético de corrigir o problema metabólico desses pacientes. Todo médico tem a obrigação de fazer isso", afirma o neurologista.
Até hoje, diz Coimbra, quase 900 pacientes com esclerose múltipla foram tratados. A maioria usa de 30 mil a 70 mil UI de vitamina D ao dia, mas alguns tomam 200 mil.
A dose ideal para a suplementação ainda é motivo de debate. Segundo Marise Castro, a quantidade usual é de 400 a 2.000 UI.
Mas, segundo Coimbra, essas doses não são realistas. "As pessoas com esclerose têm uma resistência genética à vitamina e precisam de doses mais altas."
Os pacientes dele seguem uma dieta sem laticínios e fazem exames periódicos para controlar os níveis de cálcio na urina e no sangue. A vitamina D tem relação com o cálcio, e as doses altas podem causar cálculos renais.
"A intoxicação por vitamina D pode ser grave e leva meses para curar, porque ela se deposita no tecido adiposo", diz a endocrinologista.
Coimbra rebate, citando um estudo que acompanhou pacientes com esclerose tomando vitamina D por sete meses, em doses crescentes, até chegar a 40 mil UI por dia
Para Maria Fernanda Mendes, membro-titular da Academia Brasileira de Neurologia, não há provas suficientes para receitar a terapia.
"Temos feito exames para dosar a vitamina e repô-la em caso de deficiência, até por conta da demanda dos pacientes, mas não é a recomendação oficial. Como há um tratamento comprovadamente melhor, esse só pode ser usado em pesquisas."
Coimbra diz que não concorda com a realização de estudos controlados em que parte dos pacientes recebam a vitamina e parte, placebo.
"Alguém já fez estudo controlado sobre usar insulina para crianças diabéticas? Não, porque elas iam morrer. Se você tivesse uma filha com esclerose múltipla, que poderia ficar cega em um surto, correria o risco do placebo?"
Coimbra afirma que a relutância dos médicos em aceitar o tratamento vem dos conflitos de interesse com as farmacêuticas. "Há um interesse fabuloso no tratamento tradicional, que custa até R$ 11 mil por paciente por mês."
O conflito de interesses foi um dos motivos que levou Daniel Cunha a fazer o documentário. "O tratamento com vitamina D me custa R$ 50 por mês. É a minha saúde, não é um leilão. Não me interessa se alguém vai ganhar dinheiro com isso. As pesquisas que todo mundo pede nunca vão sair, quem pagaria isso se não as farmacêuticas? Mas as pessoas não precisam ser reféns. A internet é nossa arma."
Fonte
Há quase três anos o paulistano Daniel Cunha, 26, acordou com metade de seu rosto dormente. Foi trabalhar, voltou para casa e achou que a sensação ia passar. Não só não passou como piorou.
Foi ao hospital, fez exames e, depois de algumas consultas, recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla. O mal é autoimune, causado pelo ataque ao revestimento dos neurônios pelo sistema imunológico da própria pessoa.
Desde 2010, Cunha abandonou o tratamento convencional, com injeções de interferon, remédio que controla a ação inflamatória da esclerose, mas causa efeitos colaterais como febre e mal-estar.
Ele passou a tomar todo dia uma dose alta de vitamina D, prescrita pelo neurologista Cícero Galli Coimbra, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). O tratamento não é reconhecido pela maioria dos especialistas, que o consideram experimental.
Isso não impediu Cunha de usar a vitamina. Ele ficou tão satisfeito que realizou, com meios próprios e ajuda de amigos, um documentário de 30 minutos, disponível desde abril no YouTube (youtube.com/watch?v=erAgu1XcY-U), sobre a terapia.
No vídeo, com 18 mil acessos, pacientes de Coimbra falam sobre a vida antes e depois do novo tratamento, e o médico explica a relação entre a vitamina D e a doença.
Daniel Cunha, 26, autor de documentário sobre esclerose
Produzida pelo corpo quando a pele fica exposta ao sol, a vitamina D na verdade é um hormônio, apesar de manter o nome consagrado.
É consenso há muito tempo que ela tem papel importante na mineralização dos ossos. "Experimentos vêm mostrando que ele age em vários outros tecidos, especialmente no sistema imunológico", afirma a endocrinologista Marise Castro.
No caso da esclerose múltipla, pesquisas mostram que a prevalência da doença é mais alta em países distantes da linha do Equador, com incidência solar mais baixa, onde a população produz menos vitamina D.
Segundo Coimbra, a suplementação com o hormônio vem sendo testada desde os anos 1980 para reduzir os surtos de esclerose, períodos em que a doença pode deixar sequelas. Para ele, já há evidência suficiente de que as pessoas com a moléstia têm deficiência da vitamina.
"Desde 2003 venho cumprindo o dever ético de corrigir o problema metabólico desses pacientes. Todo médico tem a obrigação de fazer isso", afirma o neurologista.
Até hoje, diz Coimbra, quase 900 pacientes com esclerose múltipla foram tratados. A maioria usa de 30 mil a 70 mil UI de vitamina D ao dia, mas alguns tomam 200 mil.
A dose ideal para a suplementação ainda é motivo de debate. Segundo Marise Castro, a quantidade usual é de 400 a 2.000 UI.
Mas, segundo Coimbra, essas doses não são realistas. "As pessoas com esclerose têm uma resistência genética à vitamina e precisam de doses mais altas."
Os pacientes dele seguem uma dieta sem laticínios e fazem exames periódicos para controlar os níveis de cálcio na urina e no sangue. A vitamina D tem relação com o cálcio, e as doses altas podem causar cálculos renais.
"A intoxicação por vitamina D pode ser grave e leva meses para curar, porque ela se deposita no tecido adiposo", diz a endocrinologista.
Coimbra rebate, citando um estudo que acompanhou pacientes com esclerose tomando vitamina D por sete meses, em doses crescentes, até chegar a 40 mil UI por dia
"Temos feito exames para dosar a vitamina e repô-la em caso de deficiência, até por conta da demanda dos pacientes, mas não é a recomendação oficial. Como há um tratamento comprovadamente melhor, esse só pode ser usado em pesquisas."
Coimbra diz que não concorda com a realização de estudos controlados em que parte dos pacientes recebam a vitamina e parte, placebo.
"Alguém já fez estudo controlado sobre usar insulina para crianças diabéticas? Não, porque elas iam morrer. Se você tivesse uma filha com esclerose múltipla, que poderia ficar cega em um surto, correria o risco do placebo?"
Coimbra afirma que a relutância dos médicos em aceitar o tratamento vem dos conflitos de interesse com as farmacêuticas. "Há um interesse fabuloso no tratamento tradicional, que custa até R$ 11 mil por paciente por mês."
O conflito de interesses foi um dos motivos que levou Daniel Cunha a fazer o documentário. "O tratamento com vitamina D me custa R$ 50 por mês. É a minha saúde, não é um leilão. Não me interessa se alguém vai ganhar dinheiro com isso. As pesquisas que todo mundo pede nunca vão sair, quem pagaria isso se não as farmacêuticas? Mas as pessoas não precisam ser reféns. A internet é nossa arma."
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terça-feira, 22 de maio de 2012
Técnica consiste na ligação entre os nervos do paciente para criar uma nova rota de comunicação entre o cérebro e a mão
Uma cirurgia pioneira desenvolvida por médicos da Washington University School of Medicine, nos Estados Unidos, conseguiu recuperar os movimentos das mãos de um tetraplégico.
A técnica revolucionária, chamada de transferência de nervos, reverte os danos da coluna vertebral.
O paciente de 71 anos, que ficou tetraplégico após um acidente de carro em 2008, teve medula espinhal danificada na base do pescoço, na vértebra ‘ C7′ , e se tornou incapaz de andar.
Enquanto ainda podia mover os braços, ele perdeu a capacidade de comprimir ou apertar com uma das mãos. Toda a comunicação entre o cérebro e a mão foi perdida.
Após a cirurgia e fisioterapia intensiva, o paciente recuperou algumas funções da mão, especificamente a capacidade de dobrar o polegar e o dedo indicador. Ele agora pode se alimentar sozinho e escrever com a ajuda.
O estudo de caso, publicado no Journal of Neurosurgery, é, segundo os autores, o primeiro caso relatado do uso de transferência de nervo para restaurar a capacidade de flexionar o polegar e o dedo indicador, após uma lesão medular.
De acordo com a equipe, a técnica tem potencial para ajudar pacientes com danos nas vértebras C6 e C7.
“Este procedimento não é usual para o tratamento de tetraplegia, porque não tenta restaurar a medula espinhal, onde a lesão está. Em vez disso, nós nos focamos em áreas onde sabemos que os nervos funcionam para redirecionar nervos nessa área e redirecioná-los a restaurar a função da mão”, explica a cirurgiã Ida K. Fox.
Como funciona
Os nervos da mão não foram danificados, eles perderam o sinal enviado pelo cérebro, que lhes diz o que fazer.
No entanto, o cérebro ainda podia dar instruções ao braço.
A nova técnica, aplicada no Barnes-Jewish Hospital, consiste na religação dos nervos do paciente a fim de criar uma nova rota de comunicação entre o cérebro e o membro danificado redirecionando nervos ativos na parte superior dos braços.
Segundo Fox, essa é uma forma “muito nova” de restaurar o movimento. No entanto, ela adverte que a técnica não tem potencial para restaurar a função normal.
A equipe ressalta que a cirurgia não é um milagre que acontece do dia para a noite. É preciso treinamento intensivo para recuperar o controle da mão. Nervos que costumavam dobrar o cotovelo estão agora fazendo movimentos de beliscar.
Depois de oito meses, o paciente tratado foi capaz de mover o dedo indicador e o polegar, conseguindo se alimentar e ‘ escrever’ .
Com mais de fisioterapia, os médicos esperam que seu movimento continue a melhorar.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
UM “PRESTA-ATENÇÃO!” PARA TODOS NÓS - Precisamos estar democraticamente atentos sempre para criar condições de inclusão verdadeira.
A educação nos ensina a defender os direitos individuais. Pode também se bem orientada, defender legítimos interesses de grupos – como faz quando inclui criança com deficiência na escola de todos, aumentando a familiaridade e a convivência, reduzindo o preconceito e ensinando a todo grupo o que é tratamento equitativo. Esta postura trabalha contra idéias erradas como a deficiência ser resultado de punição divina ou má sorte, e contra formas erradas de contato das pessoas (com rótulos, piadinhas, apelidos humilhantes, isolamento social e até injúria física). É clima social que trabalha contra o crédito que devemos conceder ao potencial da pessoa com deficiência. Nestes tempos atuais de violência social muitas vezes gratuita e inútil, seria postura social boa para todos nós. Em 2009 a Nova Zelândia resolveu trabalhar a questão de criança com deficiência incluída na escola, e conjugou vários ministérios, providenciando e disponibilizando publicações sobre estas crianças, lembrando as escolas de suas responsabilidades legais, reorganizando as informações oferecidas aos familiares destas crianças e realimentou todo o processo com fluxo para registro de possíveis queixas e falhas. Além deste tipo de alerta social precisamos continuar o trabalho criando mecanismos em constante atualização que nos informem quantas crianças tem que ser atendidas, e quais as suas necessidades. Isto precisa alcançar até as crianças que por razões sociais, de desconhecimento de direitos, ou razões econômicas nem chegam a requisitar vaga na escola. A comunidade precisa chegar a elas. Nosso país já começou esta democrática ação inclusiva com o BPC (Benefício de Prestação Continuada) na escola. Em paralelo é preciso construir flexibilidades dentro do currículo escolar, permitindo aprendizagem em diferentes abordagens, para diferentes necessidades individuais. É preciso fornecer treinamento específico para professores (e consultoria quando necessário) para que sintam segurança em seu trabalho. Transporte acessível é imprescindível para estas crianças, freqüentemente muito necessitadas dele (pobreza gera deficiência e deficiência gera pobreza). Seria oportuna “mídia do bem” – encorajando adultos com deficiência e organizações da área a participar de campanhas de apoio ao acesso escolar inclusivo. E o requinte final aconteceria se criássemos forma para consulta e envolvimento destas crianças à respeito de sua própria educação.
“Oportunidade dança com aqueles que já estão no salão.” – Jackson Brown.
Texto baseado em estudo do capítulo 7 (Educação), do documento “World Report. on Disability”, OMS, 2011. Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência, colaboradora de “O LIBERAL”
quinta-feira, 19 de abril de 2012
"ALÉM DO CENSO" - O artigo mostra como para esta população é muito mais crucial montar pesquisa posterior ao censo tentando estruturar atendimento.
Quando pensamos em saber quantas pessoas com deficiência temos no país, a tarefa não é simples. Saber que em determinada rua temos pessoa com determinada deficiência, também não é o suficiente. Precisamos saber o que ocasionou a deficiência. Se ela for vítima de poliomielite poderá ter perda de mobilidade no futuro.Precisará de acompanhamento técnico.
Se for vítima de acidente de trabalho, ou de trânsito, a lesão pode ser mais estável. Mas eventual prótese precisará de acompanhamento, pelo desgaste possível, ou nova adaptação ao tempo de vida da lesão.Se houver doença progressiva, comprometendo a autonomia pessoal, como retinose pigmentar que evolui para a perda da visão, precisará de orientação técnica de como equacionar seu futuro, assim como seus familiares também.Em alguns casos é necessária a intervenção psicológica para ajudar a elaborar um momento de luto, como a perda da visão.
A autonomia de qualquer pessoa, com deficiência ou não, é mantida por conquista diária de fôrça, flexibilidade e mobilidade.Nenhum corpo é estático em sua estrutura e funções, é crucial saber o nível de disfunção ou de dor, se é leve, moderada, severa ou extrema. A Organização Mundial da Saúde, em seu último documento (2011), enfatiza muito esta necessidade da pessoa com deficiência. Esta é a razão de o simples censo ser insuficiente para gerar ações conseqüentes para integrar diferentes populações, com diferentes deficiências.
É preciso localizar cada um, ponderar seu momento de vida,saber de tratamentos já feitos, das necessidades médicas,de reabilitação e fisioterapia, qual a escolaridade, se está em idade de trabalhar (e está empregado), ou se precisa de auxílio ou capacitação para se empregar, eventual necessidade de transporte ou até de ajuda para atividades da vida diária.
Após o censo nacional seria necessária pesquisa detalhando as deficiências, alcançando até as pessoas que estão em asilos e hospitais. Acrescentam dificuldades às deficiências, a companhia constante de doenças infecciosas ou crônicas, ou comprometimentos de acidentes (rodoviários, ocupacionais ou resultantes de violência), além de possíveis complicações resultantes de idade avançada. Todos estes aspectos também tem peso nesta pesquisa.
Eles indicarão a extensão e profundidade de conhecimentos necessária a todo corpo médico e técnico que efetuará os atendimentos. O alcance das ações pode abranger assistência social, tecnologia assistiva, orientação para vida financeira independente, além de muito incentivo ao desenvolvimento de autonomia pessoal. “Para que resulte o possível, deve ser tentado o impossível” – Herman Hesse.
Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência,SPS,colaboradora do LIBERAL.
terça-feira, 17 de abril de 2012
"A CHAVE" : Quando pensamos em capital humano, não pode faltar a inclusão da pessoa com deficiência, até por inteligencia social e economica.
A Organização Mundial da Saúde defende que incluir pessoas com deficiência na educação de todos colabora com a formação de capital humano, com o bem estar e saúde emocional de cada indivíduo. A exclusão destas pessoas (que a longo prazo gera exclusão também do trabalho, especialmente das vagas mais qualificadas), acaba gerando custo econômico e social muito alto.Estudo americano conclui que a educação de pessoas com deficiência pode custar de duas à três vezes mais do que a educação padrão.Ação de inclusão feita em 1990, no Vietnã levantou custo de educação-padrão das crianças em U$20,00-ano, se a criança tem deficiência salta para U$58,00-ano, e se esta criança estiver em instituição exclusiva para pessoas com deficiência o custo é U$400,00-ano. Orientam para a não construção de escola “especial”, se ela ainda não existir.
Como a organização de recursos financeiros é um dos grandes desafios, listam varias ações que se mostraram oportunas, em diferentes lugares do planeta: 1) Criar um Fundo Especial para a Educação (o Brasil é citado como exemplo), ou reservar uma taxa fixa do orçamento para este tipo de educação (0,92% na Nicarágua, 2,3% no Panamá), ou até ajudar a criar rede de inteligência para troca de resultados (network) entre escolas (Paquistão), ou ainda 2) Financiar as necessidades particulares das instituições vocacionadas para trabalho inclusivo – como material específico, ajuda pedagógica, treino de pessoal e suporte operacional (Chile e México), ou ainda 3) Prover financiamento para pessoas com deficiência para resolução de suas necessidades específicas (Dinamarca, Finlândia, Hungria, Nova Zelândia).
Deixam claro que é vital o trabalho conjunto de mobilização da comunidade, envolvendo as famílias das pessoas com deficiência – quando os familiares estão envolvidos já foi constatado que a criança rende mais, e o custo do trabalho inclusivo se torna menor. Pessoas da comunidade podem pesquisar quais escolas tem acessibilidade, podem trabalhar para acontecer o processo de inclusão com êxito, podem promover ligações entre estas famílias e o entorno social.
Podem também apoiar os professores parceiros, rastreando mais práticas inclusivas e possível tratamento médico de que a criança precise, além de estabelecer ligações entre diferentes organizações que trabalham para estas pessoas. “Crianças com deficiências devem ter acesso igual à educação de qualidade, porque isto é a chave da formação de capital humano e de sua participação na vida social e econômica.”
Texto baseado em estudo do capítulo 7 (Educação), do documento “World Report on Disability”, OMS, 2011. Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e Diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência, colaboradora do “O LIBERAL”
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Análise matemática da fala flagra esquizofrenia
GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO
A forma como alguém conta uma história pode revelar muitas coisas, inclusive transtornos psiquiátricos. Pesquisadores brasileiros criaram um método que consegue identificar pacientes com esquizofrenia e com mania apenas usando a fala.
O trabalho começou a ser desenvolvido em 2006 e, ao longo do tempo, envolveu um time de cientistas de várias especialidades, liderados por uma equipe do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal).
Os pesquisadores criaram um modelo que transforma em gráficos (grafos) o discurso dos pacientes. E, a partir desse padrão, é possível identificar padrões e correlações que são bastante específicos dessas duas psicoses.
No experimento, os cientistas analisaram 24 pessoas, sendo oito delas com diagnóstico prévio de esquizofrenia, oito de mania e oito sem psicoses diagnosticadas.
O MÉTODO
O primeiro passo é uma entrevista, na qual se pede que os pacientes contem um sonho. Esse relato é gravado e transcrito. Depois, é aplicado um software usado no estudo dos grafos -área que já é consagrada na psiquiatria- que destaca os pontos relevantes da fala dos pacientes.
O programa, além de indicar os pontos de conexão da conversa, apresenta as principais diferenças no discurso dos voluntários.
Os resultados são simples de interpretar visualmente. Os grafos dos pacientes com mania são muito mais densos, com várias idas e vindas em relação ao tema do relato. Em geral, a pessoa "se perdia" mais na conversa, uma característica marcante das pessoas com esse transtorno.
Já os grafos dos pacientes com esquizofrenia são mais retilíneos e seguem uma sequência menos caótica. Os pacientes tendem a falar menos, a ser mais contidos no relato de suas experiências.
"Um psiquiatra treinado é capaz de, em uma conversa longa no consultório, chegar às mesmas conclusões. Esses padrões de discurso já são notados. O que nós criamos agora é uma forma mais rápida e quantitativa de abordar a questão", explica Natália Mota, do Instituto do Cérebro, uma das autoras do trabalho, publicado na "PLoS ONE".
Embora os cientistas tenham conseguido taxa de sucesso no diagnóstico de cerca de 93%, bem maior do que os cerca de 67% das escalas mais usadas pelos psiquiatras, Mota ressalta que o método deve complementar as avaliações usadas atualmente. "Ele não substitui a experiência do consultório."
O neurocientista Sidarta Ribeiro, que também participou do trabalho, vê um grande potencial no método.
"Por enquanto, nós analisamos apenas a forma com que as coisas foram ditas. A questão semântica ainda não entrou nesse trabalho. Mas nós já começamos uma próxima etapa, que vai juntar tudo isso. Estamos trabalhando para aperfeiçoar essa ferramenta", diz o cientista.
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