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terça-feira, 17 de julho de 2012

O que é o "bullying"?

Marta Suplicy


"Bullying", conceito moderno, mas que é um comportamento muito antigo, não é aplicável somente a crianças ou jovens, como tem sido pautado pela mídia.

Pensamos no "bullying" e vem a imagem de alguém mais frágil sendo humilhado ou maltratado por outro mais forte, num exercício perverso de manifestação de poder. Entretanto o "bullying", hoje, faz parte das nossas vidas, mesmo sem a consciência de quando ele acontece.

Ou não será "bullying" ser constrangido a ouvir aquela música a mais de mil decibéis saindo do porta-malas de um carro, quando você gostaria de estar apenas ouvindo o barulho das ondas do mar? Ou mesmo ligar o rádio e só ter sertanejo universitário para ouvir?

E no trânsito, a figura tão comum dos motoboys ou daqueles motoristas que dirigem como se estivessem permanentemente numa prova de Fórmula 1, ultrapassando pelo acostamento, ziguezagueando, buzinando freneticamente, lhe empurrando para passar o farol vermelho? Você se sentindo ameaçado, fragilizado, impotente, acuado. Isso não é "bullying"?

E a busca da eterna juventude, da barriga tanquinho, dos músculos definidos e da magreza anoréxica são ideias das nossas cabeças?

Sem falar naquele chefe que exige o impossível, que lhe impõe tarefas ridículas e de eficácia duvidosa, num "bullying" exercitado no contínuo exercício de desqualificação na relação de trabalho.

O "bullying", com outra roupagem, também aparece nas campanhas publicitárias, que martelam dia e noite na nossa cabeça mensagens de coisas que não queremos comer, não precisamos usar, trocar ou comprar. E das quais é difícil se defender ou escapar.

E se a vítima for criança, coitados dos pais que serão infernizados pela necessidade de consumo de alguma inutilidade -absolutamente necessária para a paz e a felicidade familiar, mas que era desconhecida até a semana anterior.

E os "bullyings" mais sutis? O que é esse sentimento que nos obriga a ser um sucesso? Vencer sempre? De ser "entendido" disso ou daquilo?

E o "bullying" para os diferentes? Doentes mentais? Portadores de HIV?

E o político? A história e recentes reportagens proporcionariam um capítulo instrutivo.

A lista é imensa.

E o "bullying" via internet, com alcance muito mais perigoso, pois a agressão pode ser devastadora e difundida em muito menos tempo?

Vivemos num mundo onde o "bullying" é uma constante.

E, num mundo conectado, cada vez mais globalizado, não ter como blindar-se e formar opinião mais livremente é a submissão ao maior tipo de "bullying" possível. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

Fonte

Na sua direita, no cardapio, uma cartilha sobre o assunto. Bullying Cartilha 2012- Justiça nas escolas.

Boa leitura.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O bullying

Hélio Schwartsman


SÃO PAULO - O bullying é por vezes um problema real que exige medidas drásticas. Assim, é positivo que a Justiça esteja prestando atenção ao fenômeno e já tenha até condenado alguns adolescentes à prestação de serviços comunitários, como mostrou a Folha na edição de domingo. Para conviver bem em sociedade, precisamos aprender a respeitar certos limites de agressividade no trato com terceiros.

O mundo, porém, é um lugar mais complexo e multifacetado do que querem as narrativas de que nos valemos para dar sentido às coisas. Declarar guerra ao bullying e propugnar por uma política de tolerância zero funciona mais como slogan publicitário que como remédio eficaz.

De acordo com a psicóloga Helene Guldberg, da Open University de Londres, há uma histeria em torno do tema que já pode estar produzindo mais mal do que bem (vale frisar aqui que ela fala primordialmente da realidade anglo-saxônica, onde as campanhas contra o bullying são muito mais intensas e existem há bem mais tempo do que no Brasil).

Segundo Guldberg, é perfeitamente saudável que um jovem não goste de um de seus colegas e expresse esse sentimento. Isso ocorre o tempo todo entre adultos e não é um problema. Crianças precisam aprender a lidar com inimizades, rejeições e agressividade, com as quais terão de conviver ao longo dos anos. Ela cita trabalhos sugestivos de que ter um inimigo na infância pode, na verdade, até fazer bem para o adulto.

Não se trata, é claro, de abandonar a garotada à própria sorte e deixar que a seleção darwiniana opere livremente nos playgrounds, elegendo os sobreviventes. Precisamos, porém, ser honestos para reconhecer que as dinâmicas do relacionamento entre jovens não podem ser resumidas numa luta das vítimas boazinhas contra agressores malvados. A intervenção de adultos cristalizando esses rótulos pode até mesmo revelar-se um tiro pela culatra.

Fonte: http://sergyovitro.blogspot.com.br/2012/05/helio-schwartsman-o-bullying.html 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Crianças frágeis?

Augusto Dutra Galery

Em nossas conversas com pais e educadores, frequentemente surgem falas sobre o medo de que as crianças com deficiência ou transtornos globais de desenvolvimentos (TGD), que estudam em escolas regulares, sofram assédio das outras crianças por serem diferentes. Esse discurso aparece na esfera das políticas públicas, quando pais e organizações pressionam os representantes governamentais pela defesa dessas crianças por meio de sua institucionalização segregada.
Esse medo não é completamente infundado e suas raízes são explicadas pelo caráter dos grupos. A escola, como espaço privilegiado da socialização infantil, torna-se o palco onde se ensaiam os comportamentos grupais. E, se é verdade que as pessoas se unem a partir de suas semelhanças, também é verdade que muitos grupos se unem com o intuito de afastar as diferenças. Participar de um grupo, nesse sentido, é odiar o mesmo adversário (tese defendida por pensadores como Hobbes e Freud). Por essa razão, os preconceitos são tão difíceis de serem extintos: é necessário um forte trabalho da razão para combater nossos impulsos primários, ao mesmo tempo infantis, egocêntricos e destrutivos.
Mas, apesar dessa ameaça ser real, ela não atinge apenas as crianças com deficiência. Qualquer diferença bastará, como comprovam os estudos sobre o bullying escolar. Usar óculos, estar acima do padrão do peso, ser tímido, não gostar de futebol – esses fatos já são suficientes para que uma criança seja assediada pelos chamados “valentões” da escola, em geral crianças que almejam conseguir benefícios sociais a partir de sua valentia.
Tal fato nos leva a duas questões: em primeiro lugar, o bullying é um problema da comunidade escolar, e não um ônus exclusivo da sua vítima. Ao se retirar do convívio o assediado, garante-se a vitória da agressão, já que o agressor pretendia, exatamente, eliminar a diferença.
Em segundo, mostra um “pré-conceito” bastante comum no Brasil: a crença de que a criança com deficiência é mais frágil, em termos psicossociais, do que seus pares sem deficiência. Dessa forma, essa criança precisa ser defendida das crueldades da vida – crueldades que todos os outros enfrentam diariamente – por não ser capaz de suportá-las.
Assim, é necessário refletir a respeito de nossas posições frente a essas questões. Acredito, por um lado, que o bullying, quem quer que seja sua vítima, é um problema social que precisa ser tratado a partir da ótica da inclusão – modificar a sociedade para receber qualquer um – e não da exclusão – onde apenas os mais fortes sobrevivem. É papel da sociedade atuar sobre o agressor, dando-lhe um parâmetro adequado de atuação e de valores sociais, para garantir o lugar de todos.
Por outro lado, é preciso acreditar que qualquer criança se desenvolve, inclusive psicossocialmente. As pessoas com deficiência se superam a cada dia, da mesma forma que todas as outras. Esse é um dos fatores dentre os que devem ser cuidados para que cada criança possa realmente atingir seu pleno potencial.
Augusto Dutra Galery, pesquisador do Instituto Rodrigo Mendes e coordenador do projeto DIVERSA, psicólogo, mestre em administração, doutorando em psicologia social e especialista em Sociedade Inclusiva.
Oferecemos arquivo de textos específicos, de documentos, leis, informativos, notícias, cursos de nossa região (Americana), além de publicarmos entrevistas feitas para sensibilizar e divulgar suas ações eficientes em sua realidade. Também disponibilizamos os textos pesquisados para informar/prevenir sobre crescente qualidade de vida. Buscamos evidenciar assim pessoas que podem ser eficientes, mesmo que diferentes ou com algum tipo de mobilidade reduzida e/ou deficiência, procurando informar cada vez mais todos para incluírem todos.