ANA CLARA - RESPEITO SEU SORRISO CONSTANTE
Com a sabedoria de seus nove anos, minha filha, você olha para as pessoas e sempre sorri lindamente, nos desorganizando em qualquer murmúrio de queixa que pudéssemos expressar.
Você não reclama nunca, e sei que suas constantes cirurgias causam muita dor. Sucessivas internações e tratamentos atrapalham seu desempenho na escola também. Não temos escolha. Mas à cada nova cirurgia que é apresentada como necessária, você coloca que se é para melhorar, é preciso fazer.
Você já me perguntou o que acontece com suas pernas que não se mexem como as das outras crianças, e expliquei que ao se formar, seu corpo não conseguiu completar sua coluna vertebral e sua medula, e formou também um rim somente. As rodas de sua cadeira são as suas pernas.
Seu pai, eu e sua irmã mais velha não vemos você como alguém com deficiência, e sim como alguém que luta para ser eficiente com o que recebeu da vida.
As providências que precisamos acrescentar à sua vidinha de criança são desafios enormes, numa proposta de inclusão ainda muito distante da realidade – eu não dirijo, seu pai precisa se ausentar do trabalho para consultas, curativos e cirurgias. Não conseguimos usar o transporte oferecido pelo município pois são muitas horas longe de casa com todos os riscos de infecção possíveis com um único rim, passando sonda a cada quatro horas. Sua cadeira de rodas não é “dobrável”, nem todo carro pode transportar. Não temos amparo suficientemente rápido para trocar as goteiras que corrigem suas perninhas e nem para adequar a cadeira a este corpinho que graças à Deus cresce!
Mas basta um mágico sorriso seu e tudo muda para melhor. Sempre!
“Viver é a arte de sorrir cada vez que o mundo diz não”- Guilherme Arantes.
Caso real, Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga, e-mail: bfritzsons@gmail.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário