domingo, 13 de março de 2016

Diálise em férias? Sim, é possível!

by Ricardo Shimosakai
Já há estudos sobre um aparelho de diálise portátil - ou 'rim artificial de vestir', e poderá permitir que os pacientes levem uma vida mais plena e ativaJá há estudos sobre um aparelho de diálise portátil - ou "rim artificial de vestir", e poderá permitir que os pacientes levem uma vida mais plena e ativa
Os meses de Verão são, por excelência, os meses que associamos às férias, às paisagens paradisíacas de mares calmos ou grandes cidades cheias de tesouros por descobrir. No entanto, para quem precisa de realizar diálise, as férias fora de casa podem afigurar-se como algo impossível pois o tratamento dialítico tem de ser realizado com a mesma frequência.
Contudo, o tratamento de diálise não pode nem deve ser um impeditivo para ir de férias. Pelo contrário, a saída da rotina para si, que tem uma doença crónica, poderá ajudá-lo a lidar melhor com a doença e com as limitações inerentes, permitindo uma saída da rotina com a possibilidade de usufruir de algo novo e retemperador de energias. O essencial é que se planeie tudo com a devida antecedência!
Se é a primeira vez que viaja
  • Se é a primeira vez que, como doente renal e a realizar hemodiálise, pretende ir de férias, deve optar por fazer uma viagem curta. Pode fazer um programa de fim-de-semana se, por exemplo, a sua diálise é às segundas, quartas e sextas. Planeie sair de casa na sexta-feira, após o tratamento e regresse no domingo, de forma a ainda descansar bem antes do tratamento de segunda-feira.
  • Deve levar sempre os seus documentos, medicação e avisar a equipa de saúde que o segue. Além disto, deve verificar se para o(s) local(ais) onde vai, existem hospitais gerais ou clínicas com serviço de urgência, para o caso de acontecer algum imprevisto e necessitar de cuidados médicos.
  • Se se sentir inseguro, pode sempre viajar com um pacote que inclua já a realização da diálise. Há agências de viagens que já têm pacotes completos, nomeadamente cruzeiros e roteiros em grandes cidades, que reservam as viagens. Fale com a sua equipa de saúde, para todos juntos, descobrirem a melhor opção e que vá ao encontro das suas preferências.
  • Se faz a diálise peritoneal, deve avisar, também, a equipa que o segue e seguir as suas orientações.
De uma forma geral
  • Fazer uma lista do que levar na mala é sempre uma boa ideia, pois evita esquecimentos.
  • Se vai viajar de avião e leva medicação, leve consigo as prescrições e um resumo da sua condição clínica, devidamente assinado pelo seu médico, de forma a comprovar a toma de medicação e evitar problemas antes de embarcar e/ou alfandegárias.
  • A nível da prescrição e informação clínica, deve estar explícito o princípio activo da medicação em uso e a quantidade que leva consigo.
  • A medicação deve ser o dobro em relação à quantidade calculada. Para minimizar os problemas decorrentes de extravio, uma parte dos medicamentos deve ser transportada na bagagem de mão e a outra deve ser enviada junto com a bagagem despachada.
  • Não se esqueça que a medicação liquida com capacidade superior a 100ml, não pode ser transportada em bagagem de mão, só no porão.
  • Faça um cronograma das suas actividades para os dias de férias. Primeiro deve assinalar os dias e horas em que fará o tratamento de diálise. Depois tente encaixar as atracções turísticas que quer visitar (museus, exposições, parques temáticos), sabendo de antemão os horários de abertura das mesmas e os eventuais dias em que estão encerradas. Desta forma, não ficará frustrado se não conseguir ver alguma atracção.
  • Se vai para a praia, tenha os devidos cuidados com as horas de maior calor (pode tentar optar por realizar hemodiálise nesse período) e o sol. Proteja os seus acessos vasculares por onde realiza a diálise e cuidado para não desidratar, uma vez que não pode ingerir muitos líquidos.
  • Leve na mala um kit de emergência com compressas estéreis, líquido desinfectante e adesivo, sempre em quantidades superiores às que acha que vai mesmo precisar.
  • Se vai fazer a maior parte das suas refeições no hotel onde está hospedado, faça um contacto prévio com o mesmo, de forma a expor a sua condição de saúde e de forma a saber se podem adequar alguns produtos/refeições à sua situação.
  • Se não conseguir fazer um contacto prévio, avise no primeiro dia e tente chegar a um consenso com a equipa da cozinha. Normalmente, são compreensivos com doenças específicas e poderão ajustar as refeições ao gosto do cliente.
  • Se vai fazer as refeições fora ou não conseguiu que o hotel lhe assegurasse as refeições adequadas ao seu estado de saúde, siga as dicas deste artigo:http://www.portaldadialise.com/articles/almocar-ou-jantar-fora-com-seguranca-doente-renal
  • Se viajar para o exterior, avalie a possibilidade de compra de seguro de viagem. A maioria dos planos de seguro de viagem cobrirá cuidados de emergência médica no exterior e até mesmo transportá-lo para casa em caso de emergência. No entanto, este seguro não cobre os tratamentos rotina de diálise
Resumindo, o essencial é planear com tempo o seu período de férias e ter na sua equipa de saúde o apoio e a ajuda necessária para desfrutar de uns belos e merecidos dias de descanso. Informe-se também de packs turísticos que várias empresas fazem, já incluindo o tempo para a realização da hemodiálise, nomeadamente cruzeiros e roteiros de cidades.
Não deixe que a doença lhe retire o prazer de conhecer nem que a rotina dos seus tratamentos o impeçam de ser livre e realizado. Lembre-se que é tudo uma questão de organização e planeamento!
Fonte: Portal da Diálise

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oferecemos arquivo de textos específicos, de documentos, leis, informativos, notícias, cursos de nossa região (Americana), além de publicarmos entrevistas feitas para sensibilizar e divulgar suas ações eficientes em sua realidade. Também disponibilizamos os textos pesquisados para informar/prevenir sobre crescente qualidade de vida. Buscamos evidenciar assim pessoas que podem ser eficientes, mesmo que diferentes ou com algum tipo de mobilidade reduzida e/ou deficiência, procurando informar cada vez mais todos para incluírem todos.