segunda-feira, 23 de abril de 2012

Menino de um ano deve receber marca-passo para respirar sozinho

GIULIANA MIRANDA
LUCCA ROSSI
DE SÃO PAULO

A Justiça concedeu uma liminar para que uma criança de um ano -que vive no hospital desde que nasceu devido a uma rara doença genética- seja internada imediatamente para a implantação de um dispositivo que permitirá que ela deixe as instalações médicas.
Segundo o documento, os cerca de R$ 500 mil a serem gastos com o procedimento deverão ser custeados integralmente pelo Estado de São Paulo. As despesas incluem a compra do aparelho, internação, honorários médicos e pós-operatório.
O paulista Adley Gabriel Gomes Sales tem síndrome de Ondine, um raro problema genético que deixa sequelas no sistema nervoso. Essa condição ocasiona uma insuficiência respiratória crônica no garoto, que precisa de respiração mecânica.
O uso de um marca-passo diafragmático pode acabar com essa dependência, mas a família não tem condições financeiras para a compra e implantação do dispositivo.
Ao tomar conhecimento de um caso bastante semelhante -o menino Pedro Arthur, 8, que conseguiu que o Estado de Minas Gerais pagasse pela implantação do dispositivo-, a família decidiu também recorrer às vias legais.
Os pais de Adley entraram com um pedido administrativo na secretaria de Saúde do Estado, mas não obtiveram resposta ao fim dos 120 dias previstos.
O advogado da família então buscou uma liminar para conseguir o marca-passo, que age estimulando o nervo responsável pela contração do diafragma, cujos movimentos fazem os pulmões se encherem de ar. A parte externa do aparelho, um tipo de rádio a bateria, leva energia ao dispositivo.
A rotina de cuidados com a criança, internada no Hospital Beneficência Portuguesa desde que nasceu, é desgastante para os pais.
"São só três horas diárias de visita. Estamos lá sempre. É muito ruim não poder tirar o meu filho do hospital, ir a um parque", diz Josimar João Sales, pai do menino.
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que a demora na resposta à família se deveu à natureza "extremamente especializada, rara e complexa" da cirurgia, que envolveu consultas a especialistas próprios e conveniados. Segundo o órgão, o InCor (Instituto do Coração) se prontificou a fazer o procedimento.
Para o advogado da família, Frederico Damato, houve "descaso" do Estado com a saúde delicada do menino.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1077735-menino-de-um-ano-deve-receber-marca-passo-para-respirar-sozinho.shtml

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Meus filhos com autismo, um contraponto.


Eles eram diferentes, mas eu insistia na maldita inclusão. Por que não deixar o especial dizer se ele quer isso? É fácil opinar dentro de consultórios


Parte 1: um pequeno prólogo

Em julho de 1994, fiz várias inscrições para adotar uma criança. Em setembro, recebi um telefonema dizendo que minha oportunidade de ser mãe havia chegado. Para a minha surpresa, em dose dupla. Assim, adotei os gêmeos univitelinos Rafael e Renato, com 19 dias.
Felicidade? Emoção? É pouco para descrever. Minha vida se transformou em um caos -mas o melhor caos que alguém poderia desejar.
Meus filhos pareciam qualquer outra criança. Mas percebi lentidão no seu desenvolvimento.
Os médicos disseram que era a minha ansiedade, que gêmeos demoravam mesmo. Minha intuição maternal dizia que não era isso.
Quando estavam com quase dois anos, levei os meninos ao neurologista. Com apenas alguns exames, o médico disse que meus filhos não andariam, não falariam e que seriam dois vegetais.
Fiquei zonza. Tive a nítida sensação de que ia desmaiar. Chorei por dois dias. No terceiro, vi que isso não resolveria o problema e busquei outros profissionais da área de saúde.
Resumo: meus filhos hoje estão com 17 anos, diagnosticados com autismo. Eles falam, andam, conversam, são alfabetizados e músicos. O autismo não é contagioso, mas o sorriso deles é. Minha vida se divide em antes e depois da chegada dos meus gêmeos.
Dificuldades? Temos várias. Não é fácil saber que meus filhos não farão faculdade, provavelmente não casarão nem me darão netos... Ainda me permito chorar às vezes, mas aprendi a sentir orgulho de mim mesma e, principalmente, deles.


Parte 2: a vida escolar

Quando tinham três anos, matriculei meus meninos em uma escola pequena e regular (particular). Enquanto tudo era só brincar, estava tudo certo. Nenhum problema.
A partir do momento em que eles foram crescendo fisicamente, tudo se complicou. Mentalmente comprometidos, eles não evoluíam pedagogicamente. Precisavam, portanto, ficar em classes com crianças pequenas. Eles eram sempre bem maiores que os demais alunos.
Meus problemas começaram.
As mães se assustavam com o tamanho deles. Sempre achavam que, no caso de uma agressão, seus filhos, tão pequenos e indefesos, seriam massacrados, embora meus filhos nunca tenham sido agressivos.
Nesse momento, a escola me chamou e disse, educadamente, que uma escola com mais estrutura para recebê-los seria melhor para eles.
Procurei o colégio onde estão até hoje, uma escola regular, com classes especiais. Nessa época, eles estavam com nove anos. Baseada e influenciada pelas ideias de psicólogos, insisti que ficassem em uma classe regular.
Novamente, um martírio. Pedagogicamente, a escola estava preparada, com um currículo feito especialmente para eles. Mas, socialmente, o sofrimento começou.
Eles não eram chamados para festinhas de aniversários, para grupos de trabalho, para os jogos de futebol. Nem a tão natural paquerinha acontecia com eles.
Eram pessoas diferentes, mas com uma mãe e especialistas insistindo na maldita inclusão.
Até que, aos 14 anos, eles pediram para estudar na classe especial.
Disso, meu questionamento: alguém já se perguntou onde a criança especial se sente melhor? Junto com a normal ou outras especiais?
De segunda a sexta, as crianças especiais podem até estar nas tais classes inclusivas. E no sábado e no domingo, quando os amigos se encontram? Seu filho especial não é convidado. Em uma classe especial, eles viajam juntos, vão a festas, namoram entre si -são felizes, enfim. Além disso, o desempenho escolar dos meus filhos nunca foi tão bom.
Por que só a visão dos especialistas é ouvida? Por que nunca dão às mães ou ao próprio especial a oportunidade de verbalizar o que eles acham melhor? É fácil escrever artigos sobre inclusão dentro de consultórios e depois ir para casa.
Um dia talvez a sociedade mude, quando as crianças especiais puderem fazer parte do círculo de amigos das normais. Até lá, nossos filhos serão mais felizes tendo aulas em lugares separados do que sendo rejeitados em classes normais.


UM “PRESTA-ATENÇÃO!” PARA TODOS NÓS - Precisamos estar democraticamente atentos sempre para criar condições de inclusão verdadeira.

A educação nos ensina a defender os direitos individuais. Pode também se bem orientada, defender legítimos interesses de grupos – como faz quando inclui criança com deficiência na escola de todos, aumentando a familiaridade e a convivência, reduzindo o preconceito e ensinando a todo grupo o que é tratamento equitativo. Esta postura trabalha contra idéias erradas como a deficiência ser resultado de punição divina ou má sorte, e contra formas erradas de contato das pessoas (com rótulos, piadinhas, apelidos humilhantes, isolamento social e até injúria física). É clima social que trabalha contra o crédito que devemos conceder ao potencial da pessoa com deficiência. Nestes tempos atuais de violência social muitas vezes gratuita e inútil, seria postura social boa para todos nós. Em 2009 a Nova Zelândia resolveu trabalhar a questão de criança com deficiência incluída na escola, e conjugou vários ministérios, providenciando e disponibilizando publicações sobre estas crianças, lembrando as escolas de suas responsabilidades legais, reorganizando as informações oferecidas aos familiares destas crianças e realimentou todo o processo com fluxo para registro de possíveis queixas e falhas. Além deste tipo de alerta social precisamos continuar o trabalho criando mecanismos em constante atualização que nos informem quantas crianças tem que ser atendidas, e quais as suas necessidades. Isto precisa alcançar até as crianças que por razões sociais, de desconhecimento de direitos, ou razões econômicas nem chegam a requisitar vaga na escola. A comunidade precisa chegar a elas. Nosso país já começou esta democrática ação inclusiva com o BPC (Benefício de Prestação Continuada) na escola. Em paralelo é preciso construir flexibilidades dentro do currículo escolar, permitindo aprendizagem em diferentes abordagens, para diferentes necessidades individuais. É preciso fornecer treinamento específico para professores (e consultoria quando necessário) para que sintam segurança em seu trabalho. Transporte acessível é imprescindível para estas crianças, freqüentemente muito necessitadas dele (pobreza gera deficiência e deficiência gera pobreza). Seria oportuna “mídia do bem” – encorajando adultos com deficiência e organizações da área a participar de campanhas de apoio ao acesso escolar inclusivo. E o requinte final aconteceria se criássemos forma para consulta e envolvimento destas crianças à respeito de sua própria educação.
“Oportunidade dança com aqueles que já estão no salão.” – Jackson Brown.





Texto baseado em estudo do capítulo 7 (Educação), do documento “World Report. on Disability”, OMS, 2011. Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência, colaboradora de “O LIBERAL”

"RAQUEL DO APITO" - História de pessoa com transtorno psicológico que encontra-se em vulnerabilidade social.

Estou na “Feira do Emprego” no bairro do Zanaga. Muito agito, filas de pessoas entregando currículos, empresas recebendo, música, sorteio de prêmios. De repente uma senhora de boné, cabelos brancos, vestido e algumas sacolas transbordando objetos de todo o tipo e bolsa com o querido batom (retocado de quando em quando), abraça o organizador, que fala ao microfone. Ela tem um apito pendurado em cordão, em seu pescoço.

E apita várias vezes, até todos pararem e olharem para a dupla. Recebe o microfone, um abraço, fala de Deus e chora. É suave, afável, se alguma pessoa elogia um objeto seu, pergunta sorrindo – “Quer?”. Valoriza mais a relação que o objeto. Mora em dois cômodos construídos pelas pessoas generosas do bairro, só com doações.

Tem um único vínculo familiar, um sobrinho, que surge em visita mensal para retirar contas a serem pagas e que cuida do dinheiro e dos documentos.

O primeiro marido se foi, depois de grande decepção infligida à Raquel, ainda de “dieta” de resguardo após o parto do segundo filho, provavelmente o disparo de seu quadro mental atual. Existem dois filhos, sem condição atual de proteger esta mãe, envolvidos em drogas. Aconteceu um segundo casamento, e outro filho, mas o contato com ambos se perdeu no tempo. Raquel anda muito, (já foi encontrada em município vizinho), talvez para ocupar o seu tempo, talvez para aplacar a ansiedade que a faz, muitas vezes chorar, gritar, apitar.

A medicação fica “por sua conta”, mora sozinha, come quando os vizinhos atendem seus pedidos de fome, lava a roupa quando ganha sabão, pede dinheiro e vende tudo o que ganha. Quando o sofrimento é muito intenso, fica internada em hospital. E gosta de morar assim? Confirma entusiasmada, comparando três locais em que já esteve internada e indicando com um largo sorriso qual o preferido. A internação dura períodos.


Reequilibrada, volta para a rua. Raquel é um caso escancarado da nossa omissão em saúde pública. Omissão federal, estadual e municipal, neste país inteiro. Raquel precisaria de internação contínua (leia-se colo contínuo), com equipe completa e preparada.

Os manicômios e asilos (praticamente extintos) precisariam ter sido substituídos por serviços externos de suporte técnico, para o doente e para a família, mas as equipes de atendimento existentes são menores que o necessário. Ou ainda poderia estar abrigada em “Residência Inclusiva”, compartilhando o espaço e equipe de apoio multidisciplinar e/ou cuidador com outros pacientes. Outro tipo de colo. Ela apita, ela chora com o seu apito. Quando vamos conseguir escutar?





Caso dolorosamente real. Nome real. Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência, colaboradora do LIBERAL.


 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

"ALÉM DO CENSO" - O artigo mostra como para esta população é muito mais crucial montar pesquisa posterior ao censo tentando estruturar atendimento.

Quando pensamos em saber quantas pessoas com deficiência temos no país, a tarefa não é simples. Saber que em determinada rua temos pessoa com determinada deficiência, também não é o suficiente. Precisamos saber o que ocasionou a deficiência. Se ela for vítima de poliomielite poderá ter perda de mobilidade no futuro.Precisará de acompanhamento técnico.
Se for vítima de acidente de trabalho, ou de trânsito, a lesão pode ser mais estável. Mas eventual prótese precisará de acompanhamento, pelo desgaste possível, ou nova adaptação ao tempo de vida da lesão.Se houver doença progressiva, comprometendo a autonomia pessoal, como retinose pigmentar que evolui para a perda da visão, precisará de orientação técnica de como equacionar seu futuro, assim como seus familiares também.Em alguns casos é necessária a intervenção psicológica para ajudar a elaborar um momento de  luto, como a perda da visão.
A autonomia de qualquer pessoa, com deficiência ou não, é mantida por conquista diária de fôrça, flexibilidade e mobilidade.Nenhum corpo é estático em sua estrutura e funções, é crucial saber o nível de disfunção ou de dor, se é leve, moderada, severa ou extrema. A Organização Mundial da Saúde, em seu último documento (2011), enfatiza muito esta necessidade da pessoa com deficiência. Esta é a razão de o simples censo ser insuficiente para gerar ações conseqüentes para integrar diferentes populações, com diferentes deficiências.
É preciso localizar cada um, ponderar seu momento de vida,saber de tratamentos já feitos, das necessidades médicas,de reabilitação e fisioterapia, qual a escolaridade, se está em idade de trabalhar (e está empregado), ou se precisa de auxílio ou capacitação para se empregar, eventual necessidade de transporte ou até de ajuda para atividades da vida diária.
Após o censo nacional seria necessária pesquisa detalhando as deficiências, alcançando até as pessoas que estão em asilos e hospitais. Acrescentam dificuldades às deficiências, a companhia constante de doenças infecciosas ou crônicas, ou comprometimentos de acidentes (rodoviários, ocupacionais ou resultantes de violência), além de possíveis complicações resultantes de idade avançada. Todos estes aspectos também tem peso nesta pesquisa.
Eles indicarão a extensão e profundidade de conhecimentos necessária a todo corpo médico e técnico que efetuará os atendimentos. O alcance das ações pode abranger assistência social, tecnologia assistiva, orientação para vida financeira independente, além de muito incentivo ao desenvolvimento de autonomia pessoal. “Para que resulte o possível, deve ser tentado o impossível” – Herman Hesse.

Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência,SPS,colaboradora do LIBERAL.

"VISÃO VIRTUAL" - Artigo sobre pessoa com deficiência visual e o software leitor de tela virtual vision.

Cristiane aos doze anos teve retinose pigmentar, doença ocular degenerativa que comprometeu 65% de sua visão até seus dezesseis anos, e que hoje, aos 29 anos deixou somente 1,5% de acuidade visual. Ela quer e precisa trabalhar. Está em processo de reabilitação profissional do INSS, responsável por indicar à firma em que Cristiane trabalhava qual a melhor possível função a ser ocupada para conseguir ser produtiva (o que é um grande desejo seu) na situação atual.

Ficou “afastada”, com vencimentos menores do que seu salário original durante mais tempo do que seria confortável, fazendo cursos de Informática e Telemarketing, e quando o retorno aconteceu havia a dificuldade de providenciar um computador para a telefonista que não poderia consultar uma lista de endereços em papel. Uma pessoa sem visão pode ser excelente telefonista se dispuser de um softer capaz de ler com voz sintética a lista de endereços que está impresso na tela do computador, que precisa também ser de uma versão (idade do equipamento) capaz desta leitura.

 A pessoa com deficiência visual precisa ter sua cópia pessoal do softer leitor de tela para instalar no computador. O softer servirá àquele computador, não é “portátil” para o computador doméstico. O custo deste softer é alto (cerca de mil e oitocentos reais), de difícil acesso para quem já tem uma vida com menos oportunidades de evolução profissional e salários melhores. Um banco internacional, que possui filial brasileira, disponibiliza gratuitamente este softer, desde que a pessoa com deficiência solicite o mesmo a qualquer gerente, de qualquer agência, no país (vide blog acima). Foi assim que Cristiane pode voltar a se sentir útil e produtiva, com computador compatível à tarefa. Nos últimos seis anos esta ação distribuiu 3.300 softwares no país.

Para a superintendente executiva de Desenvolvimento Sustentável deste banco, é “importante que as pessoas divulguem a distribuição do Virtual Vision para amigos e familiares com deficiência visual, ou indiquem uma instituição que trabalhe com este público. Crianças e adolescentes também podem utilizar o programa”. Divulguemos então, todos nós! É disponível para clientes e não-clientes.

 O fabricante do softer informa que foi desenvolvido em 1997, com modelos de processamento de linguagem natural, capaz de leitura, de usar Windows, de reconhecer o Word, e Excel, Internet Explorer, Outlook, MSN, Skype e outros. Exige treino específico para uso, assim como nós (videntes) precisamos. Cristiane luta. “O verdadeiro ato de descoberta consiste não em encontrar novas terras, mas em ver com novos olhos. ’ – Marcel Proust.





Caso/nome reais.Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência. Colaboradora do LIBERAL.

Sessão de cinema para deficiente visual chega ao interior paulista

LEANDRO MARTINS
DE RIBEIRÃO PRETO

Na tela do cinema, a imagem mostra uma senhora numa cadeira, em uma sala ampla com um piano ao fundo, bordando em silêncio. No áudio, um narrador descreve detalhadamente a cena.
A câmera fecha um ângulo nas mãos dessa mesma mulher. O narrador continua a descrever: "a imagem mostra o detalhe da agulha passando pelo tecido".
Na ampla plateia do Cine São Carlos, no interior de São Paulo, com capacidade para 540 pessoas, um grupo de 15 deficientes visuais acompanha o desenrolar do filme.
Eles estiveram na primeira sessão do Cine+Sentidos, que começou ontem e vai exibir, quinzenalmente, filmes com audiodescrição para cegos.


Silva Junior - 12.abr.12/Folhapress
José Roberto (de cinza) e João Bernardo (de azul), durante a exibição de filme para deficientes visuais, em São Carlos
José Roberto (de cinza) e João Bernardo (de azul), em exibição de filme para deficientes visuais, em São Carlos

O projeto, iniciativa da Prefeitura de São Carlos em parceria com o Cine São Carlos, é apontado como pioneiro no interior paulista em ter sessões permanentes para quem tem problemas na visão.
Na primeira sessão, foram exibidos cinco comédias curtas-metragens. Uma delas, "Mr. Abrakadabra!", do diretor José Araripe Jr., feito mudo e em preto e branco.
Na plateia, o som de risos, enquanto o narrador descreve as tentativas de um mágico que, já velho, decide morrer a qualquer custo.
"Se não houvesse a audiodescrição, seria impossível entender. Com ela, dá para acompanhar toda a história", disse Ailton Alves Guimarães, 38, que consegue enxergar apenas vultos.
Com exibições gratuitas quinzenalmente, às quintas-feiras, o Cine+Sentidos quer atrair mais pessoas progressivamente, diz o coordenador de Artes e Cultura de São Carlos, Almir Martins.
Os deficientes visuais são incentivados a levar parentes e amigos que não são cegos. "É uma forma de permitir que, depois, eles trocam impressões sobre o filme", diz Maurício Zattoni, chefe da Divisão de Audiovisual.
O projeto de São Carlos segue os passos de outros programas culturais bem-sucedidos de inclusão de pessoas com necessidades especiais.
O principal deles em atividade no país teve início em março, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, onde todas as peças em cartaz na temporada deste ano têm audiodescrição, Libras (Língua Brasileira de Sinais) e legendas, beneficiando não apenas deficientes visuais, mas, também, os auditivos.
"Antes, não havia um espaço que oferecesse isso de forma permanente", diz a coordenadora de acessibilidade do projeto no Carlos Gomes, Graciela Pozzobon.
Pioneiras da audiodescrição no país, ela diz que há iniciativas do tipo em festivais ou temporadas curtas em capitais como São Paulo e Porto Alegre.
Ela e o especialista em audiodescrição Paulo Romeu Filho afirmam não conhecer outras cidades do interior que tenham projeção do tipo permanente.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/1075538-sessao-de-cinema-para-deficiente-visual-chega-ao-interior-paulista.shtml 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"DEPOIS DE EMPREGADO" : Relato dos resultados de uma oportunidade de emprego justa e merecida.

Meu nome é Jean. Minha história de deficiência congênita (um acidente vascular cerebral quando eu ainda estava sendo gerado) já foi contada aqui. Texto integral no blog acima citado, o título é “O Piadista”.

Gosto de contar piadas (e de ouvir também). Quando conseguimos rir junto com alguém, com situação de desfecho completamente inesperada, em segundos somos mais companheiros, irmanados no riso. Quebra o gelo. É também forma rápida de mostrar que a pequena lentidão que eu tenho é só física, mais pronunciada em meu braço direito, minha inteligência sempre foi muito boa, aprendo o que quero e rápido. Tenho ótimo relacionamento com todos os meus colegas de trabalho.

Já terminei o segundo grau, e agora sonho com faculdade, Ciências Contábeis. Eu estava encontrando muita dificuldade para achar emprego e somente com ajuda especializada na área cheguei à firma que me colocou faz quase um ano como operador de máquina de corte a laser. Apostou em mim, mesmo sabendo que eu só poderia usar um de meus braços para a tarefa.

Minha produção é a mesma que a de um funcionário que opera a máquina com os dois braços. É importante lembrar que cada pessoa com deficiência é um arranjo de potencialidades e de limitações único – há que observar cuidadosamente suas capacidades, ouvir a opinião do médico do trabalho, para encontrar a função em que poderá ser útil.

O resultado de minha inclusão é tão bom que pediram minha permissão para me filmar trabalhando, para uso interno de empresa, mostrando como é possível integrar. Permiti, pois quero ser um incentivo para esta prática. Incluir com cuidado e responsabilidade traz lucro social para todos os envolvidos. Sem Falar de outros lucros – sou pessoa produtiva!Tenho dezoito anos e é uma grande satisfação poder sair com meus amigos sem precisar mais pedir dinheiro para os meus pais.

É uma delicia poder comprar com o produto do meu trabalho minhas roupas e os livros de estudo e de aventuras que eu quero ler. E também pagar minha internet, além de poupar para custear minha faculdade, no futuro. Estou tão contente com esta oportunidade que já encaminhei cerca de seis ou sete currículos de amigos de meu bairro que também querem trabalho na mesma firma. Encontrei a chance à que eu tinha direito e mostrei meu valor. “Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.”  -  Hermann Hesse.

O primeiro artigo de Jean: O Piadista


Caso real. Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência, colaboradora do LIBERAL.


Palco para a inclusão

DE SÃO PAULO


Atores com deficiência visual, síndrome de Down e cadeirantes estarão nos palcos de São Paulo em abril e maio. No último sábado (07), estreou a peça "Good Morning São Paulo Mixturéba", do grupo Oficina dos Menestréis.


Imagem do Google- Ensaio da peça "Good Morning São Paulo Mixturéba", em cartaz no Teatro Dias Gomes, em SP.

No enredo, dois locutores de rádio apresentam atrações musicais. Cadeirantes e deficientes visuais fazem esquetes sobre inclusão do deficiente, com música ao vivo.



Já no dia 22 de abril, estreia a peça "UP3", cujo elenco tem atores com síndrome de Down.
"Good Morning..." está em cartaz aos sábados e domingos até o dia 29 de abril no Teatro Dia Gomes (r. Domingos de Morais, 348). Os ingressos custam R$ 20. Mais informações pelo telefone 0/xx/11 5575-7472.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1073355-palco-para-a-inclusao.shtml 
Oferecemos arquivo de textos específicos, de documentos, leis, informativos, notícias, cursos de nossa região (Americana), além de publicarmos entrevistas feitas para sensibilizar e divulgar suas ações eficientes em sua realidade. Também disponibilizamos os textos pesquisados para informar/prevenir sobre crescente qualidade de vida. Buscamos evidenciar assim pessoas que podem ser eficientes, mesmo que diferentes ou com algum tipo de mobilidade reduzida e/ou deficiência, procurando informar cada vez mais todos para incluírem todos.