terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Amazonenses criam dispositivo para velocistas cegos

by Ricardo Shimosakai
Projeto de pesquisadores amazonenses 'elimina' figura do guia em provas de atletismo paralímpico.Projeto de pesquisadores amazonenses 'elimina' figura do guia em provas de atletismo paralímpico.
Você já imaginou um atleta cego correndo sem a ajuda de um guia no atletismo? Parece algo impossível, mas está próximo de se tornar realidade. Um dispositivo criado por pesquisadores do Amazonas vai permitir que paratletas com deficiência visualse guiem sozinhos nas pistas. O projeto 'Meu Guia', fruto de uma pesquisa cooperada de profissionais de diferentes instituições, quer implementar a tecnologia já nasParalimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.
A concepção do projeto durou cerca de dois anos. "Era um sonho meu criar essa tecnologia. Com o tempo, outros pesquisadores foram aderindo à ideia. Oficialmente o grupo conta com 20 pessoas, mas isso se estende para 40 professores, pois há uma parceria interinstitucional", disse a professora e pesquisadora da Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão da Universidade Nilton Lins, Ana Carolina Oliveira, que é coordenadora do projeto.
Além de Ana Carolina e outros pesquisadores da Nilton Lins, o trabalho também envolve profissionais do Centro de Inovação em Controle e Automação em Robótica Industrial (Cicari), da Faculdade de Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), da Agência de Inovação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), do projeto Curupira do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e fomento do CNPq.
De acordo com as regras do atletismo paralímpico, o atleta com deficiência visual compete ao lado de um guia, unidos por uma corda presa às mãos. No entanto, um estudo dos pesquisadores amazonenses indica que há 40% de chances de um cego cair correndo ao lado de um guia. "Sempre me chamou atenção um cego correr com alguém ao lado puxando uma corda. É um pouco arcaico", disse Ana Carolina.
Os pesquisadores amazonenses possuem uma coletânea de vídeos exibindo momentos em que o guia atrapalha o atleta cego em uma corrida. Um deles, por exemplo, é de um competidor desclassificado em uma final porque o guia 'queimou' a largada. Mais recentemente, no fim de outubro, o brasileiro Felipe Gomes perdeu a medalha de ouro do Mundial Paralímpico de Atletismo, no Catar, porque o guia pisou na linha em uma curva, fator de desclassificação.
5 casos em que o guia atrapalha o velocista cego
Entenda a tecnologia
Mas como fazer com que um cego corra sozinho sem ameaçar sua integridade física? Os pesquisadores amazonenses desenvolveram uma roupa de alta performance em que um dispositivo acoplado emite vibrações por meio de um sistema sensorial. Essas vibrações compõem um código linguístico - assim como o braile, por exemplo -, pelo qual o corredor se baseia para receber orientações referentes à postura e direção no decorrer da prova.
A comunicação através da roupa é feita por uma rede de localização (GPS). "Não seria conveniente colocar uma pessoa digitando 'direita', 'esquerda', até porque a interferência humana possui falhas. Então a ideia foi desenvolver uma triangulação do atleta. Algo como um GPS, para saber em que posição ele está na pista, para determinar onde ele tem que ir. Se ele chega próximo de uma curva, ele vai sentir uma vibração. Dessa forma ele também vai saber quando deve arrumar sua passada, quando está próximo da linha de chegada, etc", disse o pesquisador Renan Baima.
Muitos podem questionar se a audição não seria um método mais eficaz para os atletas receberem as coordenadas. "O atleta se guia pela audição. Limitar a audição deixaria o cego ainda mais confuso. O guia não se comunica com o atleta gritando, mas sim pelo tato. Então concluímos que a melhor interface de comunicação seria a vibração. Fizemos uma roupa onde é possível dar uma resposta de vibração em certos pontos de maior sensibilidade do corpo, a ponto de o atleta entender o comando", disse Baima.
Cada vibração em diferentes partes do corpo representa uma sentença em relação ao posicionamento do atleta - o chamado código linguístico. Desta forma, o atleta cego vai interpretar as diferentes vibrações como orientação para correr com segurança.
Desta forma, o projeto garante autonomia para que o atleta cego defina sua própria estratégia na pista. "Se o atleta corre com o guia, ele fica limitado à estratégia do guia. Até porque o guia está vendo onde seu atleta está e onde os outros competidores também estão", explicou Baima.
Protótipo para qualquer pessoa experimentar
O projeto ainda precisa ser submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa para a liberação de testes com os cegos, o que deve ser permitido entre janeiro e fevereiro. No entanto, os pesquisadores já criaram um protótipo para que qualquer pessoa experimente a tecnologia. O protótipo é um dispositivo de pulso controlado pelos próprios pesquisadores, no qual a pessoa percorre um labirinto com os olhos vendados, guiando-se apenas pelas vibrações emitidas pelo dispositivo.
"A gente chama de teste-piloto para que as pessoas tenham noção do código linguístico que estamos criando. Imagina o braile. O código braile é universal, todos os cegos fazem a mesma leitura daquele código. Ou seja, precisamos chegar num denominador comum, encontrar uma maneira de comunicação que todos entendam", disse Ana Carolina Oliveira.
A grande diferença entre o protótipo e o produto final é que, no protótipo, as orientações são controladas pelos próprios pesquisadores através de uma rede sem fio de comunicação. No produto final - ou seja, a roupa -, este processo será totalmente autônomo pelo GPS, evitando que um possível erro humano gere acidentes.
Os testes para a implementação da tecnologia também dependem da anuência do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Uma das preocupações dos pesquisadores é fazer com que a utilização do dispositivo não diminua a capacidade dos atletas, isto é, que o percurso independente dos cegos não implique em diminuição no tempo de conclusão das provas.
Conquistas e objetivos
O projeto já alcançou sua primeira vitória: a conquista do Prêmio Santander Ciência e Inovação de 2015. Os pesquisadores foram contemplados com R$ 100 mil, superando a concorrência de universidades renomadas como PUC e USP.
O sonho do grupo é que a tecnologia seja usada em uma edição das Paralimpíadas, especialmente a do Rio de Janeiro, no ano que vem. "Ao invés de competirem quatro cegos, pois é necessária uma raia pro guia, por que não competir oito cegos [por prova]? Essa foi uma proposta do nosso querido Roberto Gesta [amazonense, presidente da Confederação Sul-Americana de Atletismo]", sugeriu a coordenadora.
Equipe do projeto 'Meu Guia' ao lado da roupa desenvolvida pelo grupo.Equipe do projeto 'Meu Guia' ao lado da roupa desenvolvida pelo grupo.
Vale lembrar que o atletismo paralímpico já faz uso de tecnologia como ferramenta de inclusão no esporte. "Assim como aqueles suportes adaptados de ligas de titânio são usados para que atletas amputados possam correr, nós também queremos implantar uma tecnologia nova", afirmou Ana Carolina.
Certo mesmo é que os pesquisadores já acordaram que, após os testes, um atleta cego do Amazonas será selecionado para guiar a tocha olímpica na passagem do revezamento por Manaus. O atleta será monitorado pela tecnologia criada pelos pesquisadores amazonenses.
Custos
A tecnologia da roupa é estimada em R$ 1,5 mil. No entanto, com o aporte de uma indústria para a produção em larga escala, os pesquisadores acreditam que este custo será reduzido.
Já o sistema instalado em pista custa R$ 4,5 mil e pode ser utilizado por até oito atletas por prova. O sistema de localizador, chamado de 'nó âncora', fica em um ponto fixo da pista servindo de localizador para os outros pontos. Já a roupa, o chamado 'nó móvel', possui custo individual.
O fato é que os pesquisadores amazonenses estão determinados a colocar o produto no mercado. "A gente tem que parar de criar tecnologia e engavetar. Daqui a pouco um pesquisador lá na China desenvolve uma tecnologia similar e é muito mais reconhecido do que nós, que desenvolvemos como pioneiros", disse Ana Carolina.
Fonte: Portal Amazômia

Tamanho não é documento. Naim Suleimanov com 1,47 m de altura foi tricampeão olímpico.

by Ricardo Shimosakai
Levantando três vezes sua própria massa corporal no arremesso, foi apelidado de o Pequeno HérculesLevantando três vezes sua própria massa corporal no arremesso, foi apelidado de o "Pequeno Hércules"
Naim Süleymanoğlu (23 de janeiro de 1967, em Ptitchar, Kardjali, Bulgária) é um turco, campeão mundial e olímpico em halterofilismo. É o mais bem-sucedido levantador de peso de todos os tempos. Naim estreou em competições internacionais aos 14 anos de idade, no campeonato mundial para juniores, em São Paulo; definiu seu primeiro recorde mundial aos 15 anos. Ele nasceu na Bulgária e representou-a até desertar para a Turquia em 1986.
Nascido Naim Suleimanov (em búlgaro: Наим Сюлейманов) e de ascendência turco-búlgara, ele tinha tomado a decisão um ano antes e foi bastante chateado quando os búlgaros mudaram seu nome para Naum Shalamanov em 1985, para remover os vestígios de sua origem turca.
Para competir internacionalmente para a Turquia, o governo búlgaro recebeu sete milhões de dólares da Turquia (e não apenas um milhão como fora divulgado). Süleymanoğlu tornou-se o primeiro levantador de peso a ganhar ouro em três Olimpíadas, em 1988, 92 e 96. Nos Jogos de Sydney 2000, tentou conquistar o quarto ouro olímpico, porém não conseguiu concluir a prova.
Ele ainda tornou-se o primeiro homem a conseguir levantar duas vezes e meia o equivalente a sua própria massa corporal no arranco e o segundo a levantar três vezes sua própria massa corporal no arremesso (o primeiro foi o búlgaro Stefan Topurov). Foi apelidado de o "Pequeno Hércules" e "Hércules de Bolso", pois tinha 1,47 m de altura e por causa de suas marcas nas categorias até 56, 60, 62 e 64 kg.
Melhores marcas da carreira
  • arranco — 152,5 kg na categoria até 60 kg
  • arremesso — 170,5 kg na categoria até 56 kg (Varna 1984)
  • arremesso — 190 kg na categoria até 60 kg
  • total olímpico (arranco + arremesso) — 342,5 kg na categoria até 60 kg (Jogos Olímpicos de 1988)
Estabeleceu 46 recordes mundiais ao todo — 14 no arranco, 15 no arremesso e 17 no total olímpico. Em junho de 1999 a Association Internationale de la Presse Sportive escolheu Süleymanoğlu como um dos 25 maiores atletas do século XX, ao lado de celebridades como Pelé e Jesse Owens.
Em 2000, e novamente em 2004, ele foi eleito para o Weightlifting Hall of Fame (salão da fama da Federação Internacional de Halterofilismo). Em 2001, recebeu a Ordem Olímpica de Juan Antonio Samaranch, o então presidente do Comité Olímpico Internacional. Ele entrou para a política na Turquia.
Fonte: Wikipedia

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

NOTÍCIAS » Notícias

Mudanças climáticas versus interesses privados

"A empresa Exxonmobil, a maior petrolífera do mundo, na última década gastou milhões de dólares montando um time de pesquisadores para manipular a opinião pública sobre o aquecimento, usando o poder econômico para desacreditar a tese do IPCC sobre o aquecimento global e a mudança do clima no planeta", escreve Heitor Scalambrini Costa, professor da Universidade Federal de Pernambuco, em artigo publicado por EcoDebate, 08-01-2016. 
Eis o artigo.
Contra fatos não existem argumentos, principalmente os falaciosos. Sem dúvida, hoje, os combustíveis fósseis, particularmente o petróleo (e seus derivados) é o principal responsável pelo aquecimento global, e as mudanças climáticas que estão ocorrendo no planeta. Os combustíveis fósseis são os maiores emissores dos gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento da Terra.
Em dezembro de 2015, depois de 18 anos de negociações, as 195 nações que integram a Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas chegaram a um novo pacto, após a assinatura do Protocolo de Kyoto. No acordo de Paris (COP21), uma das decisões mais importantes foi o compromisso unânime dos países em reduzir as emissões, favorecendo e incentivando mudanças em suas matrizes energéticas. Levou-se em conta a importância e a urgência de se agir contra as mudanças climáticas provocadas pelo homem, comprometendo os países a terem metas para que o aumento da temperatura média fique abaixo de 2°C, buscando limitá-la a 1,5°C.
Indubitavelmente existe hoje um reconhecimento de que a Ciência estava certa sobre o aquecimento global. Os fatos são incontestáveis. O ano de 2015 termina como aquele mais quente até então registrado, superando 2014 que detinha a marca anterior. E 2016, segundo a previsão da agencia meteorológica britânica (Met Office), ultrapassará ambos.
Em 2015 a temperatura média da atmosfera terrestre esteve 1º C acima do registrado no período pré-industrial, quando iniciou o consumo dos combustíveis fósseis, e a emissão em larga escala dos gases causadores do efeito estufa, como o CO2.
Incontestavelmente o petróleo e seus derivados é o inimigo numero 1 do aquecimento global e das mudanças climáticas que assolam o planeta Terra. Portanto reduzir e mesmo abolir o consumo desta fonte energética, assim como de outros combustíveis fósseis é atualmente imperativo para que a temperatura do planeta não se eleve acima de 2o C, considerada critica pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, conhecido como o fórum que reúne os “cientistas da ONU”).
Todavia diante desta constatação irrefutável cientificamente, setores poderosos economicamente (empresas petrolíferas, montadoras, indústrias químicas, indústria do carvão, siderúrgicas) e de grande influência em governos e em estruturas políticas manipulam a opinião pública e travam verdadeira guerra psicológica para desacreditar o debate sobre o aquecimento e as mudanças climáticas global. Exemplos destas iniciativas não faltam.
A empresa Exxonmobil, a maior petrolífera do mundo, na última década gastou milhões de dólares montando um time de pesquisadores para manipular a opinião pública sobre o aquecimento, usando o poder econômico para desacreditar a tese do IPCC sobre o aquecimento global e a mudança do clima no planeta. O caso mais emblemático é do cientista Wei-Hock Soon, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica. Segundo matéria publicada no jornal New York Times de 21/2/2015, documentos obtidos nos termos da Lei de Liberdade de Informação estadunidense, comprovam que este cientista foi financiado pela indústria do petróleo durante longos anos. Neste período ele apareceu em vários programas de TV, prestou depoimento no Congresso dos EUA, escreveu artigos científicos e fez conferências negando o aquecimento global e os riscos decorrentes, e que fosse causado por ações humanas (uso de combustíveis fósseis), mas sim por variações nas atividades do Sol.
Koch Industries (dos irmãos Charles e David), a segunda maior empresa privada dos Estados Unidos e uma das 10 que mais poluem, detentora de refinarias de petróleo no Alaska, no Texas e em Minnesota, além de fábricas de celulose tem muitos motivos para lutar contra a redução de emissões de gases estufa. Conforme revelado pelo documentarista Roben Greenwald no filme “Koch Brothers Exposed” utilizam táticas intimidatórias comprando veículos de comunicação, cientistas e políticos para que idéias contrárias ao debate sobre a vinculação das emissões de poluentes e o aquecimento global fossem propagadas. Esta corporação mantém uma ligação muito estreita com a ultra-direita estadunidense, e também financia o Partido Republicano que resiste em aprovar medidas de corte de emissão no Congresso norte americano, onde detém a maioria das cadeiras.
Petrolíferas americanas ExxonChevron e Conoco Philips consideram que ainda os combustíveis fósseissustentarão a economia mundial por muitas décadas. Defendem seus interesses e dos acionistas utilizando métodos não diferentes dos irmãos Koch.
Já as corporações petrolíferas europeias – ShellBPTotalEniStatoil -, admitiram recentemente que erraram sobre o posicionamento adotado contrário ao aquecimento global. Todavia ao fazerem o “mea culpa” creditaram as emissões ao uso do carvão mineral, propondo assim precificar a poluição deste energético. Todavia os Estados Unidos dependem dele para gerar 40% da eletricidade consumida, a China 80%, a Índia 70% e a Austrália 70%. Mesmo com investimentos crescentes em fontes renováveis o discurso destes países é contraditório e hipócrita.
A fraude das emissões da Volkswagen, a maior empresa da Alemanha, também é um evidente sinal de como as grandes corporações atuam. Não respeitam lei alguma, praticam todo tipo de manipulação política e práticas para burlar os controles públicos. Neste caso, diversos veículos a diesel foram fabricados e comercializados como sendo de baixas emissões, mas na realidade emitiam níveis muito mais elevados de poluentes do que os declarados, com um software interno concebido para ludibriar os testes governamentais. Os gases emitidos desses carros podiam chegar a 40 vezes o limite legal de poluentes nos EUA, onde o caso foi denunciado por investigadores de uma ONG.
A indústria petrolífera detém um poder que influencia governos e estruturas políticas. Dela depende a política energética dos grandes países poluidores, como China, Índia e EUA. Apesar dos investimentos globais em favor das energias renováveis serem crescentes, ainda os investimentos globais em petróleo nos últimos anos superam 3 a 5 vezes os investimentos em fontes renováveis de energia (solar, eólica, biomassa, …).
Desde a Conferência RIO-92, porém, a ação dos “céticos do clima”, muitos deles ligados ao poderoso lobby da indústria do petróleo, conseguiram barrar os avanços que seriam necessários para evitar a situação alarmante em que nos encontramos hoje. Existe uma grande semelhança nesta ação com o que ocorreu com o poderoso lobby da indústria tabagista no século passado. Vários “cientistas” afirmavam naquela época, não haver relação causa-efeito entre o tabaco e o câncer. O que só fez adiar medidas que poderiam salvar milhares de vida.
Assim, cada vez mais, o debate sobre as mudanças climáticas coloca de um lado as corporações gananciosas que lutam contra a redução de emissões de gases estufa. De outro, os movimentos sociais lutam pela vida, por um planeta justo, ético, plural e protegendo os ecossistemas naturais. A luta é desigual. Todavia, a consciência coletiva transformada em prática atuante poderá pender a balança para os interesses públicos envolvidos nesta questão que interesse a toda civilização.
COP21 foi um novo ponto de partida, é mais um passo na direção certa ao nível diplomático. Mas ainda estamos muito aquém do que seria necessário para impedir o caos climático. O Acordo de Paris não traz compromissos suficientes, nem garantias, não têm mecanismos coercitivos, apenas propostas voluntárias que não são suficientes para alcançar os objetivos anunciados.
O que está proposto é muito vago e não vai impedir o aquecimento do planeta acima de 2°C. As populações mais pobres, as mais vulneráveis, principalmente do Hemisfério Sul, serão as que mais sofrerão com o aumento do nível do mar, com as inundações e com a seca.
Assim o engajamento nesta luta, que não é só dos ambientalistas mais de todos os homens e mulheres de boa vontade são fundamentais para a sobrevivência da humanidade que está ameaçada se não houver profundas mudanças profundas no atual modelo civilizatório. O que implica mudar o modelo insustentável de produção e consumo e o próprio modo de vida das pessoas.
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/550658-mudancas-climaticas-versus-interesses-privados
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NOTÍCIAS » Notícias

Milhares de carros estão sendo abandonados

"As pessoas não estão comprando carros no mesmo ritmo de antes da recessão. Quantas famílias que você conhece que ostentam um carro novo a cada ano? Por isso, milhões de carros ficam para morrer nos estacionamentos", escreveLadislau Dowbor, doutor em Ciências Econômicas e professor da PUC-SP e da UMESP, em artigo publicado porEnvolverde, 07-01-2016.
Eis o artigo.
Brilhante, bonito e novo? E rapidamente enferrujando e inútil.
Esta foto é de um monte de carros que sobraram no Porto de Sheerness em Ketn, na Inglaterra. Há centenas de lugares exatamente como este no mundo todo, cheio de carros que as montadoras não conseguiram vender.
Isso é verdade.
Você está vendo uma das muitas reservas de carros não vendidos no mundo.
As pessoas não estão comprando carros no mesmo ritmo de antes da recessão. Quantas famílias que você conhece que ostentam um carro novo a cada ano? Por isso, milhões de carros ficam para morrer nos estacionamentos.
Baltimore, Maryland, EUA
Bem do lado da estrada Broening em Baltimore, mais de 57.000 carros se encontram num enorme estacionamento. No começo eu me perguntava porque eles não colocavam simplesmente à venda, mas a indústria automobilística não vai reduzir seus preços drasticamente por uma razão: Não é possível vender um carro por 500 dólares e esperar alguém comprar por 15.000 é impossível.
Os carros devem ser levados de um monte de concessionárias para dar espaço para a nova produção. O que sobra é um pouco triste? Filas e mais filas de carros em perfeito estado.
indústria automobilística não pode simplesmente deixar de produzir carros novos. Isso significaria o fechamento de fábricas e demitir a dezenas de milhares de pessoas, além do mais, piorar a recessão. O efeito dominó seria catastrófico para a indústria do aço.
Nessa imagem podemos ver dezenas de milhares de carros tomando sol o dia todo na Espanha.
Quando a oferta supera a procura, alguém fica com o superavit. Depois da recessão, as famílias já não compram um carro novo a cada ano.
São Petersburgo, Rússia
Carros europeus importados que não conseguiram vender e estão largados para enferrujar em um aeroporto.
O ciclo de comprar, usar, mudar, se acabou. As pessoas usam seus carros durante muito mais tempo depois de comprados.
Lotes aberto ao redor do mundo se converteram um cemitérios improvisados para os carros que não se venderam.
Avonmouth, Reino Unido
Cada espaço cinza que se vê está cheio de carros sem uso.
Corby, Reino Unido
Aqui há outro monte de carros que sobraram. Qualquer um se pergunta: por que não reciclam esses carros ou pelo menos não dão para as pessoas pobres?
Porto de Civitavecchia na Itália
Até pode-se pensar que os fabricantes de automóveis poderiam utilizar pelo menos algumas das partes. Eles ainda acham que vão vender esses carros?
Porto de Valencia, Espanha
Estas imagens são particularmente frustrantes se você está dirigindo um carro velho?
Os carros, quando expostos ao ar livre, não duram muito tempo.
Quando um carro fica ao relento, todos os óleos se vão para o fundo do poço, e logo começa a corrosão e danifica todas as partes internas do motor.
A super produção não é só uma falha do sistema nos Estados Unidos ou de uma só fábrica de automóveis, este é um problema mundial. Se não encontram uma maneira de reutilizar esses carros, milhares de carros abandonadoscontinuarão preenchendo espaços vazios. Isso é realmente lamentável.

Como organizar a casa quando o idoso mora com a família?

Escrito por  Maria Luisa Trindade Bestetti (*)
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como-organizar-a-casa-quando-o-idoso-mora-com-a-familia-fotodestaqueEncontrar um lugar compatível com os desejos e necessidades do idoso pode significar algum sacrifício de espaço ou uso de móveis, especialmente nos dormitórios. É sempre importante colocá-lo em local com banheiro próximo, considerando necessidades básicas muitas vezes urgentes. Luz auxiliar também pode prevenir incidentes, portanto compartilhar ambientes de dormir poderá gerar conflitos ou desconfortos. 
Ao decidir sobre a melhor maneira de acomodar um parente idoso, a primeira reação sempre é a de mantê-lo junto à família, o que é realmente preferível. Mas é preciso pensar em fatores de ambiência que afetam todos: esse indivíduo vai sair da sua casa e pode sentir-se deslocado de importantes elementos da sua memória. Mesmo que um cuidador familiar mude-se para a casa dele, nova dinâmica passará a existir a partir dos hábitos desse novo morador, especialmente se for acompanhado com crianças. 
Para os parentes mais jovens, encontrar um lugar compatível com os desejos e necessidades dele pode significar algum sacrifício de espaço ou uso de móveis, especialmente nos dormitórios. Além disso, é sempre importante colocá-lo em local com banheiro próximo, considerando necessidades básicas muitas vezes urgentes. Luz auxiliar também pode prevenir incidentes, portanto compartilhar ambientes de dormir poderá gerar conflitos ou desconfortos.
Afinal, sempre haverá choque de gerações? Quem deve ser priorizado nessas decisões? 
Pelo meu ponto de vista, se a decisão for a de manter a família unida para racionalizar o atendimento a todos, deve-se considerar o envelhecimento de todos! É preciso considerar alguns ajustes de rotinas para compatibilizar diferentes ritmos de vida, principalmente sem desconsiderar o potencial do morador idoso em colaborar ativamente para que a casa funcione e a harmonia se mantenha. Penso que é muito difícil, se não impossível, que alguém seja feliz se outro membro da família não estiver também.
Geralmente acomodam-se as pessoas à estrutura original da casa, sem pensar em mudar alguns usos de modo a compatibilizar a nova fase da vida. Pequenas reformas podem tornar os espaços disponíveis mais adequados, mantendo a privacidade e estimulando a autonomia. 
É possível até alterar o uso original de um ambiente e integrar outros antes fragmentados, flexibilizando através de painéis deslizantes, móveis modulares e revestimentos de fácil manutenção.
Também é interessante pensar que a presença de um novo morador, mesmo sendo idoso, pode ser um ganho expressivo para todos, pois incumbências importantes seriam assumidas para manter a atividade e cooperar na produção do bem-estar. Se evitarmos pensar de modo restrito, como quem faz caridade, a inserção deste indivíduo pode significar a manutenção da paz e da harmonia no ambiente doméstico.
(*)Maria Luisa Trindade Bestetti é arquiteta e pesquisa sobre as alternativas de moradia para idosos no Brasil, especialmente sobre a habitação mas, também, o bairro e a cidade que a envolvem. Blog Acesse Aqui 
 http://www.portaldoenvelhecimento.com/moradias/item/3892-como-organizar-a-casa-quando-o-idoso-mora-com-a-familia

Novo post em TURISMO ADAPTADO

Brasileira viaja pelo mundo e divide suas experiências de acessibilidade

by Ricardo Shimosakai
Débora compartilha experiências pelo mundo através do portal viagemacessivelDébora compartilha experiências pelo mundo através do portal viagemacessivel.com
Débora Pedroso é brasileira e mora há décadas nos Estados Unidos. Ela perdeu o movimento das pernas aos 10 anos de idade, por conta da Síndrome de Guillain-Barri, uma doença autoimune que ocorre quando o sistema imunológico do corpo ataca parte do próprio sistema nervoso por engano. Isso leva a uma inflamação dos nervos, que provoca fraqueza dos movimentos.
Graças ao esporte, ela se reencontrou, e, no basquete, conseguiu as respostas para algumas dúvidas que começavam a incomodá-la.
— O esporte abriu novos horizontes na minha vida. Foi um divisor de águas mesmo. O que eu via nesse momento de interação com outros cadeirantes eram pessoas casadas, mulheres com filhos, gente dirigindo, guardando cadeira de rodas, viajando, etc. — conta Débora.
Ela sempre fez de tudo e chegou um momento que resolveu compartilhar isso com todos através da Internet. Débora publica suas aventuras no portalViagemAcessivel.com, em que mostra lugares turísticos onde a acessibilidade é regra, e não excessão.
— Minha última viagem foi para o Canadá, onde eu conseguia andar de ônibus e metrô sozinha. É o direito de ir e vir ao pé da letra. Tudo é pensado para todos conseguirem acessar — conta.
Segundo ela, no Brasil, ainda não existe essa consciência generalizada.
— Na última vez que estive em Búzios, eu detestei. A Rua das Pedras não oferecia a mínima condição para o meu trânsito na cadeira de rodas. E quando visitei a cidade do Rio, fui enganada pelas empresas de ônibus, que adesivaram todos os veículos para cadeirantes, porém, os equipamentos instalados (a maioria) não funcionam ou os motoristas não sabem manusear — finaliza Débora.
Fonte: Como Será?

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Peço desculpas pela publicação tardia, mas mais tardia ainda é nossa competência social quanto à inclusão dos "diferentes" em geral

VOU PASSAR O NATAL DE ROUPA NOVA!

   Minha nova amiga Josiane, ao dizer espontaneamente esta frase, há poucos dias, acabou sem saber, dando para mim o presente de Natal mais significativo deste ano.
   Josiane é cadeirante, e concordou em ser minha parceira, junto com outras duas pessoas com deficiência (um perdeu parte do braço, para ele fiz bermuda com fecho velcro, outra precisou retirar um seio, e criei top que refaz o volume perdido), em meu trabalho de conclusão de curso, da faculdade. A tarefa incluía desfilar para os examinadores com as novas roupas, ganhando a mesma de presente depois, e foi na preparação que ouvi a frase acima.
   Sou Andrea, docente de modelagem e costura na escola SENAI de Americana.
   Minha primeira percepção dos limites que a vida impõe aconteceu com meu irmão, que nasceu deficiente auditivo. Ele é adulto, trabalha, mas minha família poderia ter uma vida mais confortável se nosso país fosse mais inclusivo.
   A segunda percepção marcante aconteceu ao compartilhar em várias aulas de curso de corte e costura, que eu ministrava como voluntária, em comunidade carente, o esforço imenso que uma aluna cadeirante fazia para trazer sua filha para nossas atividades.
   Escolhi cores, textura e capacidade de ventilação dos tecidos, desenhando para Josiane uma blusa feminina, amarela, com leves babados, e uma saia preta bem confortável e elegante. Ambas as peças permitem que a pessoa se vista com independência e facilidade de fechamento.
   Estaremos, neste Natal, cada uma com sua família, mas juntas na alegria de nossos corações, felicidade somada e multiplicada em noite de tantos significados.
 “Eu tenho certeza de que a gente podia/Fazer com que fosse Natal todo dia.” – Roupa Nova.

Caso real, Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga, e-mail: bfritzsons@gmail.com
Oferecemos arquivo de textos específicos, de documentos, leis, informativos, notícias, cursos de nossa região (Americana), além de publicarmos entrevistas feitas para sensibilizar e divulgar suas ações eficientes em sua realidade. Também disponibilizamos os textos pesquisados para informar/prevenir sobre crescente qualidade de vida. Buscamos evidenciar assim pessoas que podem ser eficientes, mesmo que diferentes ou com algum tipo de mobilidade reduzida e/ou deficiência, procurando informar cada vez mais todos para incluírem todos.