terça-feira, 9 de dezembro de 2014

“Violar é uma forma de disciplinamento”. Entrevista com Susana Chiarotti Boero

“A violação é uma ferramenta política de disciplinamento que o patriarcado utiliza desde as suas origens para recordar à mulher que deve ocupar um papel de servidão e de obediência ao homem”, assinalou a advogada Susana Chiarotti Boero, representante da Argentina no comitê de especialistas da OEA que monitora o cumprimento por parte dos Estados da Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra as mulheres, conhecida como Belém do Pará.
Em uma entrevista ao Página/12 Chiarotti conversou sobre a violência sexual, uma das formas de violência machista, em um ano em que a sociedade se comoveu com vários casos de adolescentes que foram abusadas e assassinadas, como a jovem Melina Romero. E advertiu que, se o Governo “realmente se interessa em prevenir estas condutas, tem que contar com políticas de Estado, duradouras e sustentáveis, que mostrem que não se tolerará a discriminação e o atropelo das cidadãs; que cada agressão contará com uma resposta clara e contundente do sistema de justiça – e não com a impunidade ou o festim midiático. Além de lançar um plano federal de prevenção da violência contra as mulheres, com capítulos provinciais, que tenha recursos orçamentários consideráveis, especialmente carimbados para a violência contra as mulheres, meninas e adolescentes”.
Chiarotti formou-se em Direito em 1974, em Rosario, onde fundou em 1996 o Instituto de Gênero, Direito e Desenvolvimento (Insgenar) que, atualmente, dirige. Tem uma longa trajetória na defesa dos direitos humanos. Faz parte, entre outros espaços, do Cladem – Comitê da América Latina e Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres.
A entrevista é de Mariana Carbajal e publicada no jornal Página/12, 05-12-2014. A tradução é de André Langer.
Eis a entrevista.
Vieram à tona nos últimos tempos alguns casos de adolescentes violadas por outros adolescentes ou jovens conhecidos do bolim ou do colégio. Também nos Estados Unidos surgiu, como problemática visível, a violação de estudantes em campus universitários por parte de outros estudantes...
Não creio que estes fatos sejam um fenômeno novo, mas que têm agora uma visibilidade que era impensável há anos. Recordemos o filme La Patota, onde Mirtha Legrand, jovem docente, era violada por um grupo de jovens alunos...
O que se coloca em jogo na violação em grupo e de uma companheira?
A violação é uma ferramenta política de disciplinamento que o patriarcado utiliza desde as suas origens. Serve para recordar à mulher que deve ocupar um papel de servidão e de obediência ao homem; que deve limitar suas saídas e diversões; permanecer no lar e não tomar as ruas, o espaço público, que pertence aos varões. Não importa quão modernos sejam a roupa, o celular ou os carros que os jovens tiverem. No fundo, arrasta-se algo atávico sobre a inferioridade das mulheres. Os varões sentem que é preciso recordar a elas o tempo todo que não são iguais aos varões, nem têm os mesmos direitos, especialmente, o da liberdade de circulação, em qualquer lugar e a qualquer hora.
Parece que apesar de tantos anos de lutas feministas, nas novas gerações se segue pensando que há meninas que são para consumir e descartar... Por que pensa que isto ocorre?
Pensemos que as lutas feministas foram descontínuas. Após ferozes derrotas, como, por exemplo, a das revoluções francesas, como Olimpia de Gouges, os avanços se detêm, há retrocessos e só são retomadas décadas ou séculos depois. A última onda feminista dura cerca de 40 anos e os avanços produzidos na questão da violência são impressionantes. Mas não chegam a desconstruir uma cultura de quatro milênios ou mais de patriarcado que permeou cada aspecto das nossas vidas. Não creio que devemos desanimar, senão pensar que estamos em uma mudança cultural gigantesca, que é como uma escada com muitos degraus e só podemos subir alguns.
Como o Estado deve agir para prevenir estas condutas?
Se o Estado realmente se interessa em prevenir estas condutas, tem que contar com políticas de Estado, duradouras e sustentáveis, que mostrem que não se tolerará a discriminação e o atropelo das cidadãs; que cada agressão contará com uma resposta clara e contundente do sistema de justiça – e não com a impunidade ou o festim midiático. Além de lançar um plano federal de prevenção da violência contra as mulheres, com capítulos provinciais, que tenha recursos orçamentários consideráveis, especialmente carimbados para a violência contra as mulheres, meninas e adolescentes. O compromisso político para com este tema não se mostra com declarações, mas com medidas concretas. Este plano deveria incluir campanhas permanentes com mensagens claras, mudanças curriculares desde o jardim de infância até a universidade, programas de democracia familiar, de não tolerância do assédio nos locais de trabalho e nos espaços públicos. Também enfrentar a distribuição das tarefas de cuidado e estimular a participação das mulheres na tomada de decisões, desde o plano local até o nacional. E depois, sistemas de estatísticas para poder medir a evolução da situação e sistemas de avaliação de cada programa e política.
Como analisa o problema da violência para com as mulheres neste momento? Os casos de femicídios parecem aumentar na Argentina e alguns manifestam um enfurecimento feroz. A que responde esta tendência?
O fato de que uma grande porcentagem de mulheres tenha agora um relativo grau de autonomia econômica ou esteja informada sobre a violência de gênero, permitiu que tomassem decisões autônomas e também cortar laços com um companheiro com quem não se sentem à vontade. Ou seja, permitem-se cortar uma relação. Essa autonomia ou essa possibilidade irrita os varões que não reconfiguraram seu papel diante dos novos modelos de mulher. A reação é feroz.
Um centro integral da mulher do município de La Plata oferece um curso de defesa pessoal para mulheres vítimas de violência. O que acha disso?
Vou lhe responder desde o estômago. Eu gosto do fato de que as mulheres saibam se defender e contem com habilidades para isso. Também penso que uma mulher que pode e sabe se defender está mais empoderada que outra que não sabe ou não pode. Isso não significa que acredite que seja a solução para a violência de gênero. Esta última questão é muito complexa, multicausal e requer uma abordagem a partir de muitas áreas. Não falaria em fragilidade das mulheres, mas é uma realidade que, em geral, temos cerca de 30% a menos de força física que os homens e isso, muitas vezes, pode colocar-nos em desvantagem. Estas desvantagens podem ser supridas com habilidades, como ensinam nas artes marciais chinesas. Enfim, não é o único caminho nem o suficiente, mas não é demais. A iniciativa também não é nova. Em 1992, estive em Nova Jersey participando de uma oficina que algumas feministas norte-americanas ofereciam sobre a defesa pessoal, onde ensinavam truques para tirar proveito da fraqueza física em casos de agressão. E elas já estavam trabalhando há vários anos com isso.
É possível pensar em uma vida livre de violência de gênero? Ou é uma utopia?
Sim, é possível pensar uma vida livre de violência de gênero, mas para isso é preciso dissolver os nós de poder centrais, que são políticos e requerem pensar também em outro Estado. Atualmente, ter as mulheres dominadas de alguma maneira e confinadas a papeis tradicionais permite ao Estado e aos varões continuar contando com o seu trabalho gratuito, tanto para a reprodução humana como para a reprodução da força de trabalho. Sem a dedicação majoritária de milhões de mulheres às tarefas de cuidado, de maneira gratuita, seria impensável que a atual economia subsistisse. Por outro lado, a participação política das mulheres, apesar dos avanços, nunca chegou à paridade que havíamos pedido na Cúpula de Quito, há quatro anos. Teríamos que pensar em outro modelo de Estado. A violência de gênero permite manter as mulheres exercendo esse papel. Se nós ficarmos em medidas isoladas e não virmos que há um nó econômico e outro político para desfazer, nunca abordaremos a questão central do problema.
FONTE:http://www.ihu.unisinos.br/noticias/538243-violar-e-uma-forma-de-disciplinamento-entrevista-com-susana-chiarotti-boero
No caderno Mercado, da Folha de São Paulo, de 09-12-2014

  1. 'Pessoas estão mais ricas, mas vida hoje é mais pobre', diz ...

    www1.folha.uol.com.br/.../1559430-superficialidade-da-vida-atual.shtml
    14 horas atrás - 'Pessoas estão mais ricasmas vida hoje é mais pobre', diz filósofo ... O diagnóstico é do filósofo canadense Barry Stroud, 79, professor da  ...


Caderno Mercado, Folha de São Paulo, 9 dezembro de 2014.

  1. Soluções de abundância - 09/12/2014 - Nizan Guanaes ...

    www1.folha.uol.com.br/.../nizanguanaes/.../1559579-solucoes-de-abund...
    14 horas atrás - Afinal, 2014 foi um ano bom ou ruim? Cada um tem sua resposta. O que se pode dizer geralmente sem errar é que os pessimistas precisam ...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A difícil arte de sair de cena sem perder a autoestima

Escrito por  Renato Bernhoeft(*)
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a-dificil-arte-de-sair-de-cena-sem-perder-a-autoestima-fotodestaqueNo trato do tema Pós-carreira já foi possível concluir que quanto mais alto o nível hierárquico, e sua respectiva representatividade, maior o conjunto de dificuldades dos seus ocupantes em lidar com esta mudança de “status” e posição de poder. Este artigo é uma provocação para que o tema seja discutido em rodas de final de dia nas empresas e também nas casas de cada um dos profissionais.
O melancólico final de carreira vivido pelo personagem José Sarney, no papel de Presidente do Senado da República do Brasil, deve ser olhado por empresários, executivos, profissionais liberais, esportistas, artistas, etc. como mais uma lição relativa à dificuldade em manter-se, de forma altiva, como autor da sua própria biografia.
Deputado; Governador; Senador e Presidente da República constam do seu longo “curriculum” de EX. – Ser um EX é pior que ser Vice, pois o segundo ainda pode ser chamado a substituir o principal, de forma interina.  Mas ele – José Sarney - ainda se mantém como escritor, empresário e membro da Academia Brasileira de Letras.
O que se pode constatar do seu comportamento mais atual é que, infelizmente, nada de todo este percurso criou a condição pessoal que o impedisse de assumir o papel de vítima, frente à sociedade brasileira. E mais grave ainda, procurando utilizar sua história passada como argumento de defesa da situação presente.
E uma – entre várias - das razões para que esta deprimente situação ocorra, é que boa parte das pessoas que alcançam prestígio, e reconhecimento público, nem sempre conseguem estabelecer a diferença entre o “personagem” – que é colocado na condição de celebridade – e o ser humano, com todas as suas fragilidades, dilemas e transições da vida.
Encontrar exemplos de figuras públicas que conseguiram “transitar” neste processo de forma positiva não exige retroceder muito no tempo.
Dois ex-presidentes de grandes nações – François Mitterrand e Ronald Reagan – perceberam que por razões várias – doença, envelhecimento, perda do poder de influência ou mudanças históricas - era chegada a hora de despedir-se da vida pública. E o fizeram de forma altiva, permitindo que seus respectivos legados ultrapassassem sua existência. E parte deste sucesso foi obtido na medida em que conseguiram reescrever seus percursos, ainda em vida.
No mundo dos esportes Gustavo Borges, Pelé – para ficar apenas em alguns – entenderam, muito cedo, que o auge de suas carreiras não era garantia suficiente para manter a autoestima e o reconhecimento público dos personagens que se tornaram. Tiveram a humildade, e inteligência, de se reinventarem para uma nova fase de suas vidas. E estas atitudes, bem como suas respectivas ações, puderam representar um significativo conjunto de resultados positivos, tanto para a vida pessoal como profissional. Não se deixaram iludir pelo “personagem”, que cada um se tornou, em um momento das suas vidas.
O que é importante analisar, com base neste conjunto de provocações e casos reais, é o quanto eles podem representar uma oportunidade para que cada profissional, pare e reflita sobre o tema. Mas, acima de tudo, passe a estabelecer como prioridade, da sua vida e carreira, um maior controle sobre os impactos que os momentos de transição no “mundo do trabalho” irão provocar.
Em nossa experiência no trato do tema Pós-carreira – transição para eventual aposentadoria – já foi possível concluir que quanto mais alto o nível hierárquico, e sua respectiva representatividade, maior o conjunto de dificuldades dos seus ocupantes em lidar com esta mudança de “status” e posição de poder.
As grandes corporações transformam seus altos executivos em “personagens importantes” propiciando-lhes, de forma transitória, uma série de símbolos que alimentam vaidades e admiração. E os mesmos se iludem acreditando que, todo este conjunto de benesses e mordomias, é produto de conquistas suas. Efetua uma perigosa mistura entre o que é sua competência e aquilo que a organização lhe “empresta” de forma temporária. Ou seja, um sobrenome corporativo que faz surgir um personagem, muitas vezes desvinculado da figura individual.    
Alguns fatores atuais têm feito aumentar, significativamente, este risco e ilusão. Eis alguns exemplos: Destaque nas várias mídias, colunas sociais, premiações e literatura de autoajuda; Aumento nos índices de longevidade; Maior qualidade de vida proveniente de cuidados físicos e da saúde; Reconhecimento público, admiração e fácil acesso às diferentes estruturas de poder; Possibilidade de isolamento do mundo real através de instalações físicas, barreiras hierárquicas e disponibilidade no uso de recursos para a segurança pessoal; entre outros.
Este artigo nada mais é do que uma provocação para que o tema seja discutido em rodas de final de dia nas empresas e também nas casas de cada um dos profissionais. Pode ser o começo de uma nova etapa de vida.  
    
(*)Renato Bernhoeft é presidente da Höft Consultoria. Parceiro da Angatu IDH em Programas de Pós Carreira. Autor de várias publicações nas temáticas: trabalhar e desfrutar: equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Colaborador do Portal do Envelhecimento. Email: contato@angatuidh.com.br
FONTE:http://www.portaldoenvelhecimento.com/carreiras/item/3458-a-dificil-arte-de-sair-de-cena-sem-perder-a-autoestima
Lançamento do guia “Passo a Passo para a Construção de um Plano de Mobilidade Urbana”
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EMBARQ Brasil lança publicação com o passo a passo dos planos de mobilidade urbana (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)
A matéria-prima chave de qualquer plano de mobilidade urbana – o elemento que será a base do planejamento do futuro das cidades – somos nós: as pessoas. Esse foi o foco do painel Planos de Mobilidade Urbana: Planejando para as Pessoas, realizado durante o Seminário Mobilidade Urbana Sustentável – Práticas e Tendências e também a ocasião para o lançamento do guia Passo a Passo para a Construção de um Plano de Mobilidade Urbana, produzido pela EMBARQ Brasil, produtora deste blog.
A publicação, fruto das diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), adapta as melhores práticas internacionais à realidade brasileira, em uma abordagem didática e ilustrativa para orientar as cidades brasileiras quanto às etapas do desenvolvimento de um plano de mobilidade urbana.
Clique na imagem para fazer o download.
Nívea Oppermann, coordenadora de Desenvolvimento Urbano da EMBARQ Brasil, apresentou o novo guia ao público do Seminário, composto por representantes de 40 cidades e de diversas instituições ligadas ao setor. “A PNMU modifica o parâmetro de prioridades, que passam a ser as pessoas e não mais veículos motorizados”, apontou Nívea, salientando que o processo deve ser legitimado pela gestão democrática e participativa.
O Passo a Passo explica os sete passos essenciais da formulação do plano, considerando as 26 atividades simultâneas que devem ser lideradas pelas administrações de cada cidade, de acordo com as necessidades locais.

 
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PROJETOS - EDUCAÇÂO e CULTURA INCLUSIVOS - ACESSE:
http://www.maisdiferencas.org.br/site/noticias/

Guia de Acessibilidade Cultural

Guia de Acessibilidade Cultural
Guia com informações sobre a acessibilidade dos equipamentos culturais da cidade de São Paulo avaliados pela equipe do projeto. 

Realização: Instituto Mara Gabrilli

Assunto: acessibilidade em espaços culturais

Ano: 2012

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Home  Acessibilidade cultural
Cultura
banner Guia de Acessibilidade Cultural
 
GUIA DE ACESSIBILIDADE CULTURAL
Produção de Guia com informações sobre a acessibilidade dos equipamentos culturais da cidade de São Paulo avaliados pela equipe do projeto. O Guia impresso será distribuído para Secretarias Estaduais ligadas a Cultura, Educação, Turismo, instituições e órgãos do governo ligados a temática da deficiência, sempre acompanhado com um audiolivro.
 
O Guia está disponível na internet, no endereço http://acessibilidadecultural.com.br, que atende a requisitos de acessibilidade, onde também se pode fazer pesquisa filtrada por tipo de equipamento, região da cidade ou palavra-chave.
 
Durante a pesquisa foram avaliados os seguintes itens:
  • Acessibilidade física
  • Acesso a informações
  • Acesso ao conteúdo e mediação
  • Propostas inclusivas

OBJETIVOS
Oferecer um serviço de informação para a população de São Paulo e para os turistas com deficiência que queiram consumir cultura. 
Avaliar as condições de acessibilidade dos equipamentos culturais
Sensibilizar a sociedade sobre a importância da acessibilidade
Reconhecer as iniciativas positivas como exemplo de boas práticas
 
Locais avaliados (aproximadamente 320)
Bibliotecas |  Museus | Cinemas | Casas de espetáculos | Teatros | Centros Culturais

CLIPPING 
Matérias e noticias sobre o Guia de Acessibilidade Cultural veiculadas em jornais, revistas, sites e outros meios de comunicação.
 

EQUIPE
 
Viviane Sarraf: Fundadora da empresa Museus Acessíveis e atua na FDNC.
Graduada em Educação Artística - FAAP, especialização em Museologia - MAE-USP, mestre em Ciência da Informação USP e doutoranda em Semiótica - PUC-SP. 

Silvana Cambiaghi: Arquiteta, mestre em Desenho Universal FAU-USP. Presidente da CPA de São Paulo. Docente dos cursos de Acessibilidade– FAU-USP e SENAC.

Cláudia Cotes: Fonoaudióloga, doutora em linguística. Presidente da ONG Vez da Voz. Criou o Telelibras, o primeiro telejornal inclusivo do país. 

Arthur Calasans: Fotógrafo premiado pela OMS e CVI - RJ. Participou de exposições coletivas como o Arte Inclui, promovida pela Prefeitura de São Paulo. Trabalhou nos portais IG e Universia Brasil, e no Instituto Paradigma.
 
Patrícia Zuvia: Formada em administração, atua na gestão de projetos sociais no terceiro setor e no setor público há mais de 10 anos. 

Projeto aprovado na Lei Rouanet (art. 18), realizado com o patrocínio da SABESP e o apoio do Governo de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura. 
 
 
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domingo, 7 de dezembro de 2014

Depoimento - Caso Real

Dias de 30 anos, dias de 90 anos


    De verdade tenho 73 anos, meu nome é Tereza. Gosto de casa cheia, no Natal, nos aniversários. Ela é grande, com um quintal também grande, em que armamos uma piscininha que é a alegria da criançada. Capricho na comida, mas  é difícil para filhos, noras, netos e bisnetos perceberem que também posso ficar cansada, enjoada, ou estar num dia de menor disposição.
    Sou informada – “Vou almoçar ai”! Não consigo explicar que nesta idade a energia pode variar. Há dias em que me sinto mais jovem , e dias em que me sinto velhíssima, sem  vontade de nada. Como explicar sem magoar? Não quero afastá-los, então vou levando.
   Procuro compensar esta agradável demanda criando um espaço meu – freqüento grupo de terceira idade, em que fazemos orações e jogamos bingo, faço hidroginástica vou a excursões.
   Tenho quatro filhos de meu segundo casamento, oito netos e três bisnetos.
   Em meu primeiro casamento tive a felicidade de adotar, aos vinte e sete anos, um menino que Deus pôs em meu caminho, uma jóia boa. Meu marido amava esta criança. Ficou conosco até vinte e nove anos, um acidente o levou embora. Acidente vascular cerebral levou este marido também.
   Meus pais moravam em sítio, eu precisava ajudar na lavoura e queria muito estudar. Criança, como poderia enfrentar o pensamento de que filha mulher não precisa saber ler ou escrever, é coisa de rico, é só para poder namorar... Este fato me deixa com uma espécie de revolta com esta peça do destino. E se eu pudesse ter estudado como teria sido minha vida?
   Ainda hoje existem pais que pensam assim. Empobrecem a vida de todos.


“Cada idade tem sua beleza e esta beleza deve sempre ser uma liberdade” – Robert Brasillach

Caso real, Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga, e-mail:bfritzsons@gmail.com
Oferecemos arquivo de textos específicos, de documentos, leis, informativos, notícias, cursos de nossa região (Americana), além de publicarmos entrevistas feitas para sensibilizar e divulgar suas ações eficientes em sua realidade. Também disponibilizamos os textos pesquisados para informar/prevenir sobre crescente qualidade de vida. Buscamos evidenciar assim pessoas que podem ser eficientes, mesmo que diferentes ou com algum tipo de mobilidade reduzida e/ou deficiência, procurando informar cada vez mais todos para incluírem todos.