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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Surf: Esporte radical para cegos

Globo Esporte

Cego brasileiro destrói limites, surfa em Pipeline e ganha telas de cinema.

Bruno Lemos viu aquele menino com deficiência visual entrar em uma igreja no Havaí e lamentou. “Eu pensei: ‘Que pena um rapaz cego aqui, não vai conseguir ver e curtir a beleza local’”, relembra. Mas não demorou para que o garoto provasse que sabia aproveitar aquele pedaço de paraíso como ninguém.

Apresentado ao capixaba Derek Rabelo por amigos em comum, o fotógrafo se impressionou com a história daquele jovem de 17 anos que lutou contra o preconceito para aprender a surfar. Anos mais tarde, depois de ter dividido ondas com gente como Kelly Slater, Gabriel Medina e Mick Fanning, o rapaz é o protagonista do documentário "Além da Visão", que está sendo filmado por Bruno e por Luiz Werneck, ainda sem data para estrear.

A história de Derek conquistou o mundo do surfe rapidamente. O menino, hoje com 20 anos, nasceu cego em Guarapari, filho de um casal apaixonado pelo esporte. Tanto que recebeu seu nome em homenagem ao havaiano Derek Ho, campeão mundial em 1993. E, com o tempo, foi perdendo o medo do preconceito para que pudesse realizar o sonho de aprender a surfar.

- Eu sempre morei perto da praia, minha família toda surfava. Chegou um momento da minha vida que eu quis surfar, quando tinha 17 anos. Eu sabia que a galera estava indo surfar e ficava na vontade. No início, foi meio complicado, estressante. Eu tentava surfar todo dia, o treinador ficava sempre à disposição. A galera me dava muita força, incentivava. E eu consegui – disse o surfista, em entrevista por telefone.

Foi quando começou a nutrir sonhos maiores. Incentivado pelo amigo Magno Oliveira, um dos principais nomes do bodyboard nacional, Derek quis conhecer o Havaí. Melhor: queria surfar a Pipeline, conhecida por ser uma das maiores e mais perigosas ondas do mundo. Tirou o visto americano e embarcou. E, mesmo em um lugar por vezes avesso a surfistas estrangeiros, conquistou a confiança e a simpatia local para atingir um feito até então impensável.

- Pipeline foi a bênção de Deus na minha vida, fiquei “amarradão” em fazer isso. Foi uma situação muito diferente, água quentinha, altas manobras. O pessoal do Havaí me deu muita força, gostaram da minha história e deram paz para que eu pudesse surfar a Pipeline. Foi um momento muito maneiro também - explica Derek, que precisa da ajuda de outro surfista para orientá-lo, gritar e empurrá-lo na hora exata de entrar na onda.

Derek ganhou as páginas dos jornais e foi protagonistas de matérias na televisão havaiana. Sua história circulou o mundo e ganhou fãs de peso, como Slater e Fanning, que logo quiseram conhecer o "brasileiro cego que havia surfado a Pipeline".

Foi nessa época que Derek se encontrou com Bruno. O fotógrafo, que se mudou para o Havaí em 1991, aos 21 anos, se impressionou com a força do menino. E, já com a ideia de se arriscar pelo cinema, pensou em “adotar” o capixaba como protagonista de seu documentário. Chamou o amigo Luiz Werneck, já com experiência cinematográfica e na televisão, e começou a gravar em locações como Rio de Janeiro, Espírito Santo e, claro, Havaí, mesmo sem garantias de lançamento. Lançou um vídeo de pouco mais de três minutos no "YouTube", que, em poucas semanas, teve quase 500 mil visualizações. O que o motivou a dar sequência ao projeto, que já tem um trailer, com depoimentos de gente como Carlos Burle, Evandro Mesquita e Gabriel, o Pensador.

- Quando nós colocamos o Derek na frente da câmera e começamos a entrevistá-lo, vimos que a sua história era realmente incrível e achamos que tínhamos em mãos um grande potencial para fazer um bom documentário. Mas o filme não poderia ser somente sobre ele. Resolvemos, então, tentar mostrar um pouco de como pessoas com deficiência visual “enxergam” o mundo e como eles vivem. Mas, ao mesmo tempo, não queríamos fazer nada muito “profundo” ou “melancólico”. Queríamos fazer algo alegre e que pudesse vir a motivar e servir de exemplo para todos – disse o diretor.

Nos últimos dias, a equipe aproveita a etapa de Trestles do Mundial para gravar mais algumas cenas. Derek, inclusive, participou da transmissão via internet do campeonato. Conversou com o ídolo Taj Burrow e ouviu uma série de elogios do australiano.

- Ele é muito mais talentoso que eu. Está conseguindo coisas sensacionais, merece muito estar onde está e ainda mais – disse o surfista.

Derek, então, fez o pedido:
- Quero dividir uma onda com você – falou o garoto.
Bruno espera que a história de Derek possa incentivar outros meninos, com ou sem deficiência a praticar esportes.

- Na verdade, no início, nós imaginamos que isso seria uma das coisas principais que iriam acontecer. Mas com o passar do tempo, percebemos que o “efeito Derek” estava atingindo todos os tipos de pessoas, independentemente da idade, da classe social. O que mais vimos até agora foram pessoas “comuns”, atletas, pessoas famosas, virem até nós para dizer que ficaram extremamente tocados e motivados a realmente tentar mudar de atitude em relação à maneira que eles vivem e da maneira que enxergam a vida.
Os diretores, no entanto, ainda esperam apoio para finalizar o projeto. Bruno tem, inclusive, a cena perfeita para encerrar o documentário.

- É o meu primeiro filme como diretor. E eu quero um final bem emocionante. Estamos tentando fazer sem orçamento até agora, só nos preocupamos em contar a história. Mas estou tentando trazer os pais dele para Pipeline. Queria que eles o vissem entrando em Pipeline. Sempre sofreram muito com discriminação. Tiveram problemas para colocá-lo na escola, em campeonatos de surfe. Foi uma vida sofrida. E os dois gostam muito de surfe. Tanto que deram o nome dele em homenagem ao Derek Ho, que participa do filme. Queria colocá-los na mesma onda em Pipeline, com os pais vendo. Seria um final legal – afirmou o diretor.

Fonte

 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pesquisa aponta impacto da prática esportiva em pessoas com deficiência

Estudo da Allianz e da TNS Infratest revela que o esporte aumenta a autonomia e melhora a qualidade de vida.

Este e outros infográficos estão publicados no link ao final da matéria

Por Eric Bragion

A Allianz, em parceria com a TNS Infratest, realizou um estudo na Alemanha sobre o papel do esporte na vida de pessoas com deficiência física. A pesquisa aponta que a prática esportiva é um meio para se obter mais autonomia e menos restrições, auxiliando na volta às atividades do dia a dia e na melhora da qualidade de vida.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 20 a 50 milhões de pessoas por ano adquirem lesões não fatais somente em acidentes de carros, o que pode refletir em perdas permanentes ou podem ser reduzidas com exercício regular.

“Depois de um acidente, o esporte é normalmente uma parte importante da reabilitação, o que ajuda na recuperação da forma física. Por meio dele, pessoas com e sem deficiência podem fazer parte da sociedade e melhorar a sua autoconfiança”, lembra o presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Sir Philip Craven.

A internet tem um papel importante no acesso ao esporte para pessoas com deficiência física, revelou o estudo. Esse canal aumenta o fluxo de informação sobre a prática de atividades físicas e a perspectiva de participar delas. Além disso, instalações desportivas, oportunidades de treinamento, comunicação e a troca de informação entre centros esportivos e entusiastas de diversas modalidades têm o acesso facilitado no mundo on-line.

Em geral, é considerado extremamente difícil saber como lidar com pessoas com deficiência, tanto na vida cotidiana quanto na prática esportiva. “Grandes eventos, como os Jogos Paralímpicos de Londres 2012, podem ajudar a fortalecer a posição do esporte adaptado na sociedade e quebrar preconceitos”, diz o Head de Group Market Management da Allianz SE, Joseph K. Gross. “O profissionalismo, ambição e espírito de equipe dos atletas paralímpicos os levam para a excelência e os tornam estrelas e exemplos para todos nós”.


Fonte

IMPORTANTE:

Pessoas com deficiencia em Americana: a Secretaria de Esportes organiza turmas para natação adaptada em Fevereiro e Agosto. Também oferece atletismo adaptado segunda, quarta e sexta-feiras. 
Fazer contato com o professor Marcio pelos telefones 3406-1043 ou 3406-6111 para maiores informações. Email: centrocivico@americana.sp.gov.br
























quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Atletas paulistas recebem homenagem do Governo de São Paulo pelo desempenho nas Paralimpíadas de Londres

Os atletas brasileiros trouxeram 43 medalhas para o Brasil e deixaram o país em 7º lugar no ranking mundial

Homenagem aos Atletas do Time São Paulo Paralímpico, do Governo do Estado de São Paulo

Há 11 anos, o 11 de setembro passou para a história mundial como uma data carregada de lembranças de medo e de morte. Em 2012, no Brasil, o 11 de setembro ganhou um novo significado e passou a representar reconhecimento pela superação e garra de algumas pessoas que fazem a diferença justamente pela coragem e persistência em vencer desafios. Nessa terça, 11/09, os atletas brasileiros que estiveram nas Paralimpíadas de Londres voltaram ao Brasil e os atletas de São Paulo foram recebidos com todas as honras merecidas.

Os atletas paulistas da delegação brasileira que suaram a camisa em Londres nas Paralimpíadas, receberam homenagem das mãos da Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Dra. Linamara Rizzo Battistella, do Governador Geraldo Alckmin, do presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons e do Secretário de Esporte Lazer e Juventude, José Benedito Pereira Fernandes.

Os atletas do Time São Paulo Paralímpico chegaram ao Aeroporto Internacional de Cumbica e saíram em carro aberto do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. Passaram pela rua mais famosa da cidade, a avenida Paulista, onde receberam acenos e aplausos dos transeuntes e admiradores. Foram recepcionados no Palácio dos Bandeirantes de forma calorosa, com muita emoção por parte de quem ficou por aqui na torcida por todos os medalhistas que lá estiveram e fizeram bonito, com a conquista de 43 medalhas: 21 de ouro, 14 de prata e oito de bronze. No Palácio do Governo, os vencedores dos Jogos Paralímpicos de 2012 ganharam Medalhas de Mérito Esportivo e Certificados.
A Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Dra. Linamara Rizzo Battistella, ressaltou que os atletas paralímpicos “levam no peito e no coração o melhor de cada um”. Ela ainda apontou a visibilidade e a valorização do paradesporto dada pelo Estado de São Paulo. “Fomentar o esporte de forma diferenciada garante que cada um seja reconhecido como peça importante desse jogo, um jogo sem perdedores, só de ganhadores”, frisou.

Dra. Linamara lembrou a importância do Comitê Paralímpico Brasileiro e a meta alcançada no ranking mundial. “Esse notável líder, o presidente Andrew Parsons, teve a ousadia de sonhar com o sétimo lugar”. A Secretária homenageou os medalhistas e destacou os recordes quebrados por alguns deles, como Daniel Dias, Andre Brasil e Alan Fonteles, esse último  “venceu a barreira do tempo”. Nesse clima, Dra. Linamara finalizou com emoção. “Acima da vitória está o coração e o Brasil foi capaz de mostrar que a vitória está na sinergia, na parceria, que o espírito olímpico está acima das vitórias e não apenas em uma luta, mas para a vida toda”.

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons lembrou que no ano passado “a Dra. Linamara foi eleita a Personalidade Paralímpica do Ano, agora concorre ao Bi”. Parsons destacou a importância de todos os atletas e destacou o desempenho de Alan Fonteles, que surpreendeu a todos quando venceu o adversário sul-africano Oscar Pistorius. “Ele era tão favorito que todo o estádio olímpico londrino vibrou quando anunciaram o nome de Pistorius, dando como certa sua vitória”. Mas Alan Fonteles, próximo da reta de chegada, o ultrapassou de forma a deixar todos “desconcertados”. Quem acompanhou as narrações dos apresentadores pode observar a surpresa do resultado final, em especial nessa competição. “Na linha de partida todos somos iguais, e na partida de Pistorius o mundo teve que aplaudir Alan Fonteles, Alan simboliza a luta dessa Paralimpíada”, destacou o presidente do CPB. Parsons ainda afirmou que “se o Time São Paulo fosse um país, estaria em oitavo lugar no ranking mundial”. Em uma analogia, Parsons destacou que o Governador Geraldo Alckmin é a Camisa 10, por ser o cérebro da iniciativa (investir em atletas do paradesporto), e a Dra. Linamara, a Camisa 9 - quem faz gols.

O Secretário de Esportes José Benedito Pereira Fernandes ressaltou que “todos os atletas paralímpicos trouxeram resultados” e destacou que “São Paulo não mede esforços para que o esporte cresça cada vez mais. De 225 projetos aprovados no Estado, 28 são para pessoas com deficiência”. Destacou também que há 16 centros de excelência esportiva no Estado de São Paulo.

Entre os homenageados, o criador do Time São Paulo, que acreditou desde o início na ideia de ter um time diferenciado, com destacado apoio para atletas de ponta, o Assessor do Paradesporto da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Vanilton Senatore. Também recebeu medalha de mérito esportivo o Edilson Rocha (Tubiba), chefe da delegação do Time.

O Governador Geraldo Alckmin autorizou publicamente a renovação do convênio entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e o Comitê Paralímpico Brasileiro pra apoio aos atletas do paradesporto. “A professora Linamara já está autorizada a estudar o novo Convênio com o CPB”. O governador destacou o orgulho que o Time São Paulo levou para as competições e espera que no Rio, em 2016, a façanha seja repetida. ”A melhor maneira de apoiar e homenagear esses atletas é continuar com o apoio ao Time São Paulo Paralímpico. São cuidados médicos, nutricionais, material esportivo, bolsa atleta e muito mais”.

Daniel Dias, o nadador recordista mundial que trouxe na bagagem nada menos que seis medalhas de ouro, ganhas nas seis competições em que nadou, foi o porta-voz do Time São Paulo. Após agradecer em seu nome e do Time, ele “deixou” quem os homenageava sentir um pouco no peito o peso da medalha de ouro. Com seu largo sorriso, deu - por alguns momentos - cada uma de suas medalhas douradas para o Governador Alckmin, o Secretário de Esportes, a Dra. Linamara e o presidente do CPB, Andrew Parsons. Eles sentiram o “peso da responsabilidade”, mas antes que se “acostumassem” com tão valiosa preciosidade, Daniel já as foi recolhendo para deixá-las onde de fato - e de direito - devem ficar: em seu pescoço de campeão. Foram momentos de alegria e emoção.

A homenagem aos atletas contou com presenças distintas como a presidente da Laramara, Associação Brasileira de Apoio aos Deficientes Visuais, Mara Siaulys, de alunos e diretoria da APAE São Paulo e a representante da presidência do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência (CEAPcD), Yara Savine, a deputada estadual Célia Leão, entre outros.

O Time São Paulo levou 24 atletas para as Paralimpíadas de Londres. Fruto da parceria do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) com o Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Time São Paulo tem como objetivo principal preparar atletas de alto rendimento que tenham destaque em suas modalidades e chance de medalha em competições de peso, sobretudo os Jogos Paralímpicos de Londres 2012.



Confira quem faz parte do TIME SÃO PAULO PARALÍMPICO:

ATLETISMO

Terezinha Aparecida Guilhermina
Odair Ferreira dos Santos
Yohansson Nascimento Ferreira
Allan Fontelles Cardoso de Oliveira
Shirlene Santos Coelho
Daniel Mendes da Silva
Thierb da Costa Siqueira

Guilherme Soares Santana (atleta guia)
Carlos Antonio dos Santos (atleta guia)
Samuel Souza Nascimento (atleta guia)
Leonardo Souza Lopes (atleta guia)


NATAÇÃO

Daniel de Faria Dias
André Brasil Esteves
Carlos Alonso Farremberg



JUDÔ

Antônio Tenório da Silva
Daniele Bernardes da Silva
Lucia da Silva Teixeira



BOCHA

Elizeu dos Santos
Dirceu José Pinto


VELA

Bruno Landgraf da Neves
Elaine Pedroso da Cunha


REMO

Claudia Cícero dos Santos


CICLISMO
Soelito Gohr

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Biamputado após acidente na Indy, Zanardi é ouro em Londres

DE SÃO PAULO


PARAOLIMPÍADA
Italiano que perdeu pernas em 2001 é campeão no ciclismo que usa mãos 


Ex-piloto de F-1 e bicampeão da Indy, o italiano Alessandro Zanardi, 45, voltou a triunfar em uma pista.
Ontem, no circuito de Brands Hatch, Zanardi conquistou o ouro na prova de ciclismo contrarrelógio da Paraolimpíada de Londres.

Zanardi no ciclismo da Paraolimpíada

"É uma grande conquista", afirmou o italiano, que teve as duas pernas amputadas em 2001, após um acidente na Indy. "Uma das maiores da minha vida", completou.

Zanardi, que utiliza as mãos para impulsionar a bicicleta, completou o percurso de 16 km da prova em 24min50s22, mais de 27 segundos de vantagem para o segundo colocado, o alemão Norbert Mosandl.
"Quando um motor me empurrava, eu não percebia que [o circuito] era tão montanhoso", afirmou Zanardi, que foi o detentor do recorde de Brands Hatch na Fórmula 3.000 -na sua época, a pista não foi usada na F-1.

Sua jornada até o ouro na Paraolimpíada teve início no dia 15 de setembro de 2001, em Lausitz, na Alemanha.


Zanardi enfrentava uma temporada difícil e largou na 22ª posição entre 27 carros.
Numa corrida de recuperação, a 13 voltas para o final, estava na liderança.
Após seu último pit stop, seu carro foi atingido por Alex Tagliani. O impacto ocorreu a mais de 300 km/h.
No socorro ao piloto, o médico Terry Trammel lembra ter entrado na pista e escorregado no que ele achava ser óleo, mas era sangue.

Zanardi ficou em coma por três dias e sofreu ao menos uma parada cardíaca. Dois anos após o acidente, ele voltou a Lausitz para completar as 13 voltas que faltaram.
Após o acidente, Zanardi praticava o paraciclismo, mas só para manter a forma.
Em 2007, foi convidado por um de seus patrocinadores para participar de um evento na Maratona de Nova York.

Ele decidiu que, se fosse, teria de participar da maratona. Terminou em quarto lugar com a bicicleta adaptada. Em 2011, foi o campeão.
Quando competiu na maratona pela primeira vez, ainda era piloto -disputou o Mundial de Turismo, com carros adaptados, até 2009.

"Três anos atrás, eu me aposentei do automobilismo aos 42", disse Zanardi, que passou a se dedicar ao ciclismo. "Não foi a primeira coisa maluca que fiz na vida. No fim, eu estava certo", completou ele, que no ano passado ganhou a medalha de prata na prova contrarrelógio no Mundial de Roskilde (DIN).
"Trabalhei duro para chegar aqui. E fantástico viver esta experiência aos 45."

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cerimônia de abertura da Paraolimpíada tem Brasil ovacionado

JAIRO MARQUES
ENVIADO ESPECIAL A LONDRES

Faltando uma hora para o início da cerimônia oficial de abertura dos Jogos Paraolímpicos de Londres, quem se abriu para um estádio tomado por 80 mil pessoas foi o céu da capital britânica, que passou o dia todo encoberto e com muita chuva.

Delegação brasileira é uma das mais ovacionadas ao desfilar pelo Estádio Olímpico

Mas os ingleses pareciam ter combinado com o clima. O espetáculo começou justamente com chuva, mas de bolhas de sabão. Bailarinos com seus guarda-chuvas flutuaram pelo centro da apresentação em um dos momentos mais emocionantes da festa.

Isso após um avião de pequeno porte, cheio de luzes azuis e soltando faíscas, pilotado por uma pessoa com deficiência, cruzar o céu. O físico Stephen Hawking fez um breve discurso sobre respostas para os mistérios do universo e, em seguida, explosões de fogos simularam o "big bang".

Cumprindo o compromisso de dar aos paraolímpicos a mesma importância que deu ao evento dos atletas olímpicos, Londres levou a rainha Elizabeth 2ª para garantir a nobreza da festa.

Bailarinos flutuando

A delegação brasileira, com 182 para-atletas, foi ovacionada ao desfilar para o público no Estádio Olímpico. O nadador Daniel Dias, um dos maiores medalhistas do país, carregou a bandeira na cerimônia de abertura.

Para os inspiradores da competição, os melhores lugares do Estádio Olímpico. A arena teve ampliada, nos últimos dias, sua capacidade para receber cadeirantes, com cerca de 500 posições.

Havia áudio-guia do evento especialmente preparado para os cegos e transmissão simultânea em libras (língua dos sinais) e com legendas, nos telões. Após três horas de cerimônia, mais chuva. Dessa vez, de papel picado.

Em seguida, os discursos, todos envolvendo o lema dos Jogos: inspirar uma geração a mudar o mundo para melhor. Seis cadeirantes, numa precisão de movimentos incrível, entraram carregando a bandeira paraolimpíca.

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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Brasileiro sem pés é convidado para treinar com o Barcelona

Aos 11 anos, Gabriel Muniz chamou a atenção dos dirigentes do clube espanhol e vai viajar para conhecer seu ídolo, Lionel Messi 


São Paulo – Ainda não há futebol de campo nos Jogos Paralímpicos atuais, mas, se depender de um brasileiro de 11 anos de idade, essa modalidade deve ter um espaço garantido na competição futuramente. O menino Gabriel Muniz nasceu sem os pés, mas isso não o impediu de praticar o esporte e ter grande habilidade com a bola.


Depois de aparecer em um programa de TV, ele ganhou fama e foi convidado para visitar o FCBarcelona Camp do Rio de Janeiro, a “colônia de férias” do clube no Brasil. Lá, ele mostrou seu talento, foi visto pelos dirigentes da equipe e recebeu outro convite, ainda mais especial: viajar para a Espanha para treinar e conhecer seu maior ídolo, o argentino Lionel Messi.

O reconhecimento não veio apenas devido à deficiência, mas sim pela qualidade de sua atuação durante as partidas. Em entrevista divulgada em veículos nacionais e internacionais, o professor e o melhor amigo de Gabriel atestam sua competência e garantem que seus dribles, passes e gols são dignos de craque. Sua visita a Barcelona está marcada para o final de setembro, quando mostrará, mais uma vez, toda a habilidade que revela durante as aulas de educação física na escola.

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Tocha paralímpica acende as emoções de Clodoaldo e Ádria

Emoções semelhantes turbinaram os planos das duas legendas brasileiras que participaram do revezamento da tocha paralímpica em Londres na tarde desta quarta-feira (29). Depois de carregar a chama pelas ruas de Lewisham, bairro do sudeste da capital britânica, o nadador Clodoado Silva e a velocista Ádria dos Santos comparavam o sentimento de sua inclusão na cerimônia ao da conquista de uma medalha, o que não deixa de ser surpresa se levado em conta que, juntos, os dois atletas somam 27 pódios. Enquanto Ádria viu reafirmada sua confiança numa recuperação da lesão no joelho que a tirou dos Jogos de Londres 2012, Clodoaldo admitiu que já não está tão certo de que se aposentará ao final da competição.


“Achei que já tinha feito de tudo na Paralimpíada, mas foi algo diferente, que me emocionou muito. Principalmente a receptividade do público. Foi uma tarde com frio e chuva, mas tivemos um calor humano que me fez pensar estar no Brasil. É isso o que quero daqui a quatro anos lá no Rio, essa receptividade. Isso me faz pensar e repensar se devo mesmo me aposentar ou pendurar minha sunga. Estou me divertindo muito’’, disse Clodoaldo, o maior medalhista paralímpico brasileiro, com seis ouros, cinco pratas e dois bronzes em quatro Paralimpíadas.

O nadador cadeirante afirmou ainda que participar do revezamento o ajudou um pouco a relaxar para disputa de suas cinco provas nos Jogos de Londres. “A gente está fora do Brasil desde 25 de julho, longe da família, para fica concentrado nas competições. Estar aqui vai tirar um pouco da tensão e da ansiedade para chegar na prova bem’’.

Clodoaldo e Ádria participaram de um grupo de revezamento que incluiu estrelas fora do mundo paralímpico, como o jogador de futebol David Alaba, do clube alemão Bayern de Munique, e a supermodelo russa Natalia Vodianova, conhecida pela dedicação às causas das pessoas com deficiência por ter uma irmã com paralisia cerebral. No revezamento da tocha paralímpica, os participantes dividiram-se em grupos em que apenas uma tocha era acesa a cada 130m.

Ádria ficou muito emocionada com todo o clima, especialmente depois de correr com a chama. “São momentos em que é difícil descrever a emoção. Ouvi as pessoas aplaudindo, senti o cheiro do fogo e foi aí que me dei conta de que estava fazendo parte realmente do revezamento. Foi maravilhoso, muito gratificante’’, explicou a velocista cega, que já participou de seis Paralimpíadas, conquistando quatro ouros, nove pratas e um bronze.

Assista ao vídeo da participação de Clodoaldo e Ádria

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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Para-atleta desfruta de fama e dinheiro


JAIRO MARQUES
ENVIADO ESPECIAL A LONDRES


Daniel Dias, nadador brasileiro de maior sucesso, tem rendimento mensal de R$ 50 mil 







Daneil Dias (no chão) após treino em Londres
Matte Dunham/Associeted Press

Dos 182 para-atletas brasileiros que estão em Londres para disputador os Jogos Paraolímpicos, que serão abertos amanhã, alguns deles, como o nadador Daniel Dias, 24, já conseguem ter fama e rendimentos comparados aos de atletas convencionais.

Dias, que nasceu com má-formação nos braços e na perna direita, é ganhador de dezenas de medalhas de ouro em grandes competições interacionais nos últimos anos.

Ele começou a disputar provas em 2006 e já figura entre os maiores da história da paranatação do país.
Os resultados refletem em patrocínios e dinheiro no bolso. Atualmente, o nadador de Bragança Paulista (SP) conta com patrocínio de pelo menos três grandes empresas, além de apoio do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro).

"Há uns três anos, era raríssimo conseguir um patrocínio. As empresas privadas ainda têm dificuldade de ver o potencial desses atletas. Minha esperança é que isso mude até a Rio-2016."
Pela primeira vez em uma disputa mundial, Dias conseguiu pagar passagem e estadia para os pais e para a noiva acompanhá-lo durante todas as provas em Londres.

 Imagens Google

Ele não revela, mas a Folha apurou que, atualmente, seus rendimentos estão na casa dos R$ 50 mil por mês.

"Estou realizando um sonho ao poder ter minha família aqui comigo. É fantástico ver uma conquista assim partindo de um para-atleta. Jamais imaginei que isso tudo que tem acontecido comigo iria ser realidade", afirmou o para-atleta brasileiro.


Imagens Google

O nadador vai disputar oito provas, com grandes chances de garantir ouro em pelo menos metade delas.
Em 2008, em Pequim, ele ganhou troféu como destaque da Paraolimpíada, ao ganhar nove medalhas, sendo quatro de ouro, em sua estreia nos Jogos.

"Tenho consciência de que o Brasil tem grandes atletas e eu me sinto honrado em estar entre os nomes de destaque, em estar ao lado de outras feras. Estou aproveitando o momento, sem me esquecer dos treinos", afirmou ele, que ganhou o Laureus (o Oscar do esporte) na categoria paraolímpica em 2009.
Ele se lança na piscina pela primeira vez na quinta-feira, nos 50 m livre, concorrendo contra outro brasileiro medalhista, Clodoaldo Silva.

O para-atleta Flávio Reitz, 25, que está em sua primeira Paraolimpíada, na qual vai disputar o salto em altura, do atletismo, avalia que a realidade atingida por Dias permite abrir as portas para os outros competidores.

"É o setor público que abriga ainda nossos grandes apoiadores, mas, aos poucos, as empresas privadas estão abrindo o olho para a visibilidade que os para-atletas podem gerar. É preciso quebrar o senso comum que só a perfeição traz felicidade."

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Londres distribuirá mais de 1000 ingressos para Jogos Paralímpicos

Prestes a começar os Jogos Paralímpicos, a prefeitura de Londres está distribuindo ingressos gratuitamente em clubes de atletismo da cidade. Cerca de 1.100 bilhetes vão ser dados a sócios e voluntários do Conselho de Atletismo de Londres. A distribuição será feita nos 50 clubes que tenham concordado em se certificar de que metade dos ingressos serão para jovens com até 16 anos.

 Boris Johnson espera que o legado dos Jogos Olímpicos continua na Paralimpíada
Foto: Reuters

De acordo com a prefeitura londrina, os Jogos de 2012 desencadearam um grande aumento no interesse em clubes esportivos na capital. Estima-se que as entradas vão inspirar os membros de clubes e voluntários a serem capazes de aproveitar para trabalhar a incentivar os jovens a ter uma prática esportiva.

"Os clubes de toda a capital são exigentes com os londrinos de todas as idades que foram inspirados pelos bons resultados da Grã-Bretanha. Este entusiasmo é um legado dos Jogos e esperamos continuar reunindo ao longo da Paralimpíada. Estou muito feliz de temos assegurado 1.100 ingressos que permitam as pessoas que passam muito tempo em blocos de partida ou em campos esportivos ao redor da capital para experimentar a alegria dos Jogos Paralímpicos", disse o prefeito de Londres, Boris Johnson.

Os Jogos Paralímpicos de Londres começará na próxima quarta. As competições serão realizadas até o dia 9 de setembro. O Brasil terá mais de 180 atletas e a meta do Comitê Paralímpico Brasileiro é repetir o bom desempenho de Pequim 2008 e ficar entre os dez primeiros.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Atletas paralímpicos do Brasil viajam para a Inglaterra

Por Fernanda Cruz
da Agência Brasil

Parte dos atletas paralímpicos brasileiros — 163, do total de 182 — viaja hoje (13) para a Inglaterra, onde disputarão, de 29 de agosto a 7 de setembro, os Jogos Paralímpicos. A delegação se hospedará na cidade de Manchester, que fica no noroeste do país.


Antes do embarque, os atletas participam em Guarulhos, na manhã desta segunda-feira, de uma cerimônia com as ministras Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, e o vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Luiz Cláudio Pereira.

Entre os atletas que viajam está a judoca Daniele Bernardes Milan, da categoria até 63 quilos. A atleta, que tem deficiência visual, conquistou ouro no Campeonato Mundial de Cegos da Associação Internacional de Esportes para Cegos (Ibsa, a sigla em inglês) em abril do ano passado e espera repetir o feito nas Paralimpíadas de Londres. “Estou indo lá para isso, minha meta é essa”, disse.

Letícia Oliveira Freitas, de 18 anos, soube somente em junho deste ano que estaria nas Paralimpíadas de Londres. A nadadora, que também tem deficiência visual, conta que ficou surpresa com a convocação. “O meu objetivo principal era participar das Paralimpíadas de 2016, quando vi meu nome lá não acreditei”, disse. A maior especialidade de Letícia é o nado borboleta, modalidade que não faz parte dos Jogos de Londres. Por isso, ela precisou modificar seu treinamento para disputar, individualmente, os 50 metros livres, 100 metros livres e 200 metros medley.

No atletismo, André Luiz de Oliveira, de 39 anos, praticamente não tem qualquer movimento na perna esquerda. Destaque do salto em distância, o atleta já conquistou o bronze no Parapan do Rio (2007). André também já foi medalha de prata no revezamento 4×100 metros em Pequim (2008), mas, este ano, será reserva na modalidade devido a mudanças feitas nas regras pelo Comitê Internacional.

“A seleção pode colocar três atletas com deficiência superior e um com inferior. Como na inferior o Alan Fonteles é mais rápido do que eu, ele vai correr. Com isso, o Brasil ficou mais forte, tem mais chance de conquistar o ouro”, explicou.

Nestas Paralimpíadas, o Brasil participa de 18 das 20 modalidades que integram os jogos. Participam, no total, 165 países com 4.200 atletas. Na última edição, em Pequim em 2008, foram quebrados 279 recordes mundiais e o Brasil conquistou o 9º lugar, com 47 medalhas no total — 16 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze. A meta da delegação é ficar, no mínimo, entre os sete primeiros no quadro geral de medalhas este ano.

Abaixo um video de lançamento
http://www.deficienteciente.com.br/2012/07/11342.html

Fonte


terça-feira, 21 de agosto de 2012

PRATICO CORRIDA E NATAÇÃO.NO ESCURO - Caso Real

Tenho trinta e três anos, meu nome é Anderson. Hoje estou em uma pista de atletismo, correndo. Dependo de parceiro, orientando os meus passos e respeitando o meu ritmo. A falta de visão não me impede de correr e de nadar, como paratleta de Americana.


  Já cuidei de gado, já fui pedreiro, já fui motorista profissional. Aos vinte e um anos tive sério desentendimento com minha seguradora, após roubo de meu carro, fiquei muito tenso e penso que este fato precipitou o aparecimento de fragilidade vascular em meus olhos, que aguardava momento propício para se manifestar (doença de Von Hippel-Lindau, hereditária e mais freqüente nos homens). Minha retina se descolou e em poucos dias a visão se foi. Fiquei recluso dois anos em casa, sem enxergar me sentia inútil no mundo.

Começar a tocar violão me fez voltar à vida. Sete anos depois, forte dor de cabeça indicou tumor vascular, na região do cerebelo, também manifestação da doença. Operei e fiquei ótimo. Sorte contar com parceira, que ficou firme ao meu lado. Sou aposentado há quatro anos, e sempre busquei o esporte como atividade.


 Mas por mais boa vontade que o paratleta tenha, ele esbarra em falta de patrocínio. Tenho um grande amigo que me ajuda, quando preciso muito. Paratletas podem levar anos para conseguir apoio financeiro, e os suplementos alimentares e equipamentos específicos de que necessito para competir são caros. Uso computador, com o leitor de tela JAWS.

Acho que poderia me esforçar mais para usar o Braille, tenho o segundo grau. Minha filhinha de cinco anos pega a minha mão e desliza na foto do celular, para que eu “veja”. Gosto de minha vida. Penso que “Existem pessoas com deficiência muito mais eficientes do que muita gente.”

Caso real. Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

NA MINHA GARRA, EM MEUS MÚSCULOS, A LIBERDADE! Caso Real

Meu nome é Bartolomeu, tenho vinte e três anos. Até dezoito anos e meio vivi sem deficiência. Fui criado por mãe carinhosa, mas bem rígida, procurando compensar a ausência do pai, desde que era pequeno. Apenas pagou a pensão.



Sempre trabalhei em mecânicas, aos quatorze anos já tinha um carro meu, e quando aconteceu meu acidente era moto-boy. Aceito o que me aconteceu, pois estava trabalhando, mas no lugar errado da rua, quando o motorista ao meu lado virou sem dar a seta.

A primeira pancada foi num banco de cimento, de costas, lesando minha coluna vertebral em quatro lugares. Enfrentei o estado de coma por quarenta dias, hemorragia interna, fraturas em braço, dedos e clavícula. Passei por oito cirurgias, fiquei trinta dias em UTI.

Ainda não tinha carta quando me acidentei, ela chegou pelo correio em minha casa dois dias depois. Oito meses após ainda era dependente total, até para comer. Perdi também quatro dentes, e quinze quilos. Cento e quarenta dias bastaram para eu assinar termo de responsabilidade e sair do hospital, com oito pinos e duas placas na coluna, hérnia de disco e próteses.

Em casa ficava deitado duas horas em cada posição, usando morfina. Lutei para conseguir sentar. Cheguei ao Hospital Sarah, especializado em recuperação, já sabendo tomar banho e me trocar. Nadei mesmo assim durante dois anos, como paratleta.

Hoje treino em cadeira especial para correr (speed), em que acrescentei uma roda para melhor desempenho. Sou atleta profissional federado. Tenho o ensino médio, trabalho em firma que acessora eventos com som, luz e imagem. Adaptei pessoalmente meu carro, que dirijo.

Quero ser pai, quero ser reconhecido como paratleta de excelência. Nada menos do que isto. Quero!

Caso real. Elizabeth Fritzsons da Silva. Psicóloga e diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Caso alguma pessoa com deficiência se interesse por esporte e atletismo favor procurar pelo Marcio (treinador) na Secretaria de Esporte de Americana






quarta-feira, 27 de junho de 2012

Reabilitação dos amputados

Amputações fazem parte da história da Medicina há séculos. Num passado ainda recente, quando eram realizadas, o amputado ganhava um par de muletas e saía nelas apoiado. Depois surgiram as primeiras próteses que procuravam imitar esteticamente o membro perdido. Em algumas eram desenhados até os pêlos para que ficassem mais parecidas com o membro amputado. É evidente que não conseguiam atingir a finalidade proposta e continuavam sendo apenas uma prótese facilmente reconhecida quando se olhava para elas. Com o passar do tempo, essa filosofia modificou-se por completo. Atualmente, a prótese faz parte do tratamento de reabilitação, uma parte importantíssima, aliás. No entanto, a reabilitação dos amputados envolve uma conduta muito mais ampla. Não há mais a preocupação de imitar o membro perdido. Ao contrário, as próteses assumiram o papel a que se destinam, ou seja, de recuperar a função do membro lesado. Interessa fazer com que o amputado assuma sua nova condição, retome suas atividades rotineiras, possa praticar esportes e viver a vida em sua plenitude.
EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE PRÓTESE
Drauzio – Como evoluiu o conceito de prótese nos últimos anos?
Marco Guedes – A mudança mais importante foi desvincular do processo de criação desses aparelhos a idéia de reposição da imagem cosmética do membro perdido. Por muito tempo priorizou-se a reposição da imagem corporal em detrimento da reposição funcional. A história do desenvolvimento desses aparelhos foi marcada por um evento infeliz para o americano Van Phillips e feliz para todos os outros amputados. Nos idos de 1970, Van Phillips estava esquiando puxado por uma lancha num lago da Califórnia, quando caiu na água com os esquis presos nos pés. Percebendo que outra lancha se aproximava, tentou afundar, mas os esquis não deixaram que submergisse e seu pé foi cortado pela hélice da outra lancha. Ele era um tipo criativo, um excelente ator que trabalha va em rádio, e não se conformou com o aparelho protético que lhe deram. – “Puxa vida, tenho dificuldade para descer uma simples guia de calçada” – era uma de suas queixas. Foi, então, que decidiu fazer o curso de técnico em prótese e órtese na Northwestern University em Chicago, à procura de uma solução mais adequada para seu caso e transformou-se num pesquisador brilhante no campo das amputações. Seu grande mérito foi desenhar pés mecânicos pensando na reposição de suas funções, como a absorção do impacto e a impulsão. Seu objetivo era recuperar a impulsão que as pessoas têm quando desprendem o pé do solo durante a marcha, impulsão que empurra o corpo para frente. Com o desenho simples de um C numa lâmina de carbono que funciona como um pé mecânico totalmente desvinculado da imagem cosmética, Van Phillips conseguiu devolver essa função para a pessoa amputada. Só mais tarde se pensou na aparência estética que permitisse ao amputado estar, por exemplo, num casamento ou num batizado sem ser o centro de atenção da festa o que, sem dúvida, faz sentido. Não faz sentido, porém, a pessoa amputada buscar uma reposição cosmética para esconder-se atrás de um membro artificial, fingindo ter um braço ou uma perna, e fechar-se para as oportunidades que a vida oferece, trancando portas e janelas da existência por medo de ser vista como tendo passado por uma amputação. Essa visão precisa acabar definitivamente. Dentro do novo conceito de reabilitação, procura-se valorizar o resgate funcional do amputado acima do resgate da imagem física. Não estou dizendo que ele deva andar com coisas estranhas pelas ruas só porque é amputado. Estou dizendo que deve tentar recuperar a função para a qual seu corpo se presta na vida, que é servir de veículo para pegar objetos, caminhar, subir escadas, descer uma rampa, etc. Depois se pode pensar no artifício cosmético aplicado sobre o aparelho que lhe permita passar despercebido onde for confortável, em situações públicas com pessoas desconhecidas em volta, como numa festa, por exemplo.
O que realmente é sério é o amputado adquirir a visão de que está doente e precisa ser tratado. É esconder-se atrás de uma imitação por assim dizer perfeita, mas que não passa de uma perna ou um braço de boneca.
DrauzioPróteses que nada acrescentam funcionalmente aos amputados.
Marco Guedes – Vi pessoas com próteses que imitavam a pele e os pêlos, mas você olhava e via imediatamente que era uma prótese. Oxalá um dia se consiga um pé mecânico funcional e cosmeticamente perfeito, o que sem dúvida trará grande conforto na reposição da perda de um membro.
HISTÓRIA DE MARCO
DrauzioEm várias entrevistas você se referiu à sua condição de amputado e talvez venha daí seu interesse maior por essa especialidade. Como você aceitou o fato de que iria sofrer uma amputação e receber uma prótese?
Marco Guedes – Na verdade, não aceitei, eu decidi. Sofri um acidente de moto em dezembro de 1974. Estava terminando o quinto ano da Faculdade de Medicina da USP. Tentando escapar de uma colisão, bati de frente no pára-choque de um ônibus e minha perna foi prensada contra o tanque de gasolina da moto. Você pode imaginar o que acontece com nossos pobres  ossos num choque como esse a 60km por hora. No momento em que caí no acostamento e tentei levantar, não achei a minha perna. Quando olhei para ela e vi o estrago, tive plena convicção de que a havia perdido. No entanto, estava vivo, sem nenhum outro esfolado, minha cabeça estava inteira e fui para o HC, o meu hospital, onde eu queria ser tratado. Aí começou um esforço, inclusive com fundo emocional muito forte – um futuro colega, um aluno da escola – para salvar o meu pé. Depois de uma semana, não enxergava mais de tão toxemiado que estava. O azar é que eu tinha ficado com um pé viável do ponto de vista vascular, embora destruído funcionalmente. Tinha um segmento enorme da perna com incontáveis fragmentos ósseos e lesões nas partes moles, na musculatura, nos nervos. Eu já não conseguia enxergar direito pessoas a curta distância. Tudo ficara nebuloso e escuro, fruto das toxinas que tinham se espalhado pelo meu organismo.
Drauzio - Isso para não falar na dor que devia ser terrível.
Marco Guedes – A dor era intensa porque a limpeza da ferida implicava tirar tecido desvitalizado, tecido morto, até sangrar e, quando sangrava, doía muito. Chegou uma hora, porém, em que o colega que me tratava comentou com o ajudante que a costura arterial tinha ficado aparente. Isso queria dizer que a passagem do sangue seria comprometida, pois a emenda da artéria estava exposta ao ar. E ele comentou – vamos pegar uma parte da outra perna para tapar esse buraco. Isso se chama crossleg, ou seja, você cruza uma perna sobre a outra, na posição do Cristo crucificado, vira um pedaço da pele boa e tapa o ferimento. Esse procedimento pressupunha que eu deveria ficar três semanas com uma perna presa a outra por fios. Ouvi aquilo e falei – nem olhem para a outra perna, esqueçam que ela existe -. Nesse caso, vamos ter que amputar sua perna foi a resposta que me deram. Então, o diagnóstico está fechado. Vamos fazer a amputação, decidi naquele momento e passei por uma cirurgia em que minha perna foi amputada abaixo do joelho. Talvez para mim tenha sido mais fácil tomar essa atitude, porque já era quase médico, gostava de trauma e de ortopedia e tinha uma visão razoavelmente ampla do assunto, embora até hoje ainda persistam dogmas e conceitos errados sobre amputação na classe médica.

Drauzio - Em algum momento você se arrependeu dessa atitude que tomou?
Marco Guedes – Nunca. Na noite passada, pensando nesta entrevista, pensei que se tivesse que tomar de novo essa decisão, faria exatamente como fiz naquela época. A amputação me permitiu reabilitar-me, ser cirurgião e trabalhar com traumatologia como sempre quis, casar, ter filhos e educá-los. Permitiu também que exercesse uma atividade profissional riquíssima e extremamente útil aos outros. Esse episódio em minha vida, sem dúvida, se transformou numa virtude que me ajudou a desenvolver melhor o trabalho ao qual me dedico.
REABILITAÇÃO DE AMPUTADO
Drauzio - Houve uma grande evolução, infelizmente não acessível a todos, no papel da reabilitação dos amputados. O que aconteceu realmente nessa área?
Marco Guedes – A reabilitação começa com a notícia. Começa com a maneira pela qual se coloca para o paciente a proposta da amputação. Faz diferença se ela é apresentada como perda ou como início de uma caminhada reabilitadora. A fisioterapia, que é fundamental para o amputado, também começa nesse momento, senão antes até. De certa forma isso é utópico em nosso país, quase um sonho, mas o amputado deve começar a trabalhar logo os músculos qu e lhe permitirão ficar em pé e caminhar. No dia seguinte ao da cirurgia, ainda no leito hospitalar, o paciente começa a ser preparado para receber um eventual aparelho ortopédico. Trata-se de um trabalho que deve ser realizado por um time de profissionais. Infelizmente, essa não é nossa realidade em grande parte dos casos. Existe o cirurgião que amputa, tira os pontos e considera liquidado aquele evento desagradável. Provavelmente, mais tarde, alguém passará pelo quarto e deixará o endereço de uma oficina onde o paciente poderá mandar fazer ou comprar uma perna mecânica, como se estivesse comprando um disco voador. É como se eu dissesse – Olhe, Drauzio, tenho alguns endereços de locais onde se vendem discos voadores. Vá e compre um. – Você ouviria a conversa fiada do vendedor e compraria o que o dinheiro permitisse sem realmente saber o que estava levando. Por isso, defendo fortemente o conceito de que a adaptação dos aparelhos de prótese faz parte da terapia, que deve ser realizada num centro de reabilitação com equipe multidisciplinar, com conhecimentos que se imbricam e permitem uma tomada de decisão visando exclusivamente ao benefício da pessoa amputada. O aparelho ortopédico prescrito para um homem de 60 anos é muito diferente daquele indicado para um rapaz de 17 anos, porque as necessidades de cada um são diferentes. Não é uma questão de quanto a pessoa tem para gastar. É a sua necessidade dentro da expectativa funcional que existe para ela. Hoje se fazem próteses no Brasil por licitação pública, pela internet. Abre-se concorrência para fazer 30 próteses para amputados e é aprovada a proposta mais barata que vem de uma oficina obscura ou de um empresário desconhecido, que vai terceirizar o trabalho. Produzir próteses virou cabide, virou mesa de repartição pública.
Drauzio - A probabilidade de uma prótese assim dar errado é muito grande
Marco Guedes – É muito grande a probabilidade de dar errado. Como se pode entregar um aparelho protético acabado para o paciente treinar, quando o alinhamento preciso desse aparelho só pode ser feito, no caso de amputação do membro inferior, à medida que a pessoa caminha sobre ele. Só quando vai passando o desconforto, desaparecendo a insegurança e o medo e a pessoa consegue colocar mais peso em cima do aparelho, é possível enxergar erros de posicionamento do pé ou do joelho mecânico, por exemplo. Insisto que o alinhamento dinâmico da prótese só pode ser feito quando o paciente consegue andar melhor sobre ela. O problema é que o camarada da licitação vai receber o dinheiro quando entregar a prótese terminada e o paciente que perdeu a perna sai com uma debaixo do braço e vai para casa. De fato ela não custou caro, mas foi dinheiro jogado fora. Muito mais interessante seria que se investisse mais um pouco a fim de que, num prazo mais curto, esse indivíduo se tornasse produtivo de novo, voltasse a trabalhar e a trazer dinheiro para casa. Se assim não for, será mais uma pessoa a achar que a prótese não deu certo e a esperar dois ou três anos para aposentar-se por invalidez e pendurar-se na previdência social. Essa visão está errada, está doente e precisa ser mudada. É preciso criar escolas para formar esses empresários obscuros que vivem da amputação alheia, usando artifícios escusos para entrar em licitações. É uma denúncia séria que faço publicamente. Isso acontece e é muito triste. Temos de encaminhar esses amputados para serviços sérios de reabilitação, onde não pese o preço do aparelho, mas a capacidade profissional do técnico. Se a prótese não estiver boa, ele faz de novo sem comprometer o dinheiro do seu bolso. É um bom técnico, com bom salário, que trabalha sob orientação e participando de uma equipe que tem aspirações mais amplas do que fazer um pedaço de coisa que imita uma perna cortada.
PAPEL DE FISIOTERAPIA
Drauzio - A fisioterapia exige muito do amputado?
Marco Guedes – Exige, sim, especialmente se os amputados chegarem com as seqüelas de um serviço mal conduzido de reabilitação, com deformidades como flexo do joelho ou do quadril, o que deixa as pessoas mal alinhadas, mal posicionadas. As deformidades do quadril são especialmente difíceis de corrigir.
O fisioterapeuta tem um trabalho duro pela frente quando recebe, por exemplo, um idoso com contratura importante. Às vezes, se perde um joelho que foi salvo pelo cirurgião, e somos obrigados a fazer uma prótese com o joelho dobrado porque ele não estende mais. O idoso que recebe um joelho mecânico provavelmente terá enorme dificuldade para controlá-lo.
Drauzio - O que falta fazer para que isso não ocorra?
Marco Guedes – Fazem falta protocolos e conceitos adequados e, sem dúvida, fisioterapeutas motivados. Essa motivação parece estar aparecendo agora. Assim como os cirurgiões, os fisioterapeutas não gostavam de lidar com amputados por desconhecimento puro e simples da história da reabilitação possível para esses pacientes. Eu, por exemplo, não amputo um pé, construo um órgão novo. É um conceito diferente. Muita gente chama a amputação de cirurgia reconstrutiva. Não é verdade. A amputação é construtiva, pois se está criando alguma coisa nova para aquela pessoa e, para realizar esse feito, é preciso conhecer a história desse tratamento, se não simplesmente se estará cortando uma perna e fechando um buraco, esquecendo a pessoa que fica com um coto de amputação inadequado e que vai dar muito trabalho para a equipe de reabilitação.
Drauzio – Isso para não falar do sofrimento de quem perde um membro.
Marco Guedes – Não só do sofrimento, mas da perda de qualidade de vida, especialmente para os idosos que, às vezes, não têm outra bala na agulha para enfrentar nova cirurgia a fim de consertar o que não foi feito da forma adequada.
ATLETAS AMPUTADOS
DrauzioMarco, você é um esportista que perdeu a perna, mas continuou praticando esportes. Hoje, as próteses permitem que isso aconteça, mesmo quando a perda foi bilateral. Você conhece outros casos como o seu?
Marco Guedes – Próteses adequadas permitem dar continuidade à vida atlética. No Brasil, apesar da pobreza que cerca a reabilitação, temos alguns indivíduos que conseguiram, de uma maneira ou outra, aparelhos com dispositivos sofisticados que lhe garantem reabilitação plena e a possibilidade de desenvolver atividades esportivas bastante interessantes. Na foto 1 , aparece um grupo no qual me incluo. Sou o primeiro à esquerda, essa figura sorridente. Depois está o Fernando, um triatleta. A moça no meio, amputada pela técnica de Syme, hoje é mãe de uma criança linda. O penúltimo é o Maciel que perdeu as duas pernas num acidente de automóvel absurdo cortadas pelo guardrail de uma estrada. Maciel foi o único amputado bilateral a completar a maratona de Nova York. Por fim, à direita, está o Paulo, amputado de um lado só abaixo do joelho, que não só completou como chegou em primeiro lugar entre os amputados na maratona de Nova York.
Drauzio – O guardrail é o anteparo colocado ao lado das estradas como proteção para os motoristas e passageiros dos veículos. Como pode ter acontecido um acidente desses?
Marco Guedes – Em vez de proteger, o guardrail em lâmina representa um perigo nas estradas. Ele deveria ser redondo e encaixado, mas não é e, com o impacto, pode abrir, entrar no carro e ferir quem está lá dentro. Foi o que aconteceu com Maciel que teve os dois pés cortados pelo guardrail num acidente de carro.
Drauzio - Quem aparece nas fotos 2 e 3?
Marco Guedes – A foto 2 mostra um tobogã e foi tirada no rio Jacaré Pepira, em Brotas (SP). A equipe que opera esse rafting chama-se EcoAção e mantém uma estrutura inteiramente adaptada aos portadores de deficiência física, que conseguem praticar esportes radicais. Não gosto muito desse nome. Prefiro esportes de aventura que nada têm de radical, uma vez que são seguros e ninguém quer morrer fazendo isso. No rafting, esses esportistas amputados descem corredeiras dentro de um bote com a ajuda de remos. Na foto 3 aparece outra vez Maciel sem os dois pés, mas adequada e funcionalmente aparelhado, desta vez praticando arborismo, em meio das copas das árvores, a sete metros acima do chão, passando por toras móveis, passarelas e cabos de aço.
Drauzio - Uma vez, numa maratona, passei por uma moça que tinha uma lâmina em C e fiquei bastante impressionado.
Marco Guedes – Essa lâmina de carbono impulsiona o amputado que saltita quase como um canguru. Pode-se dizer que esse aparelho funciona quase como uma mola
O rapaz da foto 4 é o Rivaldo que, usando o aparelho, quebrou o recorde mundial do Ironman no Havaí, uma prova absurda que deu origem ao triatlo. A pessoa nada 4km, depois percorre 180km de bicicleta e corre uma maratona, ou seja, mais 42km. Rudi, que está na foto 5, não é meu paciente. É um garoto americano de 16 ou 17 anos que, por causa de uma doença congênita, perdeu as duas pernas acima do joelho. Hoje ele viaja pelo mundo participando de provas de corrida e natação usando um aparelho funcional, sem joelho mecânico e sem a preocupação de colocar próteses cosméticas. Obviamente, quando se fazem próteses para pessoas comuns, temos o cuidado com o aspecto cosmético final, mas sempre visando deixar o aparelho o mais leve e funcional possível para aquele indivíduo.
AMPUTADOS VITORIOSOS
Drauzio – É realmente uma nova perspectiva. A visão da pessoa que se escondia atrás de uma prótese que procurava imitar o membro perdido não tem mais espaço hoje em dia. Os amputados estão aí, ostentando sua condição e orgulhando-se dela.
Marco Guedes – Essa é a razão pela qual se tenta divulgar o atleta amputado na mídia. Pessoalmente, acho que atividades físicas extenuantes ao extremo são pouco saudáveis. Não acho que se deva chegar ao limite que pode levar a uma lesão qualquer. O que estimulo no esporte para amputados é exatamente que eles se exponham. Um camarada que perdeu a perna, que fica em casa escondido, chateado, triste da vida, não querendo sair mais às ruas, quando vê uma imagem dessas, descobre quantas possibilidades existem. Pensar que o mundo acabou porque nunca mais irá cortar a unha do dedão do pé não tem cabimento. Há uma vida pela frente, seu ser está integro e só ele mesmo pode destruí-lo. Vide Nélson Mandela e outros grandes líderes que passaram anos e anos na cadeia, livres apesar da prisão física, e que superaram esse período e voltaram a lutar pelo que acreditavam. Através dessas imagens bonitas e de retorno vitorioso em cima de uma condição que aparentemente era um desastre, procura-se ajudar muitas pessoas que estavam encolhidas, retraídas, estimulando-as a vencer a adversidade.
ATLETAS AMPUTADOS

 
           

terça-feira, 2 de agosto de 2011

VIDA É MOVIMENTO!

A Secretaria de Esportes de nossa Prefeitura tem opções de esportes individuais e coletivos, para pessoas com deficiência ou não, como natação (atualmente para quem já sabe nadar) e atletismo. É possível pensar em tênis de mesa (se houver dupla de pessoas interessadas), ou basquete (grupo de alunos interessados, com deficiência ou não). Ligar para a Secretaria: 3406 7101.
OXIGENE SEU CORPO, SUA MENTE, SUA VIDA!

“Viver é como andar de bicicleta : é preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio” – Albert Einstein.
Oferecemos arquivo de textos específicos, de documentos, leis, informativos, notícias, cursos de nossa região (Americana), além de publicarmos entrevistas feitas para sensibilizar e divulgar suas ações eficientes em sua realidade. Também disponibilizamos os textos pesquisados para informar/prevenir sobre crescente qualidade de vida. Buscamos evidenciar assim pessoas que podem ser eficientes, mesmo que diferentes ou com algum tipo de mobilidade reduzida e/ou deficiência, procurando informar cada vez mais todos para incluírem todos.