sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

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Com mais dois graus, que Terra nos espera em 2100?

Mais seca, chuva mais concentrada. Menos gelo, o nível médio do mar mais alto. Em 2100 haverá mais pessoas deslocadas e as espécies exóticas poderão colonizar novas regiões. Há muitas perguntas sobre o futuro das alterações climáticas, em discussão em Paris. Mas os seus efeitos já se sentem hoje.
A reportagem é de Nicolau Ferreira, publicada por Público, 02-12-2015.
Se o fim do século vai ser mais quente por causa das alterações climáticas, então 2015 está a marcar o tom do futuro. A temperatura média à superfície da Terra arrisca-se a atingir um grau Celsius acima da média pré-industrial, divulgou aOrganização Meteorológica Mundial em Novembro. Se isso acontecer, este ano bate-se o recorde de temperaturas, e de uma forma simbólica. Um grau é metade do limite de dois graus que a Terra pode aquecer até 2100, definido por cientistas do clima e por políticos. A partir deste valor, os cenários climáticos prevêem um futuro mais assustador.
Isto não quer dizer que 2016 ou 2017 irão ser tão quentes como 2015. Há uma variabilidade natural de ano para ano. Mas o potencial recorde de temperaturas faz parte de uma tendência ligada às emissões humanas de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono (CO2), o metano e o dióxido de azoto.
Como é que estes gases influenciam o termómetro global? A resposta começa nos raios solares que aquecem a superfície da Terra. Parte deste calor volta para a atmosfera em raios infravermelhos. Os gases com efeito de estufa retêm este calor e aquecem o ar. Quanto maior for a sua concentração, mais calor é retido.
CO2, por ser injectado em grandes quantidades com a queima dos combustíveis fósseis, acaba por ser o gás mais importante nesta equação. Desde a revolução industrial, a sua concentração na atmosfera passou de 280 partes por milhão (ppm) para 400 ppm. E a temperatura tem subido.
Um dos efeitos mais significativos é no ciclo da água. Com mais calor, a evaporação dos oceanos torna-se mais rápida, a acumulação na atmosfera é maior e a precipitação mais concentrada. No Norte da Europa, espera-se por isso mais chuva até ao final do século, mas o Mediterrâneo vai tornar-se mais quente e seco. As secas vividas na Península Ibérica em 2005 e 2012 já só podem ser explicados neste contexto.
“Só conseguimos obter nos modelos climáticos esta frequência de grandes secas quando inserimos os gases com efeito de estufa”, diz ao Público o investigador Ricardo Trigo, climatologista do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). “Se só pusermos a variabilidade natural, não conseguimos reproduzir esta frequência”.
Por volta de 2100, se tivermos em conta apenas um aumento de dois graus Celsius, um ano típico em Portugal terá a chuva mais concentrada no Inverno e uma Primavera e um Outono mais secos. Este padrão é uma incubadora de ondas de calor mais fortes. “É uma situação atmosférica favorável para que ondas de calor que antes duravam uma semana, com uma temperatura de 37 graus, passem a durar duas semanas e atinjam os 40 graus”, avisa Ricardo Trigo. Se a chuva acabar mais cedo na Primavera, em Maio e Junho os solos já estão completamente secos. Quando chega uma onda de calor, “a energia solar não é usada para evaporar a humidade do solo, por isso o solo aquece e começa a aquecer a atmosfera”.
Décadas decisivas
Mediterrâneo é uma pequena peça no complexo puzzle das alterações climáticas, que têm implicações no aquecimento e acidificação dos oceanos, no degelo dos pólos, na subida do nível médio do mar, no derretimento dopermafrost, na alteração da vegetação, na migração e extinção de espécies e no agravamento das condições de vida de muitas populações humanas. Todos estes fenómenos serão mais ou menos graves dependendo da evolução das emissões de gases.
Em 1996, com base na informação divulgada pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, sigla em inglês), das Nações Unidas, o conselho de ministros do Ambiente da União Europeia pôs os dois graus na agenda política. “O conselho acredita que a temperatura média global não deve exceder os dois graus acima do nível pré-industrial”, lê-se nas conclusões daquela reunião. “As concentrações de todos os gases com efeito de estufa devem ser estabilizadas”, acrescenta-se.
“Os dois graus Celsius talvez permitissem evitar os pontos de não retorno. Acima deste patamar, a irreversibilidade [de vários fenómenos] torna-se mais plausível”, explica Tiago Capela Lourenço, investigador da FCUL. Alguns exemplos de pontos de não retorno são a perturbação das monções, o derretimento dos glaciares e à morte da floresta amazónica.
Mas pouco ou nada aconteceu para inverter a situação. Em 2000, o mundo tinha lançado 24.720 milhões de toneladas de CO2 para o ar. Em 2013 o número passou para 35.670 milhões.
No quinto relatório do IPCC, de 2013 e 2014, estimou-se que, no máximo, só se podia lançar mais um bilião de toneladas de CO2, face às emissões acumuladas até 2011, antes de se ultrapassarem os dois graus em 2100. Esta quantidade é equivalente a emitir 33.333 milhões de toneladas por ano em 30 anos, menos do que o valor de 2013. Por isso, as próximas décadas serão decisivas.
Na conferência do clima de Paris, que decorre desde 30 de Novembro, os países vão apresentar os seus compromissos de redução das emissões de gases com efeito de estufa. A Climate Interactive, uma organização sem fins lucrativos de Washington (EUA), compilou os valores das reduções a que os países já se comprometeram. A partir dessa informação, estimou que o CO2 atingirá as 675 ppm na atmosfera em 2100 e a temperatura aumentará 3,5 graus. Sem esses compromissos, o cenário é pior – o CO2 subirá até às 910 ppm e a temperatura 4,5 graus. Ainda assim, o horizonte dos dois graus será ultrapassado se não for feito mais.
Risco na Antárctida
Além desta incerteza sobre o futuro, mesmo tendo em conta o limite de dois graus, há impactos que poderão não ter regresso. “Nas regiões polares, muito provavelmente já se passaram pontos de não retorno”, diz Ricardo Trigo. Uma dessas situações é na Antárctida.
Alguns trabalhos recentes mostram que as águas marinhas junto à Antárctida Ocidental – com cerca de um décimo do gelo de todo o continente – estão a aquecer e a “comer” a parte de baixo dos glaciares da região. Segundo alguns modelos, a água irá acabar por penetrar debaixo daquela enorme massa de gelo, derretendo-a nos próximos séculos a milénios, e fazendo subir o mar em três metros.
Mas há dados mais concretos para outros fenómenos. No melhor dos cenários do último relatório do IPCC, em que é provável que a temperatura não ultrapasse os dois graus em 2100, os glaciares dos continentes vão derreter entre 15 e 55%, e o nível médio do mar subirá entre 26 e 55 centímetros. Esta subida pode pôr em causa a existência de atóis dos oceanos Índico e Pacífico, como as ilhas de Tuvalu, um país no Pacífico.
Tiago Capela Lourenço acrescenta que esta subida é especialmente perigosa durante as tempestades, quando “há uma diminuição da pressão atmosférica que faz uma sobreelevação do nível médio do mar”, aumentando ainda mais o alcance das cheias. Um relatório de 2012 do Banco Asiático de Desenvolvimento prevê que em 2050 haverá 37,2 milhões de pessoas em risco na Índia por causa do aumento do nível médio do mar, 27 milhões no Bangladesh e 22,3 milhões na China.
Em Portugal, o litoral irá mudar. “A linha costeira portuguesa como a conhecemos não será igual em 2100. Talvez as arribas no Sudoeste alentejano se mantenham”, prevê Tiago Capelo Lourenço. As praias do Algarve, da Costa da Caparica ou de Aveiro estão, por isso, em perigo.
Outra dúvida é o efeito do aquecimento no permafrost – o solo e subsolo gelados, que existem principalmente no Norte da Rússia e do Canadá. Esta região congelada pode atingir profundidades de centenas de metros. O IPCC estima que, no melhor dos cenários, 37% da área do “permafrost” irá derreter até uma profundidade de 3,5 metros.
Este derretimento torna o solo instável e terá efeitos nas alterações climáticas. Quando este solo descongelar, a matéria orgânica congelada há milénios irá degradar-se, libertando CO2 e metano, e acelerando as alterações climáticas. “O ‘permafrost’ é das coisas que assustam mais os climatologistas”, confessa Ricardo Trigo. “Há uma componente natural que pode disparar e está fora do nosso controlo.”
Resposta ao calor
Ao mesmo tempo, os ecossistemas do planeta vão estar sob um stress acrescido com o aumento de temperatura e as alterações do padrão de chuva nos continentes, e com o aquecimento e a acidificação nos oceanos – parte do CO2 a mais na atmosfera é absorvido pelos oceanos, tornando-os mais ácidos. “Projecta-se o decréscimo da produção primária em oceano aberto”, lê-se no relatório do IPCC, diminuindo os stocks de pesca em 2100.
Em terra, a sobrevivência dos animais dependerá de vários factores. No caso de um aumento de temperatura, “se a espécie viver numa planície, isso exige uma migração de centenas de quilómetros”, explica Henrique Miguel Pereira, especialista em conservação da biodiversidade da Universidade de Halle-Wittenberg, na Alemanha. “Numa zona de serra, pode ser que tenha só de se deslocar um pouco para o lado”, considera o biólogo. Mas há situações sem solução. “As comunidades adaptadas aos topos de montanha não têm para onde ir.”
Os cientistas têm estudado a resposta fisiológica de grupos de animais, como os répteis. Um trabalho publicado em 2010 na revista Science analisou a sobrevivência de 28 espécies de lagartos mexicanos em 200 locais diferentes do México desde 1975. Segundo o trabalho, 12% das populações locais extinguiram-se até 2009. E 39% das populações dos répteis em todo o mundo deverão extinguir-se até 2080.
“Os répteis estão especialmente activos no início e no final do dia. Durante metade do dia ficam no abrigo”, explicaHenrique Miguel Pereira. Com as alterações climáticas e com o aquecimento global, os répteis têm menos tempo para estarem activos, segundo o artigo da Science. Um estudo mais recente, na revista Ecology Letters, indica, antes, que a mortalidade pode ser explicada por haver menos sombra natural, fornecido pelas plantas.
No caso das árvores, o aumento da concentração de CO2 pode ser bom para a fotossíntese, mas a seca e o calor serão factores de stress. “No Alentejo, o aumento de CO2 é provavelmente compensado muito negativamente com a diminuição da água”, diz Henrique Miguel Pereira. Espécies emblemáticas como o sobreiro e a azinheira, e paisagens como o montado, estão em risco no Sul de Portugal e poderão migrar para norte. No entanto, “o processo de expansão é mais lento do que o da degradação”.
Pobres com menos escolhas
O homem terá também de responder às novas pressões e o mesmo fenômeno pode ter implicações diferentes consoante os países, como o desaparecimento dos glaciares. “A região dos Himalaias é muito suscetível. Há muitas regiões dependentes do abastecimento de água vindo dos glaciares”, diz Tiago Capela Lourenço. Mas nos Alpes, o problema é a “instabilidade das vertentes” que pode afetar as ferrovias.
Os impactos também vão depender de factores econômicos. “As populações menos desfavorecidas terão sempre mais problemas. Porque para a adaptação às alterações climáticas é necessário ter recursos. Sem recursos não há escolhas. Isso é verdade entre países e dentro de países”, sustenta o investigador.
Um exemplo desta situação é a fome de 2010 no Sudão, causada pela seca. Menos óbvia é a ligação entre as alterações climáticas e a guerra na Síria. Um artigo de 2010 do jornal New York Times – publicado meses antes daPrimavera Árabe – dava conta da situação dos agricultores sírios, após quatro anos de seca profunda, com centenas de milhares de pessoas a fugir para as cidades.
Um ano depois, um estudo de cientistas da Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera (NOAA) dos EUAindicava que o aumento de calor e secas nas últimas décadas no Mediterrâneo já era explicado pelas alterações climáticas. Em 2015, outro artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences fez a triangulação dos factos, defendendo que a duração da seca na Síria era provocada pelas alterações climáticas noMediterrâneo, e que ajudou a fomentar o descontentamento civil nas cidades contra o regime ditatorial de Bashar al-Assad, com repercussões que continuamos a viver hoje.
Nas próximas décadas, as alterações climáticas serão um factor cada vez mais importante a ter em conta. E Ricardo Trigo lembra ainda que vamos continuar a sentir os seus efeitos nos próximos séculos: “Os dois graus é um valor artificial e 2100 é completamente artificial.”
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/549794-com-mais-dois-graus-que-terra-nos-espera-em-2100

Quando é que a gente fica velho

Escrito por  Wilma Josina Correia(*)
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quando-e-que-a-gente-fica-velho-fotodestaqueO que determina mesmo ser velho hoje é a data da certidão de nascimento e a data da aposentadoria, mas até o século XIX, não só a maioria das pessoas morria jovem, mas também morria rapidamente: haviam poucas doenças crônicas, incapacitantes. Agora, elas são muitas: câncer, diabetes, doenças neurológicas – incluindo a Doença de Alzheimer. Muitas vezes, pode se viver muito tempo com uma delas.
No Dicionário a palavra “velho” significa:  adj. Que tem idade avançada; idoso: homem velho. Que existe há muito tempo; antigo: uma velha rixa. Que é antigo numa profissão, função ou posição: um velho professor; um velho amigo. Que é desusado, ou gasto pelo uso: ideias velhas; sapatos velhos. S.m. Homem idoso. Aquilo que é velho: o velho opõe-se ao novo. 
A Organização das Nações Unidas (ONU) define que velho é a pessoa a partir dos 60 anos de idade para os países em desenvolvimento e 65 anos para os países desenvolvidos, ao considerar que essas pessoas são idosas. O que determina mesmo ser velho hoje é a data da certidão de nascimento e a data da aposentadoria. 
Tente responder: Velho para mim é ... Velhice para mim é ... Serei velho quando ... Assumirei a velhice quando ...   
Até o século XIX, não só a maioria das pessoas morria jovem, mas também morria rapidamente: haviam poucas doenças crônicas, incapacitantes. Agora, elas são muitas: câncer, diabetes, doenças neurológicas – incluindo a Doença de Alzheimer. Muitas vezes, pode se viver muito tempo com uma delas. Além disso, algumas, relacionadas ao meio ambiente, às condições de trabalho e aos estilos de vida, aparecem tardiamente e só se manifestam após várias décadas. O número de pessoas de todas as idades que vivem com doenças crônicas e incapacitantes, em situação de invalidez e em perda de autonomia, aumentou e vai continuar a crescer nas próximas décadas. 
A população de pessoas idosas está aumentando no mundo todo, as pessoas estão vivendo mais. No entanto, nem sempre estão vivendo melhor. Por isso, o aumento da expectativa de vida já começa a exigir de sociedades e governos novas ações para enfrentar os efeitos negativos do processo de  envelhecimento, pois o envelhecer não é um problema, é uma conquista. Ficar mais velho é bom, ruim é morrer cedo. 
Além disso, existem variações significativas entre os indivíduos: as pessoas não se tornam de repente velhas com a mesma idade, assim como não se tornam adultas. A velhice também varia segundo categorias sócio-profissionais. 
Envelhecer é bom mesmo?
Para envelhecer bem as pessoas têm que investir no seu processo de envelhecimento que, aliás, começa desde muito cedo. A gente já nasce e ele começa. Então, para garantir que a gente possa chegar bem na terceira idade é todo um curso de vida. 
A maioria das pessoas pensa em chegar ativo, festejando, celebrando com a família. E é exatamente o que todos querem. Envelhecer, chegar aos 85 e ir além, mas numa boa, participando da sociedade, não estando excluído. E para isso a saúde é importante, é um valor universal. Todo mundo quer envelhecer, envelhecer bem. E a saúde vem em primeiro lugar. Japonês ou brasileiro, todo mundo quer envelhecer, essa é a grande conquista. 
Envelhecer já não é exceção, é norma. Para ricos e pobres, pois a maioria está envelhecendo, chegando aos 85 ou mais. Como nós chegamos hoje com a nossa esperança de vida no Brasil, praticamente em 74 anos. Há 100 anos, quando Bismarck (1815-1898) inventou o seguro social, envelhecer era raro, porque a esperança de vida era baixa. 
Hoje existe uma discussão na sociedade em torno da imagem do velho. Há uma negação, não só da morte, como também da velhice. A nossa sociedade é toda voltada para um imediatismo, para um aproveitamento, digamos, das coisas, um usufruto imediato de tudo. Onde o jovem é o que predomina na mídia, a sociedade toda valoriza a juventude. 
O que fazer, de fato, na sociedade, de modo a valorizar o idoso? Valorizar a pessoa velha com as suas limitações naturais. No Brasil, o debate é muito mais complexo. 
Qual é a garantia das pessoas pobres - as crianças doentes de ontem, os adultos desempregados de hoje - chegarem bem na velhice se, em grande número, essas pessoas estão excluídas desde sempre? Não estão participando, têm (quando têm) um rendimento precário. Quando têm acesso aos serviços de saúde, são aqueles péssimos atendimentos que tanto criticamos. A problemática, evidentemente para a população nos países em desenvolvimento, é imensamente maior, mas a construção social do envelhecimento vai ter que mudar nos próximos 20 anos em função, exatamente, desse envelhecer que chega a todos nós. 
Não há dúvida de que os determinantes mais importantes, em uma visão mais global, para um envelhecimento saudável, e para a saúde em geral, são os sociais. A gente sabe hoje que, por exemplo, as taxas de mortalidade nos países mais ricos - depois que ajustamos os dados para fumo, exercício físico, dieta, etc -, todos os fatores de risco para essas doenças crônicas, mesmo depois de ter ajustado os dados para tudo isso, continuamos com um excesso de mortalidade para as camadas mais pobres. São fatores de estresse, de exclusão, de não exercício de cidadania, que influenciam a nossa saúde. Até o nosso sistema imunológico. 
Mesmo que se comportem super bem com aqueles estilos de vida todos que a gente sabe que são bons, os velhos pobres acabam ainda com uma mortalidade mais alta do que os nossos advogados, médicos, políticos e dirigentes. Então, tem um fator social que é muito importante. 
O envelhecimento ativo, saudável, começa na infância. Porque é nela, é ao longo da infância, da adolescência, que se adquire hábitos. A alimentação que essa criança tem aos dois, aos cinco, aos oito anos, vai ser muito importante na determinação ou não de risco de doenças que vão acontecer muito mais tarde, até saudáveis são antes de nascer. 
Não adianta saber que é bom comer brócolis se a gente não tem o dinheiro no bolso para comer o tal de brócolis. E é importante que as pessoas que possam realmente fazer atividade física encontrem no meio ambiente onde moram essa possibilidade, sem ser atropelado, nem respirar poluição e acabar sendo contra produtivo. É preciso muito esforço, certamente do governo, mas que passa por uma parceria entre cada indivíduo e sociedade. 
No envelhecer a solidariedade é essencial. É a solidariedade entre o rico e o pobre, é a solidariedade entre o privado e o público, é a solidariedade entre o jovem e o idoso. E enquanto a gente não aceitar esse desafio e esperar que seja o governo que vai decidir, que vai determinar como nós iremos viver, não adianta. A gente têm que fazer esforço no final do dia para que o desafio do envelhecimento saudável seja realmente uma opção pessoal, alicerçada, bem sustentada por toda a iniciativa privada, pública, que facilite essas escolhas. 
(*)Wilma Josina Correia – Graduada em Serviço Social, Unicid. Pós-Graduada em Administração de Recursos Humanos, FECAP. Curso de Extensão Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC. Email: wilma.correia@uol.com.br
http://www.portaldoenvelhecimento.com/comportamentos/item/3866-quando-e-que-a-gente-fica-velho

Low Carb - Reflexões sobre saúde e alimentação


Posted: 08 Sep 2015 07:39 PM PDT


A carne na dieta da Mongólia: 
Uma verdade inconveniente para o veganismo
Meu guia grunhe como se ele apunhalasse seu dedo com a faca sentado junto a um balde de ossos que são cobertos com pedaços de carne fibrosa. Este é o meu convite para comer. Eu tenho uma escolha entre os fêmures cozidos (não tenho certeza se eles são de vaca ou cavalo), uma tigela de creme de leite, coalhada seca de leite e um pouco de pão - uma extravagância considerando que muitas pessoas simplesmente subsistem com o makh, a palavra mongol para "carne" - normalmente fervidos de peças de carne de carneiro com algumas batatas adicionadas.
Eu vim para a Mongólia por algumas semanas para pegar um ar fresco e perspectivas. Apesar dos brilhantes comentários sobre o país como um destino de turismo de aventura, todo mundo que eu tenho conversado tinha me alertado que se acostumar com a comida poderia ser um desafio.
A carne no inverno e carne e produtos lácteos no verão são os modelos tradicionais de nômades da Mongólia. A introdução de trigo, arroz e batatas de nações conquistadas e parceiros comerciais adicionou alguma variedade, mas como o clima é duro e os fazendeiros e os nômades estão juntos como a água e óleo, muitos mongóis rurais continuam a subsistir com uma dieta composta quase inteiramente de animais proteína e gordura.
Eu não sou um grande comedor de carne vermelha, mas estou muito animado com a minha refeição, tudo free-range, e eu quero dizer realmente free-range. A Mongolia é o país menos populoso no mundo e os nômades, que ainda constituem cerca de um quarto da população, movem suas casas e seus rebanhos várias vezes por ano.
Mongólia 4
Animais da Mongólia são verdadeiramente free-range
Os animais são alimentados com capim de pasto (sem ninguém a "alimenta"-los, eles comem quando estão com fome) e praticamente sem qualquer antibiótico ou hormônio. Com pouca indústria fora da capital, o ar, água e terra são limpos e eu tenho pouca dúvida de que estou a comer um pouco da proteína animal mais natural atualmente disponível para a humanidade.
Mas será que isso a torna mais saudável?
Recentemente assisti Forks Over Knives de Lee Fulkerson (mais ou menos como "Garfos ao invés de facas"), um documentário de 2011 que apresenta uma forte argumentação de que a maioria das doenças "ocidentais", ou seja, doenças cardiovasculares, diabetes e câncer, são causadas pelo consumo de produtos de origem animal e alimentos processados. A solução do filme é simples; se queremos viver vidas saudáveis ​​devemos mudar para uma dieta à base de plantas, um eufemismo cuidadosamente escolhido para o "veganismo".
O filme baseia-se fortemente na pesquisa de T. Colin Campbell da  Cornell University e seu livro de 2005, O Estudo da China, um manifesto vegan que pretende demonstrar cientificamente que o consumo de qualquer produto animal, de qualquer tipo e em qualquer quantidade (o que Campbell chama de "a dieta ocidental") causa problemas de saúde significativos em seres humanos. O livro é baseado em um estudo abrangente que Campbell fez ao longo de um período espantoso de 20 anos na China rural e Taiwan. (Nesse LINK uma revisão crítica desse livro, postada aqui no blog).
Dada a forma como o excesso de peso, o sedentarismo e a adição aos medicamentos  -  aquilo que o povo americano se tornou, é um argumento convincente, especialmente contra o pano de fundo da carne industrial do gado confinado, sob injeção de hormônios e alimentados com ração de milho, de uma América retratada em filmes como Food Inc., e Geração FastFood.
Mongólia 1
Sentando-se, por algum Airag, ou fermentado resposta baseada no animal de leite de égua-Mongolia de cerveja
Ao contemplar o mérito de uma dieta baseada em plantas, uma mulher me entrega um pano molhado para limpar a gordura animal dos meus dedos (como muitos americanos, os mongóis comem com as mãos). Eu me lavo de minha refeição com um pouco de Airag ou leite fermentado de égua, uma bebida azeda mongol - tipo cerveja com algo em torno de 2% a 3% de álcool (sim, na Mongólia mesmo a bebida é derivada de animais).
Para ser honesto, eu estou começando a me sentir um pouco chateado e eu não quero dizer no sentido britânico. Você vê, de acordo com as afirmações de Campbell, a dieta da Mongólia deve ser tão ruim quanto teoricamente seria possível e os mongóis devem estar caindo mortos a esquerda e a direita pelas doenças "ocidentais" por causa de sua dieta "ocidental". Porém deve haver um pequeno inconveniente para a equipe Fulkerson / Campbell uma vez que eles não estão cumprindo o esperado.
Os mongóis estão comendo desta forma desde se registra a história e verifica-se que a sua atual expectativa média de vida é de 68 anos. Mesmo que isso seja certamente menor do que o recorde de 78 anos, na América ou os 83 anos no Japão, a Mongólia é ainda um país em desenvolvimento com um PIB per capita de menos do que 1/10 dos EUA, e uma infra-estrutura muito pobre em saúde. Além disso, o ambiente é extremamente dura e o alcoolismo e as taxas de tabagismo sejam elevadas entre os homens e as mulheres. Com todos esses aspectos considerados, 68 anos parece surpreendentemente bom.
Na verdade, se você comparar Mongólia com o Laos, também um país asiático sem litoral em desenvolvimento, mas com uma dieta baseada em arroz e significativamente maior consumo de vegetais per capita, ambos os homens e mulheres da Mongólia vivem  por mais tempo. Enquanto a  ciência como bruta e formal, esta simples análise levanta uma bandeira vermelha.
Mongólia 2
Fazendo boodog, ou cabra blowtorched
cabelo do animal é queimado enquanto rochas quentes são recheadas na cavidade torácica cozinhá-lo, assim, a partir de dentro e fora
É aqui que tanto Fulkerson e Campbell parecem ter esquecido uma das técnicas mais básicas em ciências: verifique sempre os casos extremos; neste caso, as sociedades marcadamente dependente de dietas à base de carne - como a Mongólia.
O problema é que ambos os homens têm confundido o consumo de alimentos de origem animal com o consumo de alimentos processados. É reconhecido como certamente correlacionado ao abastecimento alimentar industrial da América, mas como cada estudante que passou em Estatísticas 101 deve saber", Uma Correlação não Implica em Causalidade".
Felizmente, usando técnicas estatísticas adequadas a ex-vegan Denise Minger tem meticulosamente (e com humor) demonstrado que enquanto há muitas evidências de que os alimentos processados ​​e refinados são o problema, a afirmação de Campbell que a proteína animal é fundamentalmente prejudicial simplesmente não é suportado pelos seus próprios dados. Ela também apresenta uma excelente crítica da "ciência" do  "Forks Over Knives" e como o filme captura os seus argumentos e definições para apoiar um ideal vegan. Ela também observa que o filme ignora completamente os benefícios bem documentados de dietas à base de peixe em países como a Noruega e o Japão. (Na última vez que verifiquei os peixes eram animais.)
Esta é uma boa notícia para mim, não porque eu preciso de alguém para justificar minhas predileções carnívoras, mas porque, como o HAL de 2001 (Uma Odisseia no Espaço), eu provavelmente teria um episódio psicótico se eu não fosse capaz de conciliar a teoria com a realidade. A teoria de Fulkerson e de Campbell é que a carne é um mal absoluto; a realidade diz que não é assim. A reconciliação é simples. A teoria é errada, agora eu me sinto racional novamente.
Mongólia 6
Uma tigela de coalhada fermenta no fogão em uma ger (tenda)
Pessoalmente, eu não sou um grande fã de carne de carneiro e se forçado a tomar uma decisão binária entre ser vegan ou comer a dieta tradicional mongol para o resto da minha vida, eu provavelmente escolheria o primeiro, mas para mim é uma questão de gosto, não por supostos benefícios para a saúde.
Se ser vegan é porque você o prefere, tudo bem. O que eu não posso tolerar é o documentarismo impreciso e o dogma pseudo-científico que está sendo usado para assustar as pessoas, levando-as a pensar que isso é medicamente necessário quando contra-argumentos óbvios são tão facilmente percebidos. Talvez a lição final que tirarei desta viagem para a Mongólia não tem nada a ver com carne ou documentários ou livros, mas sim o viajar em si: nada bate a experiência em primeira mão quando se trata de tentar descobrir a verdade.
Observações Acima das Admonições!

Artigo de Jesse Verveka em: LINK Original:

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

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NOTÍCIAS » Notícias

Freiras se infiltram em bordéis para combater o tráfico de pessoas

Uma organização religiosa italiana coloca mais de mil freiras nas ruas para combater o tráfico de pessoas pelo mundo. Segundo informações da versão on-line do jornal britânico "The Huffigton Post", elas se infiltram em bordéis para resgatar as mulheres. 
A reportagem foi publicada por UOL, 30-11-2015.
A rede, denominada Talitha Kum, foi criada em 2004 e atua em 80 países. De acordo com John Studzinski, presidente do grupo, cerca de 73 milhões de pessoas são traficadas de alguma forma, o que significa um terço da população mundial. Dessas, 70% são mulheres e metade tem menos de 16 anos.
"Esses problemas são causados pela pobreza e desigualdade, mas vai muito além ", disse ele durante uma conferência que discute os direitos e o tráfico de mulheres. "Não quero ser sensacionalista, mas afirmo que o mundo perdeu a sua inocência e que as forças do mal estão por aí", disse.
Studzinski falou durante o evento sobre o tratamento horrível que algumas vítimas enfrentam, usando o exemplo de uma mulher que ficou presa por uma semana sem comida depois de não cumprir a meta de transar com 12 clientes por dia. E o trabalho das freiras é resgatar essas pessoas.
"Essas irmãs não confiam em ninguém. Elas não acreditam nos governos e na polícia local. Em alguns casos, não podem confiar nem no clero masculino", afirmou.
As religiosas também ajudam a salvar crianças que são vendidas como escravas por seus pais, oferecendo abrigos na África, nas Filipinas, no Brasil e na Índia.

DIVULGANDO

Mercur lança site do LAB
O Laboratório de Inovação Social (LAB) idealizado pela Mercur acaba de ganhar uma página na web que, entre outras funções, terá a agenda dos eventos que acontecem no espaço

Aberto todos os dias da semana, das 8h às 22h, o Laboratório de Inovação Social da Mercur ou LAB, como é carinhosamente conhecido, acaba de ganhar uma página na internet: mercur.com.br/lab. Lançada oficialmente nesta última segunda-feira (30/11), o objetivo principal da página será esclarecer o propósito de existência deste espaço e divulgar as atividades que acontecerão nele.

“Muitas pessoas nos questionavam sobre a razão de existência do LAB e sobre o que acontecia neste espaço. Sentíamos falta de um local que pudesse ajudar a esclarecer estas dúvidas ultrapassando as distâncias físicas e a criação de uma página era o que faltava para nos aproximarmos ainda mais das pessoas. Desta forma, todos que tiverem interesse poderão não só consultar a agenda de eventos, mas tirar dúvidas e até mesmo propor novas atividades”, declara Breno Strussmann, Diretor Geral, da Mercur.

O LAB foi construído pela Mercur com o objetivo de ser um ambiente que proporcione à empresa vivenciar descobertas e promover interações com a comunidade que vive em seu entorno. A ideia é que o espaço sirva como um instrumento que promova momentos significativos de ensinar e aprender e, também, de criação de soluções que ajudem a melhorar a vida das pessoas, a partir de necessidades legítimas e da convivência com elas. 

O LAB comporta dois modelos de atividades chamadas aprendizagem e prototipação. Os espaços de aprendizagem são as atividades em que as pessoas colocam seus conhecimentos a serviço de outras pessoas, criando momentos significativos de ensinar e aprender. Essas ações podem acontecer por meio de uma oficina, roda de conversa, palestra ou até mesmo de um filme que gostariam de compartilhar.

Já os espaços de prototipação são as atividades de colocar a mão na massa para construir protótipos de produtos ou serviços A estrutura de todo o Laboratório de Inovação Social é dividida em 4 ambientes:  Espaço Palavra e Imagin-AÇÃO, Espaço Encontros, Espaço Aberto e Espaço Oficina.

Conheça mais sobre a estrutura e tudo que envolve este espaço, acessando a página (mercur.com.br/lab)!

Workshop de sobre Deficiência e Beleza
No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemorado em 03 de dezembro, a Mercur, por meio do projeto Diversidade na Rua, realizará no LAB um workshop sobre Deficiência e Beleza, com apresentação de Carlena Weber e mediação de Bruna Rocha Silveira, do blog Esclerose Múltipla e Eu.  O evento acontece entre 14h e 16h e tem como objetivo promover uma conversa sobre o mercado que envolve produtos de beleza e de que forma ele interage com as pessoas que possuem algum tipo de deficiência.  Além disso, todos os participantes poderão ver como é possível se maquiar utilizando algumas adaptações. O workshop é aberto ao público e as inscrições são gratuitas. Para se inscrever basta acessar o link:  https://goo.gl/pzh7Tp

SERVIÇOWorkshop sobre Beleza e Deficiência, com Carlena Weber (mediação de Bruna Rocha Silveira)
Data: 
03 de dezembro de 2015
Horário:
 das 14h às 16h
Inscrições: pelo link 
https://goo.gl/pzh7TpLocal: LAB Mercur (Rua Capitão Pedro Werlang, 400 - Portão Amarelo, Higienópolis
Santa Cruz do Sul/RS)

Sobre Carlena Weber
Mulher, tetraplégica e louca por maquiagem. Utiliza várias adaptações para conseguir se maquiar e se sentir ainda mais linda. Autora do livro "A minha versão da história". “Acredito que, apesar de alguns avanços, ainda é importante desconstruir alguns mitos e tabus. Momentos como esse são importantes para mostrar que beleza e deficiência não são opostas.” Carlena Weber




Sobre a Mercur:
A Mercur é uma empresa brasileira, fundada em 1924 na cidade de Santa Cruz do Sul (RS) e começou sua trajetória com produtos derivados da borracha. Com o passar dos anos e o repensar constante das suas atividades, a empresa entende que tudo que é produzido para atender as necessidades humanas tem um impacto no ambiente, indivíduos e na sociedade. A Mercur assume publicamente o compromisso de participar com pessoas e organizações na criação de soluções sustentáveis e que indiquem novos patamares de uso, criando facilidade que possam se traduzir em produtos, serviços ou novos modelos de comercialização. Atualmente a empresa conta com cerca de 700 colaboradores, com um portfólio de produtos voltados aos segmentos de educação e saúde, como borrachas de apagar, bolas de exercício, bolsas térmicas, muletas e etc. A companhia também atua na área industrial com soluções customizadas, disponibilizando lençóis de borracha e peças técnicas, bem como pisos especiais e revestimentos.

Acesse também:Site da Mercur: www.mercur.com.br
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Oferecemos arquivo de textos específicos, de documentos, leis, informativos, notícias, cursos de nossa região (Americana), além de publicarmos entrevistas feitas para sensibilizar e divulgar suas ações eficientes em sua realidade. Também disponibilizamos os textos pesquisados para informar/prevenir sobre crescente qualidade de vida. Buscamos evidenciar assim pessoas que podem ser eficientes, mesmo que diferentes ou com algum tipo de mobilidade reduzida e/ou deficiência, procurando informar cada vez mais todos para incluírem todos.