terça-feira, 3 de novembro de 2015

QUERO QUE VOÇÊ ME CONHEÇA – SEM PRECONCEITOS!

   Minha mãe grávida teve rubéola, e eu nasci surda. Com o uso do aparelho auditivo acrescento sons do meio ambiente que me confundem e irritam. Prefiro não usar.
   Sou Juliane, de vinte e seis anos. Filha única, de pais amorosos que no passado não sabiam Libras, mas hoje sabem o intermediário – eles se comunicam comigo por gestos, Libras e eu consigo ler seus lábios, e é assim que nos entendemos.
   O início da escolaridade foi muito difícil. Professores não me explicavam nada, eu ficava na sala de aula “de corpo presente”. Não fazia amigos – como estabelecer alguma comunicação? Meu pai tinha um conhecido na igreja que frequentávamos. Seu filho também era surdo, eu tinha seis anos e ele sete, foi meu primeiro amigo na escola. Se as pessoas soubessem quais são nossas dificuldades, começaria a existir verdadeira possibilidade de contato.
   Cheguei à escola de surdos, em Campinas, aos quinze anos. Aprender Libras foi libertador- fiz uma porção de amigos! Uma intérprete desta língua explicou que algumas pessoas não se aproximavam de mim por preconceito, acrescentando que não valia a pena me preocupar com estas atitudes. Conceitos abstratos – como “preconceito” são de difícil entendimento para pessoas surdas.
   Passei um ano em Campinas e depois, com auxílio de uma intérprete de Libras consegui, em escola regular, terminar o segundo grau, aos vinte e quatro anos. Hoje frequento curso específico para pessoas com deficiência, quero trabalhar. Sou grata por enxergar e poder me comunicar em Libras. Tenho o sentimento de estar integrada ao meu meio social, me sinto feliz.
   Um sonho futuro? Viajar muito, conhecer muitos lugares!
   “Viajar é mudar a roupa da alma. ” – Mario Quintana

Caso real, Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga, e-mail:bfritzsons@gmail.com

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