quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Caso real: MOTO? TÔ CORRENDO!

Sou Ivan, tenho vinte e cinco anos. Trabalhei como mecânico. Sempre sem registro, Também como garçom e estampador de camisetas. Numa madrugada, dirigia a moto com minha mãe na garupa, descia por uma avenida e precisei dividir o espaço com duas caçambas seguidas e carro ao meu lado. Ele encostou em meu guidão, bati na quina de uma das caçambas, quebrei meu fêmur em quatro partes, estourei o joelho, o tanque de combustível da moto se partiu ao meio com a força do impacto Minha mãe lesou com tal gravidade a coluna quando caiu que precisou colocar seis pinos , além da placa de platina em sua perna, abaixo do joelho.O motorista não nos socorreu.
   Lembro de meses no hospital, com gaiolas de aço em volta de minha perna, fumando quatro maços de cigarro por dia, apesar dos antidepressivos. Passei por cinco cirurgias, no dia em que iam amputar minha perna, quebrei tudo o que havia à minha volta e briguei e gritei tanto que decidiram me dar um tempo. Fiquei por três meses em cadeira de rodas e andei por um ano e dois meses com muletas. Depois usei andador.
   Agora faz um mês que “ando”, mancando muito, a perna ficou mais curta, com cicatriz funda na coxa toda, o joelho é rígido, o pé não funciona como antes, e a perna “adormece” sempre. Acho que a irrigação sanguínea ficou parcialmente comprometida. Hoje ando, mas sem equilíbrio, não posso correr, não consigo subir em um ônibus.
   Quero trabalhar. Fui orientado a buscar esporte, para preservar a força do tronco e braços, importante para meu futuro, já que sobrecarrego minha perna boa e com o tempo isto vai ter um custo para minha mobilidade. Sou bom em Matemática, estou pensando em voltar à estudar, ”O que não provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte.” – Nietzsche.

Caso real. Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga e diretora da Unidade de atenção às Pessoas com Deficiência.

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