domingo, 4 de outubro de 2015

TENHO DOIS ANJOS QUE ME GUARDAM: GRAÇA E CÍCERA

   São respectivamente minha mãe e avó. Moramos juntas. Foram sempre minha luz e amparo, agora está chegando minha vez de ajudar, é para mim uma alegria ter força para contribuir.
   Sou Rosângela, com trinta e um anos. Aos doze, sofri acidente em carro da família. O motorista perdeu o controle em curva fechada e mergulhou em um rio. Fui a última a ser salva, entre os seis ocupantes.  Achavam que eu não estivesse viva. Em cirurgia de emergência retiraram meu baço e parte de meu intestino. Minha coluna não foi radiografada. Sete dias depois permitiram que me banhasse. Assim que me levantei, minha própria coluna, quebrada, lesou minha medula irreversivelmente. As pernas não tinham mais a mesma movimentação. Nova cirurgia fixou a fratura com placa de metal. Foram anos de reaprendizagem para conviver com eficiência com os novos limites físicos, usando uma cadeira de rodas e depois muletas canadenses.
   Graça nunca admitiu desânimo, e nem Cícera – o direito à vida sempre foi maior. Esta mãe empurrava a cadeira para aonde fosse preciso, levava o currículo em busca de emprego também, ajeitando seus horários de trabalho para tanto.
   Fui subgerente de banco por quatro anos, fiz administração de empresas por dois, trocando de empregos para buscar crescimento pessoal e melhores condições. Hoje trabalho na secretaria de uma escola-modelo de nossa cidade. Faço Pedagogia, pago a bolsa de estudos com trabalho social nos fins de semana na comunidade, faço curso de educação à distância de Artes Visuais, sou responsável por grupo de jovens de minha igreja, e adoro os convites que recebo para cantar!
O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.

Caso real. Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga, e-mail: bfritzsons@gmail.com

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