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sexta-feira, 15 de julho de 2016

 DOR PODE SER AVISO AMIGO, SE VOCÊ ESCUTAR.
   Sou Rita, tenho 57 anos. Faz dois anos, tomando banho, minha mão esbarrou involuntariamente no bico de meu seio e senti dor. Examinei o local e encontrei pequeno nódulo. Busquei ajuda médica, não me apavorei, fiz exames dos quais nunca tinha ouvido falar, precisei de cirurgia na mama esquerda. A direita tinha dois nódulos, benignos. Bom sentir o marido companheiro, a filha pesquisando na internet medicação natural que evitasse vômito. Percebi parentes se afastando, o que não foi confortável, e maior proximidade dos colegas de trabalho, o que me fez muito bem. Meu cabelo caiu todo, mas com um lápis no olho, um blush e um batonzinho eu me sentia perfeitamente bem, apesar de careca. Agradeço ao meu patrão ter permitido que eu não usasse lenços. Trabalhei cerca de um ano e meio assim, o tempo das quimioterapias e das radioterapias. O cabelo era liso, renasceu cacheado. Em setembro devo fazer ressonância e mamografia, para avaliar se conseguimos realmente afastar a doença. Sinto medo. Precisei do suporte de antidepressivos.
   Soube ser firme com a dor física. Já enfrentei cirurgia bariátrica, precisava chegar ao meu peso ideal para escapar de cirurgia arriscada e de resultado duvidoso em minha coluna. Mantenho os 36 quilos perdidos há 15 anos, muito feliz.
   Preciso ainda aprender a lidar com a dor emocional. Minha mãe tem 82, saúde já fragilizada. A convivência com ela é extremamente desagradável. Tem duas cuidadoras. Preciso passar em sua casa todos os dias, usando tempo que falta para minha família. Sei que deveria agir de forma diferente, e simplesmente não consigo.
  
Caso real, Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga, e-mail: bfritzsons@gmail.com


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