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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Depoimento/CASO REAL

MATEUS, LUCAS, IZABELA, MARIA GABRIELA, DANIEL


   Agora a memória não me traiu! Fico incomodado quando quero me lembrar do nome de meus cinco netos e ela falha! Surge um fantasma de Alzheimer me assombrando – mais dez anos e nem vou me lembrar do meu nome? Mas acho que ainda não é sinal para alarme. Sei bem da seqüência e hora de meus medicamentos diários, controlo minha vida financeira com folga. Meu nome é Benedito, tenho 78 anos de idade, sou viúvo há quatorze anos, vivo com autonomia. O filho mais velho desmanchou seu casamento e vive comigo, em meu apartamento. Um dos quartos é reservado para a filha ainda solteira, que mora em São Paulo, e vem sempre me visitar. Tentei partilhar a vida com prima viúva, mas na convivência os gênios não se afinaram. Dirijo meu próprio carro e também o taxi de meu filho em necessidades ocasionais, o que gera um complemento para minha aposentadoria. Dirijo para familiares quando precisam. Graças a cuidados de sete irmãs carinhosas, que moram próximas, consegui transformar uma casinha de herança em um apartamento próprio, que considero muito bom, oportunamente localizado no centro da cidade, o que é ótimo para quem tem mais idade. Uma faxineira o mantém limpo, almoço fora de casa sempre, hoje é muito fácil e prático, e faço meu jantarzinho Freqüento serviço para idosos, aonde faço ginástica adaptada. Nos finais de semana as irmãs e eu jogamos baralho, na casa de uma que não pode sair, cuida de marido acamado. E também vou visitar, em Limeira uma “namorada” de 59 anos. Gostaria que ficássemos juntos, mas ambos têm laços de família muito fortes... Continuamos juntos, cada um em sua cidade?

“A liberdade não consiste em seguir a sua própria vontade, mas às vezes em fugir dela.”-Kobo Abe.

Caso real. Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga, e-mail:bfritzsons@gmail.com

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