Esta
condição de maternidade a vida escolheu por mim. Os avós de meu filho
determinaram com seus genes sua rara doença neurológica de curso irreversível,
ainda sem chance de cura (Leucodistrofia de Canavan). Meu nome é Sofia, mãe de
Theo, que está há doze anos comigo, eram previstos somente três anos. Esse
mocinho que não pôde andar (usa cadeira de rodas), não pôde ver ou falar, me
emociona cantarolando do seu jeito qualquer das músicas que conhece de Bethoven,
Vivaldi, Mozart, com um sorriso de prazer. Ele me levou a lutar por uma excelência
de tratamento médicos e somar ainda florais, acupuntura, massagens com óleos medicinais.
Aprendi também a lutar por cirurgias necessárias, mesmo que ele pudesse se
beneficiar por pouco tempo. Penso que
são direitos – cada ser humano tem o direito à maior qualidade de vida possível.
Acho que muitas pessoas se distanciam, hesitando em enfrentar todos os dias a
morte tão assustadoramente possível. E perdem a deliciosa oportunidade de poder
sorrir, aconchegar, cantarolar e cuidar agradecendo pela dádiva de sua
presença. Theo foi me desconstruindo aos poucos, foi-se o casamento, mas o pai
ainda é presente. Foi-se a Sofia que podia trabalhar, e agora é cuidadora em
tempo integral, com folga quinzenal. No início me anestesiei de qualquer dor,
num mar de ansiedade e depressão. Depois reaprendi a sentir para sobreviver,
preciso me cuidar, para cuidar do Theo. Surgiu uma mãe capaz de ajudar outras mães,
tenho tempo de me informar muito, ler muito, e usar o conhecimento do caminho
já percorrido para aliviar sofrimentos desnecessários e indicar possíveis
soluções. Theo é um excelente professor. Aprendi com ele a ser uma mãe feliz,
aqui, agora. Desejamos um feliz dia a todas as mães. Aqui,
agora.
Caso real, identidade preservada a pedido,
Elizabeth Fritzsons da Silva, psicóloga, e-mail : bfritzsons@gmail.com
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